Jovem engenheiro trabalha com software inovador na região

Recém-formado em Engenharia Civil, Guilherme Berbigier explica como programa de modelagem evita desperdícios e otimiza o tempo de execução da obra

Por Portal de Notícias 17/01/2019 - 19:09 hs
Foto: Arquivo Pessoal
Jovem engenheiro trabalha com software inovador na região
Guilherme Berbigier

Carla Miller Trainini

A construção civil é uma das maiores indústrias do planeta, e como tal é responsável pela geração de milhões de empregos, contribuindo decisivamente para os avanços da sociedade. A tecnologia no setor vem evoluindo a cada dia e é um diferencial na busca da eficiência e produtividade. Segundo a Harvard Business Review (publicação da Harvard Business Publishing, que tem como principal objetivo a reflexão inteligente sobre as melhores práticas na gestão de negócios), um em cada seis projetos irá extrapolar os custos no orçamento em quase 70%.
Buscando alternativas de sanar os problemas de custos, a tecnologia empregada na construção civil é uma das melhores formas de mudar esse cenário. Mesmo que o setor ainda esteja resistente a algumas inovações, o futuro parece ser promissor e as empresas envolvidas já estão aderindo à tecnologia para transformar a produtividade dos projetos e aprimorar a execução de inúmeras etapas.
Entre as tantas tecnologias existentes no mercado, uma chamou atenção do charqueadense Guilherme Berbigier, que aos 22 anos é mais um jovem com a mente inquieta que chega ao mercado, com muito gás e vontade de fazer a diferença.
É um software chamado BIM (Building Information Modelling ou Modelagem da Informação da Construção) que, segundo explica, permite que seja criado um modelo digital inteligente da edificação, otimizando tempo e evitando desperdícios. É um método ainda pouco utilizado no Brasil. Surgiu há mais de dez anos e vem sendo implantado aos poucos nas empresas nacionais.
- Dizemos que a construção civil é uma indústria, mas na verdade não é. Ela continua utilizando processos e métodos muito arcaicos e está resistente na questão evolução. Porém, já despertou para tecnologias que permitem, por exemplo, o uso mais racional de tempo, material e mão de obra, pois agiliza e auxilia na gestão das várias frentes, tanto nas fases de projeto e orçamento, quanto na execução. O BIM é um clássico exemplo disso – disse Berbigier, recentemente formado em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e que utiliza o software em um empreendimento da família, em Charqueadas.

TECNOLOGIA QUE REVOLUCIONA

Berbigier, que no quarto semestre da faculdade teve o primeiro contato com a ferramenta, que considera o futuro da construção civil devido ao que ela é capaz de proporcionar, revela detalhes de como o BIM pode revolucionar um empreendimento. Ele conta que essa tecnologia consegue extrair muito mais informações do projeto, de uma maneira mais rápida, com visualização ampla e que possibilita fazer quantitativos de forma mais eficiente.
- Hoje a maioria dos projetos é feita em AutoCAD, plataforma de desenvolvimento de desenho paramétrico que não dá informações avançadas. Já com o BIM, o próprio software entende que aquela linha é uma parede e é possível introduzir parâmetros como a quantidade de tijolos a ser utilizada, quanto de argamassa, de tinta, etc – ressalta Berbigier, ao explicar que o software possui recursos de animação que possibilitam simular virtualmente a realidade da obra pronta.

REDUÇÃO DE CUSTOS NA OBRA

A tecnologia na construção civil é uma aliada para ter mais precisão em todas as etapas de uma obra, desde a fase de projeto até a execução. Além disso, adotar inovações e sistemas nos processos pode trazer benefícios em diferentes aspectos e a grande preocupação é como conseguir reduzir custos. O BIM, segundo Berbigier, é capaz de prever e prevenir riscos, erros e até mesmo acidentes no andamento de uma obra. É um sistema que visa controlar as etapas e obter os resultados esperados, medindo o desempenho da equipe durante a execução para que não ocorram surpresas indesejadas ao final do projeto.
- Imagina um exemplo: um dos profissionais muda uma parede de lugar no projeto. Com o BIM é possível que todo o resto seja reestruturado devido àquela mudança antes que no futuro ela se torne um problema. Isso evita retrabalho, desperdício de tempo e de dinheiro – finaliza Berbigier.

