PF investiga prejuízo de até R$ 191 milhões na venda da Triunfo para a Braskem

PF investiga prejuízo de até R$ 191 milhões na venda da Triunfo para a Braskem

A oferta feita pela empresa do grupo Odebrecht foi de R$250 milhões, bem abaixo do valor de R$355 milhões, ofertados pela Petroplastic, sócia na estatal na época

Por Portal de Notícias 08/02/2018 - 19:36 hs
Foto: Vitor F. Kalsing /Divulgação
 PF investiga prejuízo de até R$ 191 milhões na venda da Triunfo para a Braskem
Na época das negociações, a estratégia de Braskem e Petrobras em assumir relevância mundial no setor

A Polícia Federal (PF) do Paraná investiga a venda da Petroquímica Triunfo, que era da Petrobras para a Braskem, empresa do Grupo Odebrecht, em 2009. Um laudo, feito por um perito criminal federal, aponta que a negociação teria provocado um prejuízo para a estatal entre R$ 144,4 milhões e R$ 191,2 milhões. O documento foi incorporado às investigações da operação Lava-Jato e corre em segredo de Justiça. As informações são do jornal Estado de S. Paulo.

O inquérito teve início em 2014, a partir de denúncias dos irmãos Auro e Caio Gorentzvaig, que eram sócios da estatal na Triunfo. A Petrobras detinha 84,4 % da companhia e o restante pertencia à Petroplastic, companhia da família Gorentzvaig.

Em 2008, a Petroplastic havia feito uma oferta para comprar a Triunfo por R$355 milhões, mas a venda não foi fechada porque a Petrobras alegou que a sócia teria perdido o prazo para concluir a transação. A família justificava que o processo de avaliação da empresa ainda não havia sido concluído. Enquanto o caso corria na Justiça, a estatal iniciou as negociações com a Braskem, de quem também era sócia. A oferta feita pela Braskem foi de R$250 milhões, bem abaixo do valor ofertado pelos Gorentzvaig.

Na época das negociações, a estratégia de Braskem e Petrobras em assumir relevância mundial no setor petroquímico já era pública. Para atingir esse objetivo, a estatal repassaria à empresa do grupo Odebrecht uma relação de ativos na área, que incluía, além da Triunfo, a Central Petroquímica do Sul (Copesul), a Petroquímica Paulínia, a Ipiranga Química e a Ipiranga Petroquímica. Com a incorporação da Triunfo, a Braskem conseguiu o controle do Polo Petroquímico de Triunfo.

Por meio de nota, a Braskem disse que vai cooperar com as investigações. Segundo fontes ouvidas pelo Estado de S. Paulo, contratou um relatório economista Gustavo Franco. O objetivo é comprovar que não houve irregularidade na incorporação da Triunfo.

“Em relação especificamente a esse assunto (Triunfo), a empresa já se manifestou no processo de investigação, que corre sob segredo de Justiça. Com base em avaliações societárias e econômico-financeiras juntadas ao processo, a Braskem não identificou nenhuma irregularidade.”

A Petrobras também se manifestou por meio de nota e afirmou que vai colaborar para a elucidação dos fatos.

“Em relação especificamente a esse assunto (Triunfo), a empresa já se manifestou no processo de investigação, que corre sob segredo de Justiça. Com base em avaliações societárias e econômico-financeiras juntadas ao processo, a Braskem não identificou nenhuma irregularidade.”