Anvisa aprova primeira imunoterapia para câncer de mama no Brasil

A técnica, que já havia mostrado ser efetiva para tratar cânceres de mama agressivos, chega ao país para tratar especificamente cânceres de mama triplo-negativos

Por Portal de Notícias 21/05/2019 - 22:18 hs
Foto: Banco de Dados
Anvisa aprova primeira imunoterapia para câncer de mama no Brasil
A técnica estimula as células defensoras do próprio organismo contra doenças

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a primeira imunoterapia para tratar pacientes com câncer de mama, de acordo com publicação no Diário Oficial da União do dia 13, segundo informou o UOL.
A técnica, que já havia mostrado ser efetiva para tratar cânceres de mama agressivos, chega ao país para tratar especificamente cânceres de mama triplo-negativos na fase metastática da doença.

O QUE É IMUNOTERAPIA?

A imunoterapia faz uso de anticorpos monoclonais para estimular o sistema imunológico. Em outras palavras, a técnica estimula as células defensoras do próprio organismo contra doenças. Nesse caso, as drogas não visam as células do tumor, e sim as células de defesa do organismo, a fim de que elas detectem e combatam a doença. A aplicação se dá de forma intravenosa (na veia), fazendo com que as células cancerosas --que têm o "poder" de enganar o mecanismo de defesa do organismo -- sejam percebidas e combatidas. Os riscos e efeitos colaterais são poucos, e todos resultam da ativação imunológica do corpo. Isso significa que as células de defesa podem atacar partes do próprio organismo, comprometendo órgãos e tecidos. Alguns dos problemas comuns são alterações gastrointestinais, endócrinas e na pele.

ESTUDO COMPROVA EFICÁCIA DO TRATAMENTO

Um estudo publicado na revista científica The New England Journal of Medicine no ano passado, demonstrou que, quando administrada em conjunto com quimioterapia, a técnica pode aumentar a sobrevivência e interromper o crescimento do tumor em pacientes --uma redução de 38% no risco de progressão ou morte e ganho de 10 meses de sobrevida.
De acordo com Carlos Barrios, médico brasileiro que participou da pesquisa, a aprovação é um grande passo para o tratamento no país e deve ser encarada como prioridade.
- As pacientes com triplo-negativo avançado ou metastático, estágio no qual a doença já passou para outros órgãos, têm um prognóstico difícil. Este tratamento aprovado pela Anvisa se torna o preferencial na prática clínica", explica o especialista, que é diretor do Centro de Pesquisa em Oncologia do Hospital São Lucas da PUC/RS e do Grupo Latino-Americano de Pesquisa em Oncologia Clínica (Lacog).