Marcio Pilger classifica como fake news tentativa de associar seu nome a denúncias contra Paulo Pimenta

Entre textos e prints das prestações de conta de verbas de gabinete, blogueiro usa Twitter para relacionar o ex-vereador e sua esposa a gastos do deputado federal

Por Portal de Notícias 16/07/2019 - 10:51 hs
Foto: Banco de Dados
Marcio Pilger classifica como fake news tentativa de associar seu nome a denúncias contra Paulo Pimenta
Pilger foi assessor do deputado federal Paulo Pimenta

Carla Miller Trainini

Com a hashtag “#AListaNegra”, um perfil em nome de Helton Oliveira, do Rio de Janeiro, denuncia no Twitter supostas irregularidades políticas ocorridas em todo Brasil. Uma de suas  threads (sequência de tweets) feita há alguns dias diz respeito ao deputado federal Paulo Pimenta (PT), que é investigado por estelionato no Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2012.

Entre textos e prints das prestações de conta das verbas de gabinete do deputado, o perfil menciona a relação com os jeronimenses Márcio Pilger - ex-vereador e candidato a prefeito de São Jerônimo no último pleito - e sua esposa Rochele Chananeco de Souza. Ambos foram assessores do parlamentar.
A associação é feita a partir de uma empresa em nome de Pilger e da esposa, que recebeu o montante de R$21.600,00 de verbas parlamentares para prestação de serviços em fevereiro e maio deste ano. Além disso, o perfil também menciona o cargo de presidente da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa), dado a Pilger em abril de 2013, e tenta associar a nomeação com supostas irregularidades cometidas por Pimenta envolvendo uma arrozeira de São Borja denunciadas em reportagem da RBSTV.
Em entrevista para o Portal de Notícias, Pilger diz se tratar de fake news e diz que os fatos foram “divulgados maldosamente com uma conotação pejorativa”. Além disso, não desmente que possui uma empresa em sociedade com a esposa, alegando ter prestado serviços para empresas privadas. Quanto ao contrato com o deputado Paulo Pimenta, não deu detalhes sobre o trabalho realizado, dizendo apenas se tratar ser de “domínio e uso do gabinete do parlamentar”.
Confira os esclarecimentos prestados por Pilger sobre as informações divulgadas pelo perfil e que se espalharam pelas redes sociais, no que diz respeito ao envolvimento de seu nome.

ENTREVISTA - MÁRCIO PILGER

Portal de Notícias - Cada parlamentar tem legalmente suas verbas de gabinete para gastar, mas é preciso prestar conta de cada uma delas. Com relação ao deputado federal Paulo Pimenta, consta que houve um gasto de R$ 12.700,00 no mês de fevereiro deste ano, destinados a uma empresa chamada Connecting People Gestão Administrativa e Financeira Ltda que, conforme a denúncia de Helton Oliveira em sua conta do Twitter se trata de uma empresa em sociedade entre o senhor e sua esposa, Rochele Chananeco de Souza. Ainda conforme a prestação de contas, esse montante teria sido pago para prestar serviço de ‘consultorias, pesquisas e trabalhos técnicos. Que serviços são esses?
Marcio Pilger - Primeiramente gostaria de agradecer o espaço para que eu consiga dar a maior transparência aos fatos ocorridos, divulgados maldosamente com uma conotação pejorativa. Tenho uma vida pública que se encerrou dia 31 de dezembro de 2016. Desde então atuamos na criação de uma empresa que trabalhou intensamente na iniciativa privada, executando um contrato em 2017, e mais dois em 2018 para empresas exclusivamente privadas. Sou pós-graduado e com experiência de mercado suficiente para atuar tanto na iniciativa privada quanto na esfera pública.
Nos causa estranheza o fato de um “fake” ou “boatos” tornarem notícias do Portal (de Notícias), mas como em 2015, às vésperas das eleições municipais, fui alvo de uma dezena de denúncias onde todas foram julgadas improcedentes, temos a impressão de ver uma reedição de denúncias vazias em virtude do calendário eleitoral, aonde alguns tentam tirar uma “casquinha” de tais boatarias.
É mister destacar que aqui não se trata de uma denúncia, e sim, de um sujeito não identificado (ainda) que relata serviços prestados à Câmara dos Deputados, amplamente divulgado nos canais de transparência, porém com um ofensivo tom de criminalidade. Portanto, não há nenhuma denúncia. Quanto aos serviços prestados, reiteramos que todos os dados exigidos pela legislação estão nitidamente expostos nos canais de transparência no site da Câmara dos Deputados. Quanto ao trabalho específico, ele é de domínio e uso do gabinete do parlamentar.

