COM VÍDEO | Menor se inspirou no massacre de Suzano para atacar escola em Charqueadas

Adolescente de 17 anos agiu para se vingar de um desafeto com quem teve problemas em 2015

Por Portal de Notícias 22/08/2019 - 00:59 hs
Foto: Carla Miller Trainini
COM VÍDEO | Menor se inspirou no massacre de Suzano para atacar escola em Charqueadas
Ataque ocorreu na tarde desta quarta-feira

Carla Miller Trainini
 

A ação premeditada de um atentado ocorrido no Instituto Estadual de Educação (IEE) Assis Chateaubriand, na Vila Aços Finos Piratini, chocou a população do município de Charqueadas, que viveu uma verdadeira tarde de pânico nesta quarta-feira (21).
Um adolescente de 17 anos invadiu a sala do sétimo ano, no início das aulas, e feriu seis alunos com golpes de machadinha, no momento em que a turma fugia quando ele tentou atear fogo na sala com um coquetel molotov.
O atentado foi comparado ao massacre ocorrido na cidade de Suzano, no estado de São Paulo, em março deste ano, que segundo o delegado Marco Schalmes, da Delegacia de Polícia (DP) de Charqueadas, foi o estopim para que o ato fosse cometido pelo adolescente.
Graças à rápida ação do professor de Educação Física, Juliano Rocha Mantovani, que conseguiu tomar a machadinha do adolescente, nenhum aluno ficou gravemente ferido.

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O menor infrator foi apreendido pela Brigada Militar cerca de duas horas depois do ocorrido e, depois de prestar depoimento, foi recolhido para a Fundação de Atendimento Sócio-Educativo do Rio Grande do Sul (Fase), onde ficará por pelo menos 45 dias, podendo este prazo ser estendido por até três anos ao final do processo, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A gravidade da situação fez com que o vice-governador e secretário de Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior, o subchefe de Polícia, Fábio Motta Lopes, o secretário estadual de Educação, Faisal Karam, e o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Mário Yukio Ikeda, se deslocassem ao município para prestar solidariedade e se colocar à disposição para o que fosse preciso.

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O agressor, identificado como ex-aluno da escola, estava com o rosto coberto no momento do atentado, mas foi reconhecido na delegacia pelas vítimas e pelo professor que conseguiu detê-lo. Ele foi ouvido na presença da promotora da Infância e Juventude da Comarca de Charqueadas, Daniela Fistarol, confessou o atentado, deu detalhes de como foi o planejamento e explicou se tratar de um plano de vingança contra um desafeto do passado.
- Ele alega ter estudado nessa escola até o ano de 2015 e lá ter criado esse desafeto. Em princípio também se trata de um adolescente que estamos tentando identificar. Relatou brigas anteriores e que planejou a ação durante alguns meses e hoje foi com a intenção de matá-lo na escola. Ele estava de posse de coquetel mototov, cordas e uma machadinha. A ação foi inspirada no caso Suzano, inclusive utilizou um instrumento idêntico àqueles indivíduos. O adolescente infrator agiu sozinho e não tem nenhuma passagem pela polícia. Ele não conseguiu matar ninguém graças à ação heroica do professor Juliano. Com certeza, se não houvesse a ação do professor, nós teríamos alguma vítima fatal – disse Schalmes sobre o depoimento dado pelo agressor, que se trata de um jovem que não apresentava nenhuma característica que pudesse demonstrar suspeita e que isso teria facilitado seu ingresso na escola.

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MENOR FOI ENCONTRADO NA CASA DO PAI

De acordo com o comandante do 28º Batalhão de Polícia Militar (28º BPM), tenente-coronel Maurício Campos Padilha, as informações que levaram ao adolescente foram repassadas por um casal que o avistou correndo e acionou a polícia. Eles disseram que conheciam o infrator e sabia onde ele residia. Neste momento iniciou-se a investigação do Setor de Inteligência do 28º BPM, que contou com o apoio do Comando Centro Sul.
- Posterior ao ato, os policiais que estavam em frente à escola foram procurados por um casal, que relatou onde morava esse adolescente. A partir daí nós fizemos uma operação com o nosso serviço de Inteligência, juntamente com o serviço de Inteligência da Região Centro Sul. – relatou Padilha.

