JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Dia de finados

Parece ironia, mas é apenas a realidade, imprevisível e surpreendente

Dia de finados num ano de muitos óbitos. Nunca esqueceremos esse 2020 e sua pandemia mortal, que vitimou centenas de milhares no Brasil e milhões no mundo. Para as gerações atuais, um momento único e ainda não vivenciado. Como é pra mim e para meus parentes.

Em minha familia tem - graças a Deus - muita gente idosa, pessoas do grupo risco, com doenças crônicas. Assim, ir ao cemitério hoje é caso de extrema necessidade? Para mim, não, mas cada um sabe de si. Mantendo o distanciamento social, evitando aglomeração, usando máscara, levando seu álcool 70% e não sendo de nenhum dos grupos de risco, a pessoa é que decide o que é importante para sua vida. Eu, sinceramente, não vou, mesmo sendo um costume familiar de décadas.

Minha mãe, minha tia, minhas primas e eu sempre vamos ao Júlio Rosa no Dia de Finados, no jazigo do tio e dos meus avós maternos, além de outros de parentes e amigos que já partiram desse plano físico. A mãe e a tia têm mais de 70 anos, a primeira é diabética e cardíaca. Sempre vão à Cruz das Almas orar e deixar umas velas. Esse ano tudo isso está prejudicado. Ficarei em casa, pensarei nos que partiram e rezarei por eles. Haverá tempo de ir lá, quiçá num futuro próximo, penso eu, olhando a situação pelo meu ponto de vista, conforme o que eu acredito ser o ideal nesse momento.

Essa pandemia, logo, afeta a vida dos vivos e a tradição para com os mortos. Qual de nós, sinceramente, já havia imaginado passar por uma situação dessas? Ter de decidir se vai ou não ao cemitério no Dia de Finados devido ao risco de morte? Parece ironia, mas é apenas a realidade, algumas vezes imprevisível e surpreendente, nos indicando o caminho da humildade,

Tudo de bom para todos vocês e fiquem todos com Deus.