POR DENTRO DA FERRAMENTA

* O Building Information Modeling (BIM), em português Modelagem da Informação da Construção, é muito diferente do desenho usual em 2D. A modelagem com o conceito BIM trabalha com modelos 3D que são mais fáceis de assimilar e mais fiéis ao produto final. Numa comparação simples, seria como abandonar a ideia de fazer o planejamento desenhando mapas e trabalhar diretamente com maquetes.
* O 3D foi a evolução natural do desenho de projeto. Com a aplicação da tecnologia BIM, esse modelo 3D passa a ter diversos “objetos paramétricos” com a adição das informações que o BIM proporciona. Ou seja, cada objeto modelado passa a aceitar parâmetros e informações que agregam o trabalho de outros profissionais que não sejam apenas os projetistas.
* Com ele é possível, por exemplo, adicionar informações de marca do material a ser utilizado, custos e outras especificações dentro do arquivo onde o projeto está sendo modelado. Desta forma, vários profissionais (engenheiros, arquitetos, orçamentistas, compradores, etc) podem acessar e editar diversas informações ao mesmo tempo, economizando tempo e evitando erros de comunicação que se traduzem em desperdício e atraso nas obras.



O QUE ELE DISSE
“A relação ideal no futuro é que todos os profissionais responsáveis pela construção façam juntos as colaborações entre os projetos. Por exemplo, alguém que está trabalhando no projeto arquitetônico (o que dá a concepção da construção), atue ao mesmo tempo em que outra pessoa está na parte estrutural, outra na elétrica, outra na hidráulica, enfim. A ideia é que tudo se transforme em um único projeto. Isso já é realidade em alguns lugares e, na minha opinião, esse é o futuro. Eu não vejo outra saída senão todos trabalhando juntos dessa maneira. Isso é tecnologia”.

Guilherme Berbigier, engenheiro civil, sobre o futuro da construção civil com a utilização do software BIM.

PERFIL

* Guilherme Berbigier, 22 anos, filho de Edson Berbigier e Andrea Berbigier;
* Concluiu o Ensino Médio pelo Colégio Marista Rosário, em Porto Alegre;
* Formou-se em Engenharia Civil no final de 2018, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS);
* Entrou para o mercado de trabalho no quarto semestre do curso, quando fez seu primeiro estágio em uma empresa de Drywall ("parede seca", ou seja, um painel constituído por sulfato de cálcio hidratado – gesso -, com ou sem aditivos, e geralmente pressionado contra um revestimento de cartão). Na ocasião atuou na área de projetos, momento em que começou a acompanhar pessoalmente algumas obras.
Durante a faculdade trabalhou em empresas como a MRV Engenharia (que atua, principalmente, na construção de moradias pelo programa social do Governo Federal, Minha Casa, Minha Vida), na Construtora Porto Berton (fábrica de pré-moldados) e na Simon Engenharia (empresa que trabalha com projetos estruturais, como o projeto do estádio Beira Rio, por exemplo).
Neste período precisou aprender a utilizar o BIM e evoluir muito mais rápido do que imaginou para poder acompanhar o mercado.
- Em uma das empresas que trabalhei eles usavam o software desde 2015. Falei que eu sabia mexer e eles me chamaram por isso. Só que eu levei um susto e precisei aprender ainda mais rápido para conseguir acompanhar a equipe - revela.
Ao final da faculdade retornou para a Porto Beton e, agora formado, trabalha na construtora do pai, em Charqueadas. Atualmente ele aplica o software BIM no novo empreendimento da família que está sendo construído às margens da ERS 401.
- Sou muito inquieto. Quando vejo que as coisas estão começando a ficar monótonas, tenho que mudar. Foi quando falei pro meu pai que queria trabalhar com ele. Disse que acreditava que conseguiria implementar o BIM na obra que ele estava trabalhando e então saí de onde eu estava e voltei para casa. Hoje atuo nesse projeto em andamento utilizando o software – conta.
Para o futuro a ideia é abrir uma Start Up com colegas de faculdade que possuem a mesma visão empreendedora e a vontade de revolucionar o mercado.
- Falamos sobre isso desde o começo do curso. Agora, no último semestre que nós começamos, de fato, a querer colocar a ideia em prática. A empresa ainda não existe e não temos CNPJ, no entanto, já começamos a atuar nessa obra do meu pai que será nosso primeiro projeto. Queremos mostrar que o software é capaz de prever muito mais rápido os problemas e interferências em uma obra e depois sim, nos lançarmos no mercado. Estamos engatinhando ainda – finaliza.


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