“Posso dizer que ouvi os gritos das minhas filhas”, diz professor que desarmou agressor em Charqueadas

Professor Juliano Rocha Mantovani tirou a machadinha do adolescente e impediu que mais alunos fossem feridos

Por Portal de Notícias 21/08/2019 - 21:52 hs
Foto: Carla Miller Trainini
“Posso dizer que ouvi os gritos das minhas filhas”, diz professor que desarmou agressor em Charqueadas
Professor Juliano Rocha Mantovani

Carla Miller Trainini

O ataque no Instituto Estadual de Educação Assis Chateaubriand, em Charqueadas, na tarde desta quarta-feira ( 21), teve um herói improvável. O professor de educação física Juliano Rocha Mantovani, 39 anos. Foi ele quem conseguiu desarmar o autor do ataque e impedir que mais alunos ficassem feridos. Mantovani conversou com o Portal de Notícias após prestar depoimento na Delegacia de Polícia.

Segundo o professor, o ataque ocorreu nos primeiros períodos do turno da tarde. “Eu desci com a minha turma para realizar a Educação Física na quadra da escola, que é um pouco mais abaixo de onde tudo aconteceu. Deixei meus alunos lá e tive que subir de volta para a sala dos professores para buscar outro material e no caminho passei por onde tudo estava acontecendo”, disse.
Quando ouviu a explosão do coquetel molotov, Mantovani pensou tratar-se de um curto-circuito nos disjuntores da escola, mas ouviu os gritos das crianças e conseguiu visualizar o agressor desferindo os golpes com a machadinha. “Poxa, eu sou pai de duas crianças e eu tenho a certeza que qualquer pai teria feito a mesma coisa. Então eu fui literalmente cego para cima dele e consegui pegar a machadinha de sua mão e a garrafa de gasolina que tinha na outra mão”, explicou.
Neste momento, Mantovani se desequilibrou e caiu, dando tempo do agressor fugir. “Eu até saí atrás dele, mas ele conseguiu escapar porque correu muito mais rápido que eu. Quando ele pulou o portão, os outros alunos vieram gritando ‘professor, os alunos estão sangrando’ e eu desisti de perseguir e voltei para ajudar as crianças”, revela.

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De acordo com Mantovani, o agressor demonstrava estar assustado e não tinha um sentimento de fúria. “Tanto é que quando eu consegui tirar a machadinha da mão dele, ele não esboçou nenhuma reação contra a minha pessoa. Ele se assustou e decidiu sair correndo”.
O adolescente que realizou o ataque foi aluno da escola e também teve aulas com Mantonvani. “Nunca apresentou nenhum comportamento estranho. No período em que ele estudava comigo, nas minhas aulas, nunca tivemos nenhum problema com ele”, disse o professor, que só reconheceu o agressor mais tarde, porque na hora ele estava de capuz e foi tudo muito rápido. Ele ficou totalmente em silêncio, não disse nada em nenhum momento.
“O pessoal tem comentado ‘ah, o senhor foi um herói’. Herói, não. Eu sou pai de duas crianças e quando eu ouvi os gritos, posso dizer que ouvi os gritos das minhas filhas. Eu fui mesmo na intenção de simplesmente salvar eles. Nessas horas a gente não pensa na nossa vida e sim na vida dos nossos alunos, que são nossa responsabilidade dentro da escola”, finaliza.

INTERNAÇÃO

A promotora de Justiça da Infância e da Juventude de Charqueadas, Daniela Fistarol, representou junto ao Juizado da Infância e Juventude da Comarca pela internação provisória do adolescente de 17 anos apreendido pela Brigada Militar. Durante depoimento à Polícia Civil e Promotoria de Justiça, ele confessou que feriu os estudantes com golpes de machadinha e uso de coquetel molotov para tentar incendiar uma sala de aula do Instituto Estadual de Educação Assis Chateaubriand.








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