Projeto carboquímico da Copelmi pode dobrar de tamanho

A mineradora gaúcha e a norte-americana Air Products analisam a instalação de uma planta gaseificadora de 4,5 milhões de metros cúbicos de gás, com investimento de US$ 2,6 bilhões

Por Portal de Notícias 15/05/2019 - 09:44 hs
Foto: Gustavo Mansur / Palácio Piratini
Projeto carboquímico da Copelmi pode dobrar de tamanho
Seminário teve participação de especialistas de diferentes áreas

O projeto carboquímico que gaúcha Copelmi Mineração e a norte-americana Air Products pretendem desenvolver na região do Baixo Jacuí pode praticamente dobrar de tamanho. A possibilidade foi confirmada pelo diretor de novos negócios da Copelmi, Roberto Faria, que disse que o empreendimento está sendo revisado. Faria participou nesta terça-feira (14) do seminário “Novos aproveitamentos para o carvão mineral RS - Tecnologias inovadoras”, promovido pela Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (Sergs), no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre.
De acordo com Faria, inicialmente, estava previsto o investimento de US$ 1,5 bilhão para uma produção de cerca de 2,2 milhões de metros cúbicos de gás ao dia a partir do carvão, com um consumo de aproximadamente 3,5 milhões de toneladas do mineral ao ano. Agora, está em análise a instalação de uma planta gaseificadora de 4,5 milhões de metros cúbicos de gás, com investimento de US$ 2,6 bilhões e demanda de 7 milhões de toneladas anuais de carvão. Soma-se a esses recursos o aporte demandado para a operação da Mina Guaíba (situada em Eldorado do Sul e que fornecerá o carvão para o complexo carboquímico) na ordem de R$ 600 milhões.
A decisão sobre a expansão da iniciativa deverá ocorrer até julho. A Copelmi está testando o mercado e um fator que animou a mineradora foi a recente chamada pública aberta por cinco distribuidoras de gás que atuam nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste (entre as quais a gaúcha Sulgás). A chamada prevê a aquisição de um volume total de cerca de 10 milhões de metros cúbicos de gás natural ao dia. A Copelmi apresentou uma proposta nessa disputa, atrelada à questão da obtenção do licenciamento ambiental da Mina Guaíba e da planta carboquímica.

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O consultor da Chemvision, Manuel Quintela de Maia Loureiro também participou do evento. Segundo ele, o setor químico, no qual se insere a carboquímica, é um catalisador de desenvolvimento. A cada emprego criado no setor químico, são gerados mais seis em outras cadeias paralelas. Para Loureiro, a utilização do carvão como matéria-prima química é uma grande oportunidade para o Rio Grande do Sul.

Loureiro detalha que através da carboquímica é possível produzir insumos como gás sintético, ureia, amônia e metanol. O Rio Grande do Sul importa cerca de 1 milhão de toneladas de ureia ao ano e o Brasil, em 2018, trouxe do exterior 5,5 milhões de toneladas desse produto. Loureiro cita ainda que, como a carboquímica utiliza em seu processo de produção de insumos químicos gases resultantes do procedimento, como o CO2, o seu impacto ambiental é atenuado.

POLÍTICA E POTENCIAL

Estado concentra 89% das reservas brasileiras de carvão, o Rio Grande do Sul tenta tirar do papel o polo carboquímico. Por isso o potencial do mineral existente no solo gaúcho foi tema do seminário promovido pela Sociedade de Engenharia do RS (Sergs).
O Estado já tem uma política de incentivo ao uso diversificado do carvão e o projeto do polo carboquímico do Rio Grande do Sul, com dois complexos, um na Campanha e outro no Baixo Jacuí, ambos criados pela Lei n° 15.047, de 29 de novembro de 2017.
Estudos apontam que esse complexo carboquímico integrado deve proporcionar expansão de R$ 23,4 bilhões no PIB, R$ 3 bilhões em ICMS e gerar 7,5 mil empregos diretos e indiretos até 2042.
O presidente da Sociedade de Engenharia do RS, Luís Roberto Ponte, destacou que o potencial do carvão vai muito além do uso como combustível. As tecnologias avançaram bastante, tanto na mineração como na transformação do mineral, permitindo produzir gás natural e produtos químicos que o RS inclusive precisa, como o metanol, insumo da cadeia do biodiesel e da indústria química, e amônia e ureia, usados na indústria de fertilizantes. Todos esses insumos o Estado importa praticamente na totalidade para atender à demanda.
- Claro que precisamos pensar e ter responsabilidade com o ambiente e a sustentabilidade, mas, para isso, temos engenheiros que calcularão todos os riscos, além de órgãos como Fepam, que só emitirá licenças se tudo estiver regular, e de fiscalização, como Ministério Público. Todos garantirão a condução segura desse processo - afirmou Ponte.
O seminário teve quatro painéis, com especialistas de diversas áreas e até mesmo participações internacionais, que trouxeram exemplos de outros países e discutiram os desafios no RS.
O governador em exercício, Ranolfo Vieira Júnior representou o Executivo na abertura do evento.
- Não tenho dúvida sobre a importância desse tema no nosso cenário atual. Em razão disso, este seminário é extremamente relevante - afirmou.
Assim como o secretário do Meio Ambiente e Infraestrutura, Artur Lemos Junior, o governador Eduardo Leite está em agenda no exterior e gravou um vídeo de saudação aos participantes, que foi exibido na abertura.
“Nosso grande desafio é transformar esse precioso bem natural em emprego e receita de forma sustentável. Para isso, estamos conduzindo com grande responsabilidade e apoiando uma ampla discussão com a sociedade de que forma podemos gerar desenvolvimento socioeconômico sem comprometer o ambiente para as próximas gerações”, disse Leite na gravação.


Com informações do Jornal do Comércio e Governo do Estado