Por que na virada do ano?

Não é uma data no calendário que deve influenciar nossa vida

Por Portal de Notícias 31/12/2018 - 16:25 hs
Foto: Reprodução / Internet

 Quantas viradas de ano você assistiu dessas 2018 ocorridas, segundo o calendário ocidental? Falo daquelas que você lembra, das que marcaram, que geraram histórias para contar, sejam elas por tristezas ou alegrias? E desses inícios de novo ano, quantas vezes já repetiu a mesma frase ao amigo, ao familiar, a você mesmo: "que o ano vindouro seja melhor que o anterior"? Eu mesma perdi as contas... Mas aí eu pergunto: é o ano que precisa mudar, ou você?


Abrem-se as portas da esperança, outros doze meses se apresentam novinhos em folha, agora tudo será diferente. É o que todo mundo se diz ou espera ouvir nas primeiras horas da virada. São resoluções de mudanças radicais no comportamento e nas atitudes e as repetidas ladainhas de sempre; pactos e dizeres para todos os lados, que, em sua grande maioria, não serão cumpridos, como sempre acontece. Isso tudo, ainda por cima, dito por pessoas pulando não sei quantas ondas, jogando flores e oferendas no mar e nos rios, sujando as orlas, comendo qualquer coisa que dizem dar sorte, usando cores específicas nas peças de roupa, tudo para que seus desejos sejam atendidos no ano que se renova... Balela! Reflita comigo, a coisa não é bem assim...

Tem uma frase que costumo repetir muito e que vai bem em diversas situações. Eu a tenho como ensinamento para minha vida e a repasso ao meu filho, inclusive. Ela não é minha e perdoem-me pela minha ignorância, porque eu não sei quem a proferiu pela primeira vez. É mais ou menos assim: "não adianta esperar um resultado diferente, se você continuar agindo da mesma maneira". Então, volto à minha pergunta inicial: quem deve mudar? Você ou o ano?

"Na segunda-feira eu começo o regime", "na virada do mês eu vou cuidar melhor da minha saúde", "no meu aniversário eu prometo que largo a bebida", e por aí a coisa segue. Eu costumo chamar tudo isso de hipocrisia. Quer dizer, não é uma data no calendário que deve influenciar nossa vida, afinal de contas, tudo é comercial. Calma, eu explico.

Você fez tudo aquilo na virada do ano, todas as promessas, simpatias, pactos sei lá com quem ou que e de que maneira. Aí se passaram os novos doze meses e tudo recomeçou novamente no dia 31 de dezembro. Pare para pensar! Você repetiu as mesmas frases, teve os mesmos desejos e sonhou os mesmos sonhos como quem anda em círculo e espera uma paisagem diferente pelo caminho. Então é nessa hora que você se dá conta (ou deveria se dar, pelo menos) de que muita coisa ficou só no pensamento. Mas, por quê?

Na minha singela opinião, as promessas são feitas para satisfazer um desejo pontual e momentâneo de autoagradar-a-mim-mesmo junto à massa que está fazendo a mesma coisa, como se fosse uma histeria coletiva, na acepção de que você será julgado se não fizer a mesma coisa! Com o passar das semanas, dos meses, a euforia vai embora porque tudo não passou desse momento pontual. E assim vemos os sonhos, os desejos e os ideais escorrendo por entre nossos dedos como se fosse areia em uma ampulheta. Tudo se vai com o vento.

O primeiro dia do ano chega e lá vamos nós para as novas promessas. Morremos ao não cumprir nada daquilo (ou quase nada) pelo simples motivo de que fazemos os mesmos pactos porque todos estão fazendo, logo, devo fazer também. Claro, isto não tem como dar certo! Lembra a hipocrisia que mencionei anteriormente? É a isto que me refiro.

Ok. Você deve estar se questionando como eu posso ser tão agnóstica, incrédula e sem fé ou esperança. Não, discordo de você. Sou apenas uma mulher realista e com os pés no chão que agora vai defender seu ponto de vista. No entanto é preciso abrir a mente e pensar fora da caixinha para conseguir me compreender. Pense comigo: precisa mesmo ser no dia 1º de janeiro para mudar? Para que esperar pelos outros, se tudo começa por nós mesmos, já que vivemos de escolhas, sejam elas as certas ou as erradas?

Chega de promessas, eu não as faço. E mesmo que as fizesse, não diria a ninguém. Dessa maneira o julgamento será somente meu se elas não forem cumpridas. Mas o importante nesta reflexão que propus é que não precisa de uma data comercial. Simplesmente mude. Faça isso agora, não espere a segunda-feira ou o final do ano, esses dias podem não chegar... Quando a gente muda, o mundo muda junto, essa é a fórmula! Comece por onde achar que deve, mas dê o primeiro passo, seja ele para qual direção for.

Desculpem-me pela sinceridade, mas eu não acredito nessa coisa de pular ondinha, comer sei lá o que olhando pra não sei onde. As mudanças precisam vir de dentro de nós, serem diárias sempre procurando evoluir e não apenas nesta histeria geral cotidiana do último dia do ano. Concorda comigo agora que somos nós que precisamos mudar e não o ano?