JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Divaldo, o filme

É realmente impressionante, sob qualquer ângulo, a cinebiografia desse brasileiro

O Brasil é um país de grandes líderes religiosos, não é mesmo? De cabeça, poderia citar alguns, agora: Bispo Edir Macedo, Missionário David Miranda, Dom Paulo Evaristo Arns, Mãe Menininha do Gantois, Padre Marcelo, Chico Xavier e Divaldo Pereira Franco, dentre muitos outros, notórios, de várias denominações religiosas, alguns desses com sua trajetória já retratada no cinema. Falo isso por ter visto, esta semana, o filme “Divaldo - O Mensageiro da Luz”.


Em primeiro lugar, é óbvio, mas não custa dizer, todos os kardecistas e simpatizantes têm de assistir a esse filme que, para tais, é imperdível. Em segundo, que é realmente impressionante, sob qualquer ângulo, a cinebiografia desse brasileiro. Através dela, podemos ver por que Divaldo Franco é a liderança espiritual que é, figura incontestável como benemérito, orador, escritor e médium. E, em terceiro, como se trata de um religioso kardecista, não podemos deixar de lembrar, a propóstito, da cinebiografia de Chico Xavier - 2010, direção de Daniel filho.

Esse, inclusive, aparece no filme, claro. Divaldo, 17 anos mais novo (Chico nasceu em 1910 e ele em 1927), no começo de sua vida religiosa escreve uma carta para Chico, que o chama para um encontro. Deseja trabalhar na casa espírita do médium, que lhe diz: "Nós somos dois postes de luz, devemos ficar separados, iluminando locais diferentes". Não é spoiler, pois isso está no trailer de divulgação.

O filme centra nas fases iniciais da vida e da atuação religiosa e caridosa de Divaldo, ou seja, em sua iniciação, formação e consolidação enquanto médium e espírita kardecista, deixando de lado todo o período posterior de décadas de trabalho na Mansão do Caminho, obra social que mantém em Salvador, atendendo ao ditame de prática de caridade próprio da doutrina de sua fé.

O Kardecismo surgiu na França, na década de 1850, através do trabalho de Alan Kardec, que codificou a Doutrina Espírita, lançando cinco livros até 1868. Atualmente, possui cerca de 15 milhões de adeptos no mundo, quatro milhões destes no Brasil, segundo o Censo do IBGE de 2010. Assim, o Brasil é o país com maior concentração de kardecistas declarados, sendo este o terceiro maior contingente religioso nacional, com 2% de adeptos, percentualmente abaixo de católicos (65%), protestantes (22%) e sem religião (8%) e acima de Testemunhas de Jeová (0,7%) e cultos afro-brasileiros (0,3%), como Candomblé e Umbanda.