OPINIÃO | Sobre a greve dos servidores estatais, sobretudo do Magistério

Cinco anos de salários parcelados não foram suficientes para unir uma classe contra os governos

Por Portal de Notícias 26/11/2019 - 09:06 hs
Foto: Marcos Freitas / Reprodução Internet
OPINIÃO | Sobre a greve dos servidores estatais, sobretudo do Magistério
Mobilização de professsores em Charqueadas

Junior Dihl (*)


Quando Tarso era governador não atrasava salário, muito por conta dos recursos oriundos de depósitos judiciais, mas também pela política de não atrasar salário de quem faz a máquina funcionar. Isso faz dele melhor que os dois últimos? Claro que não. Basta lembrar que ele aumentou o piso salarial, mas nunca pagou o valor estipulado pelo seu próprio governo. Sem contar que do Concurso que fez chamou a maioria dos classificados no final de sua gestão, a serem mantidos pelo próximo governador.

Diante disso e na clara intenção de culpar o PT e Tarso pela quebra do Estado, como se o MDB nunca houvesse governado o RS, Sartori lança seu Secretário de vocabulário rico, Feltes, logo no início do mandato dar a notícia do parcelamento dos salários. Caos total, terrorismo e incertezas que se arrastaram por quatro anos. Somados a fechamento de escolas, falta de professores e estruturas precárias.

Não bastando tamanha soberba ao dizer que era necessário tudo isso, sem cortar na própria carne, ou seja, baixar os vencimentos de deputados, secretários, e outros cargos, o MDB e Sartori lançam a celebre "O gringo tá certo", tentando convencer que precisariam de mais quatro anos para colocar o Estado nos trilhos.

Nisso vem correndo da Zona Sul o tal Eduardo Leite. Cheio de gás, juventude, pensamentos e ideias novas (só que não), e leva a eleição no rosto bonitinho e nas palavras doces. Ignorando o fato de o PSDB ser amplamente debatido a nível federal, assim como MDB e PT, extremamente envolvido em uma série de lambanças, Leite seria a solução. E há quem se espante pelos seus desmandos, como se fosse algo novo seu partido atacar os servidores públicos.

O mais surreal é que vejo pessoas defenderem ainda o seu antecessor, alegando que ele tava certo, e o antecessor do gringo, alegando que ele era o modelo ideal. Portanto, apenas para me solidarizar aos colegas de profissão neste momento de quebra total de uma classe, classe que tem como objetivo formar todas as outras, reafirmo que Eduardo Leite só está finalizando (ou começando) os desmontes dos seus antecessores.

Não justifico, nem o defendo, pelo contrário, enfatizo que a luta demorou para começar. As greves demoraram para vir. Cinco anos de salários parcelados não foram suficientes para unir uma classe contra os governos. Agora que se ajeitaram e conseguiram votar seus projetos, com o intuito de amenizar as contas públicas, de Estado Mínimo, alguns profissionais resolveram se mexer. Sim, alguns, talvez até a maioria, enquanto muitos não vão aderir, de novo.

É uma luta quase que desanimadora, mas ainda assim uma luta limpa. Não sou funcionário do Estado, mas me sinto preso e triste aos professores que sofrem nas mãos de gestores sem compaixão e qualquer senso humano. E a luta desanima porque muitos seguem a defender quem os ofende em projetos como estes que afetam tanto os servidores, com a desculpa de que o Estado não arrecada enquanto se perdoa dívidas milionárias de impostos ou incentivos.

Mas, óbvio, esta é apenas a minha visão dos fatos.

(*) Pedagogo, poeta, escritor e músico - Charqueadas