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São Jerônimo, RS,18/03/2026

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João Adolfo Guerreiro

JOÃO ADOLFO GUERREIRO | O sociólogo

Habermas, o democrata da ação comunicativa

Reprodução
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | O sociólogo Habermas, o democrata da ação comunicativa

João Adolfo Guerreiro

Faleceu recentemente o eminente filósofo e sociólogo alemão Jurgen Habermas, aos 96 anos, um dos integrantes da importante Escola de Frankfurt, donde fez parte da segunda geração, posterior a Adorno (do qual foi assistente), Horkheimer, Marcuse, Fromm, Benjamin, dentre outros.

Sua influência teórica na Alemanha, em particular, e na Sociologia mundial, no geral, foi enorme. Na verdade, seu pensamento é referência para as Ciências Sociais dos séculos XX e XXI, a partir do pós guerras. Estudamos muito Habermas lá no curso de Ciências Sociais na Unisinos dos anos 1990, nas disciplinas de Teoria Sociológica I, II e III, durante o auge da sua produção intelectual madura, principalmente sobre sua conhecida Teoria da Ação Comunicativa.

A ação comunicativa habermasiana, mui basicamente, se dá entre indivíduos dentro da "esfera pública" (um de seus conceitos mais caros e conhecidos) de forma racionalmente válida e legítima, nos termos da democracia deliberativa. Sim, seu pensamento sociológico, filosófico e político é radicalmente democrático, o que é de se esperar de um autor crítico a todas as formas de totalitarismo tragicamente surgidas na primeira metade do Século XX.

Seu pensamento influenciou bastante a esquerda socialista democrática pós stalinismo soviético. Pra citar só um exemplo mais próximo daqui do Brasil, recordo do então deputado federal José Genoino, ex-guerrilheiro, lançando nos 1990 um texto chamado "Por um partido de interlocução", propondo para o PT um caminho habermasiano em sua ação política, que foi a linha que o partido seguiu desde então, até hoje. Para a época isso representava uma via de ruptura com a teoria política ortodoxa marxista, numa prática que também beberia na fonte do pensador italiano Antonio Gramsci.

Já nos seus últimos anos, Habermas estava pessimista ante o recrudescimento da extrema-direita em seu país e no mundo e sobre o quanto isso representava como involução para a democracia e o direito, principalmente o internacional. Em um mundo onde Trump, Bibi e outros usam da força bruta militar ao arrepio de qualquer noção de direito entre as  nações, o que mais poderia pensar Habermas?

Que Lênin é que explica a política teoricamente, via o "centralismo democrático"? Que Stalin estava certo, o negócio é mesmo a KGB dando tiro, porrada e bomba no plano interno e o Exército Vermelho fazendo igual no externo? Que Putin tem razão? Sim, a extrema-direita legitima um pensamento ortodoxo de esquerda, jamais o socialismo democrático. E essas respostas teremos mais adiante, nos próximos anos ou décadas, se o mundo passar ileso ao momento atual.

Deixo abaixo links para duas entrevistas de Habermas, sintéticas, mas que ilustram o cerne de suas motivações teóricas. A primeira é com o jornalista gaúcho Juremir Machado da Silva que, inclusive, teve um programa chamado Esfera Pública na rádio Guaiba. A segunda é bem curta, mas esclarecedora, além de possuir um esquema teórico fundamental pra entender o que escrevi acima acerca de seu pensamento. 




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