Venda da Braskem para LyondellBasell deve ser fechada em outubro

O processo de levantamento de informações que está prestes a começar confirmará o preço final de aquisição

Por Portal de Notícias 09/07/2018 - 23:01 hs
Foto: Divulgação / Braskem
  Venda da Braskem para LyondellBasell deve ser fechada em outubro
Planta da Braskem no Polo Petroquímico de Triunfo
O acordo para venda da participação do grupo Odebrecht na Braskem para a LyondellBasell deve ser assinado até meados de outubro, de acordo com reportagem do jornal Valor. A expectativa é de que, após quatro meses do anúncio do início das conversas, a Petrobras já tenha oficializado a decisão sobre o futuro de sua fatia na petroquímica brasileira e a transação seja submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O fechamento do negócio, que poderá transformar a Braskem em subsidiária integral da LyondellBasell, só deve ser consumado após aprovação do órgão antitruste, seguindo os prazos de análise do Cade. No limite, a conclusão poderá ficar para meados do ano que vem.

Segundo a reportagem, fontes com conhecimento da situação indicam que as empresas seguem trabalhando no modelo final da operação e a etapa de "due diligence", que envolverá desde a análise de informações financeiras a auditorias nos complexos industriais da Braskem.
Ainda não há um número final para as sinergias resultantes da combinação dos ativos da petroquímica brasileira e de sua concorrente com sede na Holanda, mas esse ganho chegaria a bilhões de reais em diferentes frentes, entre as quais financeira, tecnológica e operacional.

O custo de captação de recursos mais baixo da LyondellBasell, a existência de fornecedores em comum, a possibilidade de uso da tecnologia da petroquímica estrangeira em unidades da Braskem e a presença de ambas em determinados mercados estão entre as alavancas que podem gerar valor relevante, a ser confirmado na due dilligence.

Hoje, a LyondellBasell fornece propeno para a Braskem na Europa e nos Estados Unidos, e a petroquímica brasileira fornece polipropileno (PP) para a fábrica de compostos da multinacional em Pindamonhangaba (SP), e fábricas de PP da Braskem já utilizam tecnologia da concorrente. Além disso, há possibilidade de redistribuição dos diferentes tipos de produtos entre as fábricas da petroquímica combinada em diferentes países.

O processo de levantamento de informações que está prestes a começar também confirmará o preço final de aquisição. Na avaliação de analistas que acompanham a indústria petroquímica, a Braskem sozinha tem valor justo de R$ 60 por ação. A esse número devem ser acrescidos o prêmio de controle - que será pago a todos os acionistas que aderirem à oferta - e as sinergias. Considerando-se um adicional de 20% a 25%, a LyondellBasell pagaria algo entre R$ 72 e R$ 75 por papel da companhia brasileira, em dinheiro e ações.

Pela cotação de sexta-feira na B3, a fatia da Odebrecht Serviços e Participações S.A. (38,3% do capital total) valia R$ 14,6 bilhões, enquanto a da Petrobras (36,1%) estava em R$ 13,8 bilhões. O valor total de mercado da petroquímica era de R$ 38,36 bilhões.

A Odebrecht deseja trocar uma parte de suas ações por papéis da LyondellBasell, tornando-se acionista minoritária da maior produtora de resinas termoplásticas do mundo. Pelo valor da empresa combinada, o grupo passaria a deter uma participação em torno de 10%, se convertesse tudo em ações. Mas esse percentual e quanto deverá receber em dinheiro e em participação ainda não estão definidos.

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, a Petrobras, que já tornou pública a intenção de vender sua fatia na Braskem, deve exercer o direito de venda conjunta (tag along) e se desfazer dos papéis que detém. Há cerca de dois anos, a estatal teria buscado potenciais compradores para sua fatia, mas não houve consenso em torno do preço.

Diante do insucesso da iniciativa, a estatal e a Odebrecht passaram a estudar diferentes modelos de valorização da Braskem, incluindo a conversão de todas as ações em ONs e pulverização de capital. No início do segundo semestre do ano passado, porém, a LyondellBasell se aproximou da Odebrecht e houve início de diálogo.
Antes de ceder a exclusividade nas negociações à concorrente, a Odebrecht manteve contato com outros investidores interessados, entre fundos de investimento, grandes petroleiras com presença na indústria química e concorrentes. Procurada, a Odebrecht informou que não comenta o assunto.