Seja bem-vindo
São Jerônimo, RS,22/10/2026

  • A +
  • A -
Publicidade

João Adolfo Guerreiro

JOÃO GUERREIRO | A média duração: ainda na Era Vargas

A eleição 2026 é um breve episódio

Reprodução
JOÃO GUERREIRO | A média duração: ainda na Era Vargas Getulio Vargas

João Adolfo Guerreiro

Como nos verão daqui uns 200 anos, olhando pra este momento, os futuros historiadores? Na minha opinião, como inclusos no tempo que inicia nas reformas de Getúlio Vargas, um tempo, baseando-se na teoria dos tempos diferenciados do historiador francês Fernand Braudel (1902 -  1985), de média duração, um mesmo ciclo histórico conjuntural.

Engraçado é que hoje a Era Vargas nos parece muito distante, não é mesmo? Em 2030 completar-se-ão 100 anos da Revolução de 1930, que levou ao poder o estadista de São Borja. Daqui 17 anos, será o centenário da CLT. Parece muito, mas para a História, não é. Ainda mais que 100 anos é uma passagem de tempo possível para uma vida humana, ainda podemos achar brasileiros nascidos em 1930.

Para Braudel, grosso modo, o tempo é fundamentalmente estrutural e se divide em longa, média e curta duração, a saber: o primeiro, medido por séculos e milênios, refere-se às estruturas, mais duradouras e de mui lenta modificação, como geografia, cultura e modos de produção; o segundo, medido por décadas e séculos, refere-se às conjunturas, ciclos de mudanças dentro das estruturas mais longas, sem as superar; em terceiro, tem a ver com os fatos e acontecimentos imediatos, como, por exemplo, está inserida a eleição deste domingo.

Assim, creio que nos verão dentro do ciclo histórico da Era Vargas, que deu vazão a muitos anseios de industrialização e por direitos trabalhistas e previdenciários oriundos das lutas operárias do século XIX, de inspiração marxista, comunista, socialista e anarquista. Sim, ainda estamos nos debatendo com a anulação de direitos e retomada dos mesmos num ciclo de média duração que se dá dentro da longa duração do modo de produção capitalista, num eterno retorno à Nietzsche e com a história, à Marx, acontecendo como tragédia e se repetindo como farsa. A escala 5x2 de Lula, a reforma da Previdência de Bolsonaro, a reforma trabalhista de Temer, o décimo-terceiro salário no governo Jango e a eleição do dia 25 próximo estão inseridas neste ciclo, que já nos governos Collor e FHC sofria a influência de propostas neoliberais contrárias ao legado de Vargas.

Isso nos parece tudo já muito distante e desconectado, mas não, e uma análise histórica séculos adiante perceberá isso claramente. Logo, tenham isso em mente ao caminharem domingo até a urna: a história não começou ontem e nem terminará na segunda-feira. Se, para o historiador inglês Eric Hobsbawm (1917 - 2012), o século XX ja foi "breve", imagina o que sobra para nós, efêmeros passageiros do tempo?




COMENTÁRIOS

LEIA TAMBÉM

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.