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São Jerônimo, RS,11/09/2026

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MARCELO NORONHA | Quando a escola ensina a descobrir o vento

Quando a escola transforma uma obra cinematográfica em leitura, debate, produção artística e reflexão, ela está dizendo aos estudantes que aquilo que eles pensam também tem valor. Isso é educação.


MARCELO NORONHA | Quando a escola ensina a descobrir o vento
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Marcelo Noronha*

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Projeto de leitura da Escola Barão do Jacuí, no Porto do Conde,  transforma um filme em reflexão, criatividade e esperança, mostrando que novos descobridores de ventos precisam ter liberdade para imaginar um mundo melhor.

Eu acredito que algumas histórias chegam até nós no momento certo. Não necessariamente porque sejam novas, mas porque encontram pessoas dispostas a enxergar nelas algo que vai muito além daquilo que está na tela de um cinema.

Foi exatamente essa sensação que tive ao conhecer o trabalho desenvolvido pela E.E.E.F. Barão do Jacuí, a partir do projeto de leitura inspirado no filme “O Menino que Descobriu o Vento”. Ao observar as fotografias das atividades, os trabalhos produzidos pelos estudantes e todo o envolvimento da escola, eu percebi que ali existe algo muito maior do que uma atividade escolar. Existe uma tentativa concreta de mostrar aos alunos que o conhecimento pode ser uma ferramenta para transformar realidades.

O filme conta a história real de William Kamkwamba, um menino do Malawi que, diante da fome e das dificuldades enfrentadas por sua comunidade, encontrou em um livro o conhecimento necessário para construir uma turbina eólica. Ele descobriu que o vento poderia produzir energia. Mas, antes de descobrir o vento, ele descobriu algo ainda mais poderoso: a capacidade humana de aprender, imaginar e encontrar soluções onde muitos enxergam apenas impossibilidades.

É justamente essa mensagem que considero tão importante no projeto desenvolvido pela Barão do Jacuí.

Eu não consigo olhar para aqueles trabalhos feitos pelos estudantes sem pensar que cada desenho, cada frase e cada atividade representa uma pequena oportunidade de despertar uma nova curiosidade. E talvez seja essa uma das maiores missões da escola: não entregar todas as respostas, mas ensinar crianças e adolescentes a fazer perguntas.


Nesse trabalho, merece um reconhecimento especial a diretora e professora Nora, pelo empenho e pela dedicação demonstrados na condução da escola. Eu acredito que uma direção escolar não se resume a administrar uma instituição. Existe também uma responsabilidade enorme em criar um ambiente onde professores e estudantes possam desenvolver ideias, experimentar, criar e acreditar que a educação pode abrir caminhos.

E o projeto “O Menino que Descobriu o Vento” faz exatamente isso.

Quando a escola transforma uma obra cinematográfica em leitura, debate, produção artística e reflexão, ela está dizendo aos estudantes que aquilo que eles pensam também tem valor. Está mostrando que uma ideia aparentemente pequena pode ganhar força quando encontra conhecimento, incentivo e oportunidade.

Isso é educação.

Eu costumo pensar que precisamos de mais “descobridores de ventos”. Crianças e jovens que não aceitem o mundo exatamente como ele está. Que tenham liberdade para imaginar outras possibilidades. Que consigam olhar para um problema e perguntar: “E se eu tentar fazer diferente?”

Precisamos de jovens que descubram novos ventos na ciência, na tecnologia, na literatura, na arte, na política, na solidariedade e na própria convivência humana.

Mas para isso acontecer, precisamos dar a eles aquilo que William encontrou: acesso ao conhecimento e alguém que acredite que eles são capazes.

É por isso que projetos como o desenvolvido pela Barão do Jacuí têm relevância. Eles não estão simplesmente estimulando a leitura de uma história. Estão ajudando a construir uma geração que pode compreender que conhecimento não deve ficar preso às páginas de um livro. Ele precisa sair delas e ganhar vida.


Eu vejo também uma mensagem muito importante para nós, adultos. Muitas vezes, somos nós que colocamos limites na imaginação das crianças. Dizemos que determinada ideia é impossível, que determinado sonho é grande demais, que determinada mudança não vai acontecer.

William poderia ter ouvido tudo isso.

Mas ele encontrou um livro.

Encontrou conhecimento.

Encontrou coragem.

E encontrou pessoas que, em algum momento, permitiram que sua curiosidade continuasse viva.

É isso que eu desejo para os estudantes da Barão do Jacuí e para todos os estudantes. Que nunca lhes falte um livro, um professor, uma escola e alguém disposto a dizer:Tente. Talvez você consiga.

Porque o mundo já tem gente demais dizendo que não dá.

Eu prefiro acreditar nos que procuram uma maneira de fazer dar certo.

E talvez seja essa a grande lição deixada pelo projeto da Escola Barão do Jacuí: os ventos já existem. O que precisamos fazer é permitir que nossas crianças tenham liberdade para descobri-los.

Quem sabe, entre esses estudantes, esteja hoje alguém que amanhã inventará uma solução para um problema que ainda nem conseguimos resolver.

Por isso, eu vejo naquela exposição muito mais do que cartazes, bolsas, desenhos e atividades escolares.

Eu vejo sementes de futuro.

E toda sociedade que deseja um mundo melhor precisa cuidar dessas sementes. 


(*) Marcelo Noronha, jornalista


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