Meteorologista alerta que enchente atual pode ser a primeira de uma sequência de eventos extremos no Rio Grande do Sul
Segundo Luiz Fernando Nachtigall, da MetSul Meteorologia, o Estado enfrenta o primeiro episódio de cheia associado ao Super El Niño 2026/2027, que pode intensificar o risco de temporais e enchentes nos próximos meses.
Meteorologista alerta que enchente atual pode ser a primeira de uma sequência de eventos extremos no Rio Grande do Sul As enchentes que atingem o Rio Grande do Sul nesta semana podem representar apenas o início de um período de eventos climáticos extremos. O alerta é do meteorologista Luiz Fernando Nachtigall, da MetSul Meteorologia, que avalia que o Estado já vive os primeiros impactos do fenômeno Super El Niño 2026/2027.
Segundo o especialista, embora uma pequena cheia já tenha sido registrada no Rio Uruguai em junho, a enchente observada agora é o primeiro episódio mais significativo do atual ciclo climático. Para ele, o cenário exige atenção permanente, pois a tendência é de fortalecimento do fenômeno ao longo dos próximos meses.
Nachtigall explica que o Rio Grande do Sul não enfrenta um El Niño comum, mas um evento que pode se tornar um dos mais intensos desde o início das medições da temperatura do Oceano Pacífico, em meados do século XIX.
Apesar disso, o meteorologista ressalta que a intensidade do El Niño não determina, por si só, a magnitude dos impactos em uma região específica. No entanto, um fenômeno dessa proporção aumenta significativamente a probabilidade de ocorrência de chuvas extremas, temporais e enchentes.
Período mais crítico deve ocorrer entre setembro e dezembro
De acordo com a análise da MetSul, os modelos climáticos indicam que o El Niño continuará se fortalecendo durante o segundo semestre. Com isso, os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro apresentam risco elevado para a ocorrência de sucessivas ondas de tempestades e episódios de chuva intensa em diversas regiões do Estado.
A previsão também aponta para a possibilidade de enchentes recorrentes, além de temporais acompanhados por ventos fortes e granizo.
Verão também inspira preocupação
Outro ponto destacado pelo meteorologista é que os efeitos do Super El Niño podem se estender durante o verão. Caso as projeções se confirmem, o Rio Grande do Sul poderá registrar elevados volumes de chuva mesmo entre dezembro e março, período normalmente marcado por temporais típicos da estação.
Segundo Nachtigall, esse cenário pode favorecer alagamentos, enxurradas, inundações repentinas e vendavais em diferentes regiões gaúchas.
Outono de 2027 também exige atenção
O meteorologista lembra ainda que os efeitos atmosféricos do El Niño costumam ocorrer alguns meses após o pico do aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Por isso, abril e maio de 2027 também aparecem como meses de alto risco para novos episódios de cheia.
Ele cita que as duas maiores enchentes da história do Rio Grande do Sul — em 1941 e 2024 — ocorreram justamente durante o outono seguinte ao desenvolvimento de eventos de El Niño.
Diante desse cenário, a recomendação é que autoridades e população acompanhem os boletins meteorológicos e os alertas emitidos pelos órgãos oficiais, já que a tendência é de manutenção de condições favoráveis à ocorrência de eventos climáticos severos ao longo dos próximos meses.







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