Charqueadas: cancelado o julgamento dos nove acusados da morte de Ronei Jr.

A pedido da defesa, o processo será cindido e os três primeiros acusados serão julgados em janeiro

Por Portal de Notícias 18/11/2019 - 10:49 hs
Foto: Divulgação
Charqueadas: cancelado o julgamento dos nove acusados da morte de Ronei Jr.
Julgamento seria realizado no salão social da Afaço

Inicialmente marcado para esta segunda-feira (18/11), o Tribunal do Júri dos nove acusados da morte de Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro Júnior, ocorrida em 1º de agosto de 2015, foi cancelado e o processo será cindido em três partes.  O pedido de postergar o julgamento foi feito pela defesa de um dos réus e aceito, em consenso, entre a juíza Greice Pinz, acusação e as demais defesas, para que o júri  não seja muito prolongado, já que a previsão era de quatro a cinco dias para conclusão. Ainda não foram definidas as novas datas, masos três primeiros acusados deverão ser julgados em janeiro de 2020 e os demais em abril.Os réus já estavam no salão social da Afaço, em Charqueadas, onde ocorreria o julgamento, mas já foram recolhidos novamente ao Presídio Central.

Segundo o promotor de Justiça, Marcio Abreu da Cunha, o pedido de adiamento foi solicitado porque o advogado de um dos réus recém assumiu o caso e alegou precisar de mais tempo para se atualizar dos fatos processuais.
— Nós aceitamos (o pedido de adiamento) afim de que não haja qualquer alegação de nulidade de cerceamento de defesa. Nós anuímos com o adiamento e a cisão. As defesas concordaram que os réus sigam presos até o julgamento— explicou.
O jovem Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro Júnior, de 17 anos, morreu após ser espancado na saída de uma festa, em agosto de 2015. Os réus são Peterson Patric Silveira Oliveira, Jhonata Paulino da Silva Hammes, Vinícius Adonai Carvalho Da Silva, Leonardo Macedo Cunha, Alisson Barbosa Cavalheiro, Volnei Pereira De Araújo, Matheus Simão Alves, Geovani Silva de Souza e Cristian Silveira Sampaio. Eles respondem por homicídio qualificado (por meio cruel e com recurso que dificultou a defesa), associação criminosa e corrupção de menores. Além disso, são acusado por outras três tentativas de homicídio qualificado, já que agrediram, também, o pai da vítima, Ronei Wilson Faleiro, e um casal de amigos.

Há um décimo adulto acusado de envolvimento nos crimes. Ele foi denunciado depois dos demais e seu caso é apurado em outro processo, que deve ir a júri depois de respostas a recursos.
O Ministério Público (MP) apontou, ainda, a participação de sete menores no crime. Quatro deles receberam medida socioeducativa de internação por três anos, prazo máximo estabelecido no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Os outros três foram absolvidos.
Serão ouvidas, além das três vítimas e dos réus, 22 testemunhas, 18 de acusação e quatro de defesa. Durante a instrução do processo, quase 40 pessoas foram ouvidas.
Em função da quantidade de pessoas envolvidas e do espaço pequeno no Foro de Charqueadas, a juíza Greice Moreira Pinz, da 1ª Vara, escolheu o salão social da Associação dos Funcionários da Aços Finos Piratini (Afaço) para realizar a sessão do júri que ocorreria hoje. Ela esperava que o julgamento durasse quatro ou cinco dias. Esse foi o motivo do adiamento.
O acesso ao local estava restrito aos envolvidos porque há conexão com outro processo que corre em segredo de justiça. Além disso, dois dos réus, que estão no Presídio Central, acabaram entrando para uma facção criminosa e a segurança foi reforçada no local do julgamento. Grupos de familiares dos réus estiveram em frente ao local do júri.
O promotor de Justiça, Marcio Abreu da Cunha, espera que as penas cheguem a mais de trinta anos devido aos agravantes de associação criminosa e corrupção de menores.

RELEMBRE O CASO


Era madrugada de sábado, 1º de agosto de 2015, e adolescentes estudantes do 3º ano da Escola Técnica Cenecista Carolino Euzébio Nunes, de Charqueadas, realizavam uma festa para angariar recursos para sua formatura, no Clube Tiradentes. Os estudantes saíam da festa quando uma briga, motivada por uma rixa entre grupos de jovens de Charqueadas e São Jerônimo, acabou tirando a vida do adolescente Ronei Jurkfitz Faleiro Júnior, de 17 anos. A esquina que por décadas foi o ponto onde a juventude se encontrava, ficou marcada como o local de uma das tragédias que mais chocou o país no ano de 2015.
Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro, o filho Ronei Wilson Jurkfitz Faleiro Júnior e um casal de amigos do rapaz sofreram agressões de um grupo de 14 pessoas. Segundo a denúncia, o pai da vítima deixou seu filho na festa no clube na noite de sexta-feira, 31 de julho, às 22h, com o combinado de buscá-lo às 5h do dia seguinte. Ao retornar para o local da festa, Faleiro ligou para o filho comunicando que estava chegando e foi avisado que aguardasse mais 15 minutos. Quando voltou a ligar para o filho, este perguntou sobre a possibilidade de dar carona a um casal de amigos, pois havia alguns problemas com eles. Em seguida, o pai foi até a porta do clube para buscar os três. Ao descer as escadas para entrar no carro, eles começaram a ser agredidos com garrafadas, socos e pontapés. As agressões resultaram na morte de Ronei Jr., que não resistiu aos ferimentos provocados por chutes, socos e garrafadas desferidas pelo grupo, que mais tarde se apurou serem todos integrantes do “Bonde Aba Reta”. O crime ocorreu porque o casal que acompanhava Ronei Júnior era morador de São Jerônimo.