Diretor do campus da Ulbra São Jerônimo esclarece demissões

Critérios utilizados foram financeiros e levaram em conta o tempo de serviço

Por Portal de Notícias 12/01/2019 - 00:11 hs
Foto: Carla Miller Trainini
Diretor do campus da Ulbra São Jerônimo esclarece demissões
Eltton Zielke (C) e coordenadores sereuniram com líderes estudantis

Carla Miller Trainini

Preocupado com a repercussão negativa das demissões ocorridas recentemente no campus da Ulbra São Jerônimo, o diretor Eltton Zielke - que assumiu o cargo em outubro passado -, chamou os líderes estudantis da Instituição para tranquilizá-los e prestar esclarecimentos. O encontro ocorreu no início da noite desta sexta-feira (11), último dia útil de trabalho antes de entrar em férias.
Estiveram presentes representantes dos cursos de Administração, Psicologia, Educação Física e Sistemas de Informação, sendo este último o que estava se considerando mais prejudicado devido ao receio dos estudantes de que fosse extinto. Além disso, alunos estavam organizando uma manifestação no campus, mas ainda não há confirmação sobre a realização do manifesto.
Segundo Zielke, as demissões de professores e funcionários do setor administrativo ocorreram por motivo exclusivamente financeiro e que em alguns casos o critério avaliado foi o tempo de serviço. Houve, também, casos de profissionais que pediram para serem desligados. Ele explica que a mudança é um processo de readequação à realidade do Ensino Superior e garante que isso não prejudicará o semestre letivo, que terá início no dia 18 de fevereiro.
- Não é novidade para ninguém que o Ensino Superior está passando por uma dificuldade bastante grande no contexto brasileiro. Nós estávamos com uma base muito grande de professores nos nossos cursos presenciais. O desligamento ocorreu justamente para diminuir a nossa base, com o critério exclusivamente financeiro. Além disso, temos professores muito antigos e estes acumulam, por exemplo, quadriênios, o que torna ainda mais cara a sua carga horária. Estes foram os motivos - disse Zielke.
O diretor garantiu, também, que as mudanças não irão afetar a qualidade do ensino e que os alunos não correm o risco de iniciar o semestre sem professor na sala de aula. Além disso, adiantou que a reestruturação vai trazer novos cursos ainda em 2019 nas áreas de Engenharias, Saúde e Tecnologia da Informação.
- O encontro foi marcado para tranquilizar os alunos que estavam recebendo informações distorcidas da realidade. Estamos trabalhando para melhorar a estrutura, oferecer ainda mais qualidade no ensino, como novos cursos ainda este ano, e continuar atendendo bem nossos estudantes – finaliza Zielke.

DEMAIS CAMPI ULBRA

O Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS) estima um total de 200 professores a serem demitidos na Ulbra. As dispensas estão ocorrendo em todos os campi da universidade. Na próxima segunda-feira, 14, haverá uma reunião entre o Sindicato e a mantenedora da instituição, a Associação Educacional Luterana do Brasil (AELBRA). Na pauta, além das demissões estão os atrasos salariais.
De acordo com dados do Sinpro/RS, trabalham na Ulbra 1.332 professores na educação superior e 287 professores na educação básica. As demissões não estão atingindo apenas os professores. No início da semana, a Agência GBC publicou dispensas dos funcionários administrativos. Foram cerca de 150 dispensas, mas o número pode aumentar para 300, de acordo com estimativa do Sindicato dos Trabalhadores em Administração Escolar do Rio Grande do Sul. No campus da Ulbra São Jerônimo, pelo menos cinco professores foram desligados, além de seis funcionários administrativos.
Sobre as demissões, a AELBRA emitiu esta semana a seguinte nota:
"A AELBRA (Associação Educacional Luterana do Brasil), mantenedora da Ulbra, comunica que realizou nesta quinta-feira (10) um ajuste em seu quadro de professores. A medida tem o objetivo de reduzir os impactos causados pela crise que atinge o setor de Ensino Superior nos últimos anos. A Instituição afirma que a rotina acadêmica segue normalmente e reforça o compromisso com a qualidade de ensino aos seus mais de 35 mil alunos no Rio Grande do Sul."

DEMISSÕES NÃO SÃO EXCLUSIVIDADE DA ULBRA

A situação da Ulbra é pior, mas outras universidade e escolas estão demitindo também. A PUCRS, por exemplo, dispensou 40 funcionários nesta semana, segundo o sindicato da categoria. Há, ainda, demissões e atraso no pagamento de salário do Centro Universitário Metodista IPA e do Colégio Americano. A Unisinos, a UniRitter e a UCS também integram o grupo de universidades que estão sofrendo com o corte de gastos e vêm reduzindo gradativamente o quadro de pessoal.

Assista ao vídeo