Como escolher um candidato?

Informações falsas que circulam na internet podem dificultar decisão sobre em quem votar. Reunimos ferramentas que propõem combater "fake news" e fiscalizar políticos e que podem ajudar o eleitor diante da urna

Por Portal de Notícias 30/08/2018 - 14:57 hs
Foto: Sebastião Moreira
Como escolher um candidato?
Informações falsas que circulam na internet podem dificultar decisão sobre em quem votar

DW BRASIL

Decidir em qual candidato votar em outubro pode ser um desafio em meio à avalanche de informações compartilhadas em redes sociais e em grupos no Whatsapp. Uma pesquisa do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai) da Universidade de São Paulo (USP), realizada no ano passado, apontou que pelo menos 12 milhões de pessoas compartilham notícias falsas sobre política no Brasil.
Escândalos como o da empresa britânica Cambridge Analytica, acusada de ter interferido nas eleições americanas de 2016 e no Brexit, acendem um sinal de alerta na corrida por votos no Brasil. O caso mais recente no país foi o do pagamento de influenciadores digitais para campanha eleitoral supostamente ilegal nas redes sociais para políticos do PT e do PR. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público Eleitoral.
Se por um lado houve um aperfeiçoamento dos produtores de conteúdo duvidoso ou mesmo falso, também é possível perceber avanços para combater as chamadas fake news. Há sites que acompanham gastos públicos e processos a que políticos respondem na Justiça. Outros analisam a veracidade de declarações e até quanto cada político pagou pelo almoço usando cota parlamentar.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) apoia alguns sites e aplicativos que ajudam a encontrar checagens já feitas ou permitem que o próprio usuário busque a informação que deseja sobre políticos ou ações públicas.
- A melhor precaução contra notícias falsas é a cautela. Em veículos de comunicação e em agências de checagem, haverá profissionais dedicados a combater a disseminação de boatos durante a campanha eleitoral. Recomendamos que se divulgue ao máximo esse trabalho. É a informação de qualidade que precisa ser compartilhada - afirma Daniel Bramatti, presidente da Abraji e editor do Estadão Dados.
Uma das pioneiras foi a ONG Transparência Brasil, fundada em 2000 e que lista processos envolvendo políticos e despesas de campanha em eleições. A diretora de operações da ONG, Juliana Sakai, explica que o Brasil deu um grande passo em 2012, quando a Lei de Acesso a Informação entrou em vigor no país.
Ações como esta ajudam a combater as fake news, diz Sakai, destacando que não se trata de algo novo na política, especialmente em tempos de campanha eleitoral.
- Sempre houve notícias falsas e propagação de crenças sem amparo em dados. Sempre houve campanhas de disseminação de mentiras políticas e conversas de botequim que as reproduziam. Mas não é todo cidadão que está interessado em checagem de informações - afirma Sakai.
Boa parte do eleitorado já tem definido seu campo político e tende a acreditar nas informações que reforçam seu ponto de vista. A checagem interessa ao eleitor indeciso, que vai dedicar algum tempo para tentar escolher melhor uma candidata ou candidato e confrontar informações.
Checagem de fatos
Profissionais que trabalham na linha de frente da batalha contra notícias falsas apontam a educação digital como principal arma. Cristina Tardáguilla, diretora da Agência Lupa, trabalha com fact-checking e aponta que a demanda por verificação é maior que a capacidade de checagem.
- A principal ferramenta para evitar notícias falsas é a educação. Não existem jornalistas suficientes para lidar com o volume de informações falsas que circulam em aplicativos como Whatsapp. As pessoas precisam entender que elas são responsáveis pelo que compartilham. É necessário que o brasileiro se torne um cidadão digital completo, conceito do qual ainda estamos distante - afirma.
A Lupa oferece cursos rápidos de checagem para jornalistas e não jornalistas, com duração de 6 a 8 horas, nos quais é possível entender a forma de produção de notícias falsas e princípios básicos de verificação da informação.
Em períodos eleitorais, a verificação de uma informação antes do compartilhamento pode resultar em votos para candidatos alvo de notícias falsas. Os sites Aos Fatos e Truco (Agência Pública), junto com a Lupa, são os únicos brasileiros registrados na Internacional Fact-Checking Network (IFNC), instituição que reúne sites de checagem de diversos países.
O que o candidato fez nos últimos anos? 
Por onde anda aquele deputado em quem você votou em 2014 e, principalmente, o que ele fez no cargo de lá para cá? Os candidatos a presidente e a governador respondem a algum processo na Justiça? São alvos da Operação Lava Jato? As respostas para essas perguntas podem ser cruciais na hora de escolher em quem votar.
O projeto Operação Serenata de Amor é o berço de dois bots do bem: Rosie e Jarbas. Os robôs foram programados para analisar e apresentar as despesas suspeitas com verba indenizatória (ressarcimento de despesas relacionadas ao exercício de um mandato) de todos os 513 deputados federais. Criado em 2016, o projeto já encontrou 8.276 despesas suspeitas, como gasto exagerado com alimentação e até pagamentos realizados em estados diferentes em poucos minutos.
Para verificar a situação do seu deputado, basta acessar a página do Jarbas e colocar o nome dele na busca. O resultado vai mostrar quando, quanto e onde o parlamentar anda gastando a verba indenizatória. 
A ONG Repórter Brasil, especializada em estudos sobre trabalho escravo no Brasil, disponibilizou em janeiro a ferramenta Ruralômetro, que mede como os deputados federais eleitos em 2014 agiram frente a projetos de lei e medidas provisórias que têm impactos sobre o meio ambiente, os povos indígenas e trabalhadores rurais. Para saber como o deputado em quem você votou em 2014 ou no qual você pretende votar em 2018 se posicionou sobre esses temas, basta usar a busca interativa do Ruralômetro. 
Lançado oficialmente em maio deste ano, o Vigie Aqui destaca o nome de cada político selecionado em roxo sempre que ele for citado em matérias que estão em buscadores da internet. No site há um passo a passo para baixar e usar o aplicativo. A ficha processual dos políticos, que incluem presidente, ex-presidente, governadores e membros do Congresso Nacional, é atualizada por alunos da PUC-PR.
Sites a Apps para seguir
1. Para acompanhar contas e atuação de políticos:
https://ruralometro.reporterbrasil.org.br/
https://jarbas.serenata.ai/
https://diario.serenata.ai/
https://www.transparencia.org.br/
http://www.vigieaqui.com.br/

2. Para verificar verdades e mentiras sobre os candidatos:
https://aosfatos.org/
http://piaui.folha.uol.com.br/lupa/
https://apublica.org/checagem/