João Adolfo Guerreiro
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | A casa do menino
Perto do céu e da memória
João Adolfo Guerreiro
Era uma casa muito encantada, com vista para os morros e o estádio de futebol ao café da manhã e com uma alameda de ciprestes materna no pátio. Com um gigantesco porão onde o menino brincava.
Ficava na parte mais bela da cidade, perto da igreja, do céu e das festas comunitárias onde até o governador Ildo esteve, parando sobre o barranco e o olhar curioso do menino. A casa resplandecia a país e irmã vivos e irmãos presentes, a segurança, conforto, acolhimento, prazeres, descobertas e aprendizados.
O tempo passou, os irmãos foram ganhar a vida e a família se mudou de cidade atrás. Toda a escolha consciente e regida pelo bom senso não necessariamente será aprovada pelo coração. O pai, não por acaso, adoeceu de arrependimento. O menino, melancólico de saLdade. "Não doeu só em mim" - cantaria anos depois. Mas a casa permanece lá, na memória e no local...
- Quanto custa? - perguntou o menino pro dono da sua casa.
O porão ainda existe, mas parece menor. Mesmo assim daria um bom estúdio. O céu ainda é tão lindo por lá. As lembranças estão presentes, olhando através de cada canto, lá do passado. A casa vive e respira, não esqueceu do menino: "Me compra? Volta pra mim?"
É uma casa muito encantada, perto da igreja, do céu e do coração. Uma casa viva, que não esqueceu do sabor da felicidade.





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