Lei proíbe distribuição de canudinho plástico em São Jerônimo

Projeto de autoria do vereador Rodrigo Marcolin visa diminuição dos resíduos poluentes

Por Portal de Notícias 29/08/2019 - 13:25 hs
Foto: Reprodução / Internet
Lei proíbe distribuição de canudinho plástico em São Jerônimo
Em escala global, os canudos plásticos representam cerca de 0,4 % dos resíduos

Nesta semana, a Câmara de Vereadores de São Jerônimo aprovou o Projeto de Lei Legislativo 16/2019, de autoria do vereador Rodrigo Dornelles Marcolin, que proíbe da distribuição de canudos flexíveis plásticos descartáveis em restaurantes, bares, lanchonetes, quiosques e estabelecimentos similares, ou por ambulantes, no município de São Jerônimo.

Caso a lei seja sancionada pelo Executivo Municipal, os comerciantes terão o prazo de 12 meses para se adequarem à lei.
- Com esta iniciativa buscamos diminuir os canudos que acabam indo para as redes de esgoto, poluindo os rios e mares e prejudicando os animais aquáticos. Desta forma minimizaremos a quantidade de resíduos poluentes largados na natureza – diz o vereador.
A proibição não se aplica a canudos de papel ou de material biodegradável e aos casos de atendimento de pessoas com deficiência ou que estejam impossibilitadas temporariamente de sorver líquido sem a utilização de canudos.
Quem descumprir a legislação está sujeito à multa de três unidade fiscais municipais (UFM).

POR QUE O CANUDO?

Banir o consumo de canudos de plástico se estabeleceu como uma tendência praticamente irreversível. A importância do tema poluição ambiental é clara, mas fica a dúvida: por que exatamente o canudo plástico?
Longe de ser o principal problema quando o assunto é poluição por plásticos, o canudo funciona como uma "porta de entrada" para discussões mais profundas – e, por ser um item dispensável no consumo diário, pode ter um apelo mais significativo.
Os números impressionam: só nos Estados Unidos, mais de 500 milhões de canudos plásticos são utilizados diariamente, de acordo com uma pesquisa do governo. O Fórum Econômico Mundial relata a existência de 150 milhões de toneladas métricas de plásticos nos oceanos. Caso o consumo de plástico siga no mesmo ritmo de hoje, cientistas preveem que haverá mais plástico do que peixes no oceano até 2050.
Outro dado importante vem de uma pesquisa publicada pela revista científica Science em 2015. Pesquisadores descobriram que a humanidade gera um total de 275 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano - e um valor entre 4,8 milhões e 12,7 milhões de toneladas chega aos oceanos.
A expectativa dos ativistas é que, ao chamar a discussão para os canudos plásticos, os consumidores se conscientizem e deixem de utilizar outros materiais de uso único, como sacolas e garrafas - que são responsáveis por índices de poluição maiores.
Os resíduos plásticos nos oceanos são danosos para a vida animal. Um exemplo de fato que traz essa conscientização às pessoas foi um vídeo que viralizou em 2015. Ele mostra uma tartaruga marinha sofrendo enquanto um biólogo tenta retirar um canudo preso na cabeça do animal.

 


Além de causar danos físicos a animais, o plástico, quando nos oceanos, pode liberar elementos químicos, que são cancerígenos e podem causar distúrbios hormonais. Um estudo concluído recentemente descobriu ainda que o lixo plástico pode aumentar a imunidade de corais a doenças, causando sérios danos.
Em escala global, os canudos plásticos representam cerca de 0,4 % dos resíduos desse tipo de material. Segundo o Relatório de Limpeza Costeira de 2017 da Ocean Conservancy, o lixo mais comum encontrado nas praias são os cigarros, seguidos por garrafas plásticas, tampas de garrafas, envoltórios e sacolas.

Com informações da Época Negócios