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Após dois deslocamentos em busca do adolescente, a apreensão ocorreu na casa do pai.
- O adolescente é filho de pais separados. A Brigada foi até a residência da mãe e não o encontrou. Posteriormente, houve outra informação de que ele estava na casa do pai e nesse momento foi efetuada a apreensão. Depois do ataque, ele foi para a casa da mãe, trocou de roupa e se dirigiu à casa do pai, onde foi encontrado. Conversando na DP com o seu pai, que colaborou com a Brigada Militar, o que ele relatou é que o adolescente é um menino tranquilo e tem o costume de acessar as redes sociais, nada mais. Não confirmou que sofria algum tipo de bullying e que se tratava apenas de uma desavença na escola - concluiu Padilha, informando que o adolescente não esboçou nenhuma reação durante todo o procedimento.

MENOR FOI INTERNADO NA FASE

Após o depoimento das vítimas e do menor infrator, a promotora Daniela Fistarol representou junto ao Juizado da Infância e Juventude da Comarca pela internação provisória do adolescente. Ela acompanhou o depoimento e relatou que ele levava sua irmã para a escola para poder acompanhar a rotina de seu desafeto.
- Ele disse que hoje chegou e sentou no banco em frente à escola e ficou aguardando a entrada para ver para onde o desafeto iria. No momento em que o desafeto entrou em sua sala, ele o perdeu de vista, não viu em que sala foi, então entrou na primeira que viu. Antes de entrar, jogou o coquetel, acionou o fogo e quando os alunos começaram a querer sair, ele relatou ter ficado irritado. Foi quando puxou o machadinho e começou a bater nos que estavam tentando sair – explicou Daniela.
Ainda segundo a promotora, a ideia era cometer o crime e depois tirar a própria vida.
- Ele disse que a intenção era matar esse rapaz e que depois ele usaria a corda para se enforcar, mas não chegou a dizer se iria se matar dentro ou fora da escola – disse a promotora ao informar que o suposto desafeto não prestou depoimento porque não foi identificado.
Segundo ela, só foi informado um apelido e apenas que já tinham estudado juntos no quinto ano do Ensino Fundamental, quando o adolescente infrator teria apanhado deste desafeto.
Segundo a irmã de uma das vítimas, o adolescente teria dito à polícia que havia apanhado de alguém que ele identificou apenas por um apelido, que sofria bullying e racismo e estes teriam sido os motivos da tentativa de homicídio. A informação não foi confirmada pela polícia, que relatou se tratar de um crime cometido por vingança.

MANIFESTAÇÕES OFICIAIS

Na tarde desta quarta-feira, diversos órgãos e instituições emitiram notas a respeito do acontecimento. Confira:

PREFEITURA DE CHARQUEADAS
 “A Administração Municipal, através da Secretaria da Educação, vem por meio desta Nota Oficial informar que as escolas municipais seguirão com a programação de aulas.
Infelizmente nosso município foi alvo de um atentado nesta quarta-feira, 21, no Instituto Estadual de Educação Assis Chateaubriand.
O autor do ato foi detido pela Brigada Militar e encaminhado à Delegacia de Polícia horas depois do crime. Dito isso, salientando que o que aconteceu foi um fato isolado e reforçando o compromisso da Administração com a educação, as aulas seguirão o seu curso normal.
O Prefeito Municipal, Simon Heberle de Souza, esteve no Instituto após tomar conhecimento do fato e junto aos representantes do Governo do Estado assegurou que as vítimas, seus familiares, professores e comunidade escolar poderão contar com os aparelhos municipais e estaduais para acompanhamento no que for necessário.
Simon reforça, ainda, o apreço pelos órgãos de Segurança Pública e agradece o empenho das equipes da Brigada Militar, Corpo de Bombeiros Voluntários de Charqueadas, Corpo de Bombeiros de São Jerônimo, Polícia Civil, Instituto Geral de Perícias, Ministério Público e Agentes da Susepe que se empenharam em encontrar e deter o infrator num curto período de tempo, sem que representasse mais perigo à sociedade. Também cabe ressaltar a iniciativa heroica do Professor Juliano Mantovani que desarmou o indivíduo e evitou que algo mais grave acontecesse.
Por fim, agradecendo ao Governador em Exercício, Ranolfo Vieira Júnior, por se deslocar para Charqueadas o mais breve possível, a Administração agradece também a todos que contribuíram para o desfecho positivo de toda a ação.
Sendo assim, desejamos que fatos como este não mais aconteçam, não somente em nossa cidade, mas em nenhum lugar do mundo”.