Portal de Notícias - Dando sequência às prestações de conta do deputado, consta em maio novamente outra nota fiscal no valor de R$ 8.900,00, contratando a empresa Connecting People Gestão Administrativa e Financeira Ltda para "elaboração de plano de trabalho para ampliação das ações de divulgação da atuação do parlamentar nas redes sociais". O senhor poderia detalhar que trabalho é esse?
Marcio Pilger - Todas as informações exigidas pela legislação estão no site da Câmara dos Deputados, prezamos pela maior transparência. Quanto às informações dos estudos que realizamos, estes são de uso do gabinete parlamentar.

A DENÚNCIA CONTRA PIMENTA


Trecho de uma reportagem do Portal G1, publicada em 20 de janeiro deste ano, com o título ‘Primo de Paulo Pimenta acusa o deputado de operar esquema de fraude na fronteira do RS: “O primo do deputado federal Paulo Pimenta (PT) acusou o parlamentar de operar um esquema de fraude na fronteira do Rio Grande do Sul. Em entrevista à RBS TV, o médico veterinário Antônio Mário Pimenta, o Maíco, diz que o deputado era operador de um sistema que lesou produtores rurais da cidade de São Borja em pelo menos R$ 12 milhões. Arrozeiros do município alegam ter sofrido o golpe após vender a produção para uma arrozeira. Entregaram os cereais, mas não receberam o pagamento. O agropecuarista Odon Motta dos Santos foi atrás do administrador da empresa, o veterinário Antônio Mário Pimenta e ouviu que o verdadeiro dono era o primo de Maíco, o deputado federal Paulo Pimenta”... “Apesar das dificuldades em tocar o negócio, Maíco diz que, algumas vezes, a arrozeira chegou a dar lucro. E que fez transferências bancárias e depósitos em dinheiro na conta de um posto de gasolina que pertence ao deputado, que fica na Zona Norte de Porto Alegre. Avaliado em R$ 485 mil, a empresa aparece na relação de bens de Paulo Pimenta, declarada à Justiça Eleitoral. Em 2014, fez doação de R$ 15 mil para a campanha do petista”.

Portal de Notícias - O deputado federal Paulo Pimenta é investigado por estelionato no Supremo Tribunal Federal desde 2012. Com relação a esta afirmação, em outro trecho da denúncia feita por Helton Oliveira, ele menciona a sua passagem como presidente da Cesa, em abril de 2013. Comenta-se, inclusive, que o senhor trabalhou no referido posto de gasolina de propriedade do deputado por algum tempo. É verdade? Que serviço prestava, exatamente? O que o senhor tem a dizer sobre essa relação do seu nome às denúncias contra o deputado Paulo Pimenta?
Marcio Pilger - Não temos nenhuma relação processual na denúncia citada. O processo, ao que me consta, data de 2009, onde o próprio deputado foi o denunciante para que se averiguasse a boataria. Não precisa ser nenhum gênio para notar que o processo antecede quatro anos da minha nomeação na Cesa, a qual não tem nenhuma relação com os fatos ocorridos e sequer tem unidade na cidade de São Borja. É repugnante tentar vincular nossos nomes em uma questão que existe um processo e que sequer temos uma citação. As demais questões são estritamente de relações comerciais privadas.
Enquanto gestor público, fiz a gestão de mais de R$ 150 milhões, dos quais todos auditados por vários órgãos de controle que nunca apontaram nenhuma irregularidade relevante envolvendo o erário público. Por fim, reitero que os dados referentes às questões públicas estão nos portais de transparência. Estamos procurando todos os nossos direitos para que nossa história não seja contada pelas tortas linhas de alguns mal intencionados que misturam suas ideologias com um debate pessoal. Não vamos nos privar de buscar a reparação de todos os danos gerados. Conseguimos, na relação política com o deputado, milhões de reais para a região e meia dúzia de “frustrados” que não contribuem em nada com a cidade/região, tentam de forma rasteira atingir a vida de nossa família.

O QUE ELE DISSE


“Segue a publicação do jornal o Globo, de 16 de julho deste ano, noticiando que o mesmo autor do vídeo é figura conhecida no meio da “fake news” e que tentando atingir o alvo que seria o deputado, passa por cima da história de famílias que construíram vidas em nossa cidade”. - Marcio Pilger, ex-vereador e candidato a prefeito de São Jerônimo no pleito de 2016