João Adolfo Guerreiro
JOÃO GUERREIRO | A redução de jornada é essencial pro capitalismo
Assalariados e pequenos empreendedores são carne pro sistema dos tubarões
Como haverá mercado consumidor sem mercado de trabalho? João Adolfo Guerreiro
Como um cara vai almoçar fora se desempregado, sem grana? Entenderam, agora? Ainda não! Então vamos lá.
Como haverá mercado consumidor sem mercado de trabalho? Henry Ford já sabia disso em 1914, ao reduzir a jornada de trabalho e aumentar os salários de seus funcionários para eles próprios comprarem os carros que fabricavam. Imagina então hoje, com o desemprego estrutural tecnológico - DET - tendo um up com a IA? Os capitalistas vão vender pra quem, num mundo com escassa empregabilidade?
Assim, a redução de jornada é uma reforma capitalista, que visa viabilizar o sistema em crise amenizando uma contradição por ele mesmo criada: diminuir a jornada para manter empregos, salários e mercado consumidor. Simples. Vários países no mundo tem escalas já reduzidas, justamente porque os capitalistas de lá sabem disso. Contradições e crises cíclicas, Karl Marx foi o cara que descobriu isso sobre a natureza do capitalismo. Todo capitalista experto lê O Capital para aprender sobre.
Incrivelmente, aqui no Brasil, a direita é tão estupidamente reaça que deixou a esquerda, via uma deputada federal do PSol, Erika Hilton, socialista, pautar o debate. O atual governo, que não é bobo e viu a bola na marca do pênalti e o goleiro sentado, aproveitou a oportunidade e encampou a bandeira em ano eleitoral. A estupidez custa caro na política para os estúpidos. Tiveram os liberais reaças de extrema-direita com juízo - a maioria deles, viu-se - de aprovar na marra a PEC da redução na Câmara dos Deputados. O PL ainda tentou constranger o governo petista e propôs incoerentemente uma escala de 4x3, após ser contra o fim da 6x1 e contra a aprovação da 5x2. Então acertou, sem saber o motivo e onde acertou, por caminhos tortos: um capitalista tem de saber que esse é o futuro e a escala 4x3 com 36h semanais um dia virá, pela necessidade de sobrevivência do capitalismo acossado pelo DET que ele mesmo produz.
Mas nunca esqueçam: o capitalismo tende à acumulação de capital, à concentração de renda, é um modo de produção ideal para predadores, tubarões - Marx também enxergou isso. Assalariados e micros e pequenos empresários são todos presas, carne pro sistema. Entendem? A escala que salvará o sistema dos tubarões poderá, sim, ser fatal pros empreendedores lambaris, que não possuem a mesma capacidade financeira de arcar com o custo dos empregos de que necessitam pra tocarem seus negócios. Mas quem já viu tubarão que vive de comer assalariado preocupado com os colegas lambaris? Aliás, que colegas? Lambari nunca foi e nunca será colega de tubarão. Os caras não davam gatos pros leões comerem nos circos? Pois então, eram todos felinos, mas a sobrevivência é a lei da selva, do circo e do mercado. Os políticos terão de pensar nos lambaris, eles possuem direito à vida, são importantes pro capitalismo, a proteína animal para os tubarões e são gente, assim como os assalariados.
Era isso. Pensem economicamente as coisas, não virem fanáticos de ideologias que estupidificam. Agora me deixem comer, com Henry Ford e Karl Marx que, esses sim, sabiam das coisas.
Como cantavam Os Replicantes: "Seja punk, mas não seja burro".



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