MINISTRO DA EDUCAÇÃO
“O ministro da Educação, Abraham Weintraub, se solidariza com as vítimas e repudia o ataque criminoso ocorrido na tarde de hoje, dia 21, contra alunos e professores do Instituto Estadual Educacional Assis Chateaubriand, em Charqueadas (RS). O ministro parabeniza o ato heróico do professor, que não hesitou em proteger os alunos, e também a Brigada Militar e demais envolvidos na apreensão do autor do ataque”.

EQUIPES DIRETIVAS DAS ESCOLAS ESTADUAIS DE SÃO JERÔNIMO
Diretores das escolas Dr. José Athanásio, Alcides Conter, Carlos Alfredo Simch, Castro Alves, Thomas Alva Edson, Núcleo de Educação de Jovens e Adultos e Cultura Popular Julieta Villamil Balestro, Barão do Jacuí e I.E.E. São Jerônimo também se manifestaram quanto ao ocorrido em Charqueadas:
“Nos solidarizamos com a comunidade da Escola Assis Chateaubriand de Charqueadas pelo triste fato ocorrido no dia 21 de agosto de 2019.Esperamos que seja elaborado um pacote de segurança para todas escolas estaduais, que como é sabido, encontram-se desprotegidas de recursos humanos para vigilância em nossos ambientes de formação de crianças, adolescentes, jovens e adultos.
Por: Jefferson da Silva Borges, Maria Cristina F.  Noronha, Marley da Silva Junqueira, Maria Rejane Corrêa de Castro, Adriana Pradella, Honorina Porto, Maria da Glória Franco e Ricardo Baptista Moreira”.

HOSPITAL DE CHARQUEADAS
O Hospital de Charqueadas emitiu uma nota sobre a situação dos feridos. “Seis jovens, alunos do Instituto Estadual Educacional Assis Chateaubriand, de Charqueadas, foram atendidos no Hospital de Charqueadas, após serem atacados com golpes de machadinha por um homem na escola, na tarde desta quarta-feira (21). São quatro meninas e dois meninos, entre 12 e 14 anos, e todos já foram liberados. Todos os estudantes apresentaram ferimentos superficiais e nenhum necessitou de realização de cirurgia”, diz a nota.

GOVERNO DO ESTADO

O governo do Estado do Rio Grande do Sul acompanha com máxima atenção o fato criminoso ocorrido no início da tarde desta quarta-feira (21/8), no Instituto Estadual Educacional Assis Chateaubriand, em Charqueadas, na Região Carbonífera.
Restaram feridos quatro estudantes, com idades entre 12 e 13 anos, mas nenhum com gravidade. Dois deles sofreram lesões e outros dois, escoriações. Os quatro foram atendidos no hospital do município e liberados. Outras duas alunas sofreram desmaios e também foram atendidas. Todos serão ouvidos pela Polícia Civil e passarão por exames de corpo de delito.
O Instituto-Geral de Perícias (IGP) também periciou a sala onde ocorreu o fato. Embora as vítimas não tenham sido feridas com gravidade e estejam fora de perigo, o governo reforça extrema preocupação com o ocorrido e não medirá esforços para esclarecer os fatos e responsabilizar os culpados.
A escola atende cerca de 700 alunos dos ensinos Fundamental, Médio e Técnico e funciona nos três turnos (manhã, tarde e noite). A apuração inicial do fato aponta que o agressor ingressou na escola portando uma machadinha e líquido inflamável em recipientes em uma mochila.
Ele tentou atear fogo em uma sala do 7º ano do Ensino Fundamental e, na sequência, desferiu golpes contra estudante, no que foi impedido por um professor. Depois, fugiu do local. Um adolescente de 17 anos foi apreendido horas após o ataque e, ouvido pela Polícia Civil, confessou o crime. Ele é ex-aluno da escola. Promotores de Justiça do Ministério Público Estadual também acompanham a investigação.
O governador Eduardo Leite, que estava em viagem ao Uruguai, foi imediatamente avisado. O vice-governador e secretário da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior, o secretário da Educação, Faisal Karam, o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Mario Ikeda, e o subchefe da Polícia Civil, delegado Fábio Motta Lopes, foram ao município para acompanhar a apuração dos fatos e prestar todo o apoio necessário aos alunos, familiares e comunidade escolar. A Secretaria da Saúde do Estado fez contato com Secretária da Saúde de Charqueadas colocando-se à disposição para auxiliar no que for necessário.


RESUMO DO CASO