Produção de melancia deve recuar no Rio Grande do Sul devido à estiagem

Produção de melancia deve recuar no Rio Grande do Sul devido à estiagem

Falta de chuvas afetou áreas cultivadas após meados de novembro do ano passado no Estado, mas não deve prejudicar a safra nacional da fruta, que conta com nova

Por Portal de Notícias 01/02/2018 - 14:06 hs
Foto: arcela Caetano/DCI
Produção de melancia deve recuar no Rio Grande do Sul devido à estiagem
ova variedade promete ampliar a receita ao produtor em 30%

A safra gaúcha de melancia deverá registrar perdas de até 40% na produção devido à estiagem registrada nas últimas semanas no Estado. O Rio Grande do Sul é o terceiro maior produtor da fruta no País, atrás de São Paulo e Goiás, e seus volumes abastecem os consumidores nos meses de dezembro a março. As informações são do Diário Comércio, Indústria e Serviços (DCI).

A região Carbonífera é uma das maiores produtoras de melancia do estado, com maior produção em Arroio dos Ratos, Triunfo, São Jerônimo e General Câmara.

De acordo com a Emater/RS, o Estado produziu 291 mil toneladas de melancia no ano passado. A chuva escassa afetou principalmente a fruta cultivada após o dia 15 de novembro, período tardio de cultivo. Segundo o engenheiro agrônomo João Kaupsinski, apenas um terço da produção gaúcha foi cultivada antes desse período, entre setembro e outubro.

- As áreas afetadas apresentam problemas como virose e infestações de tripes (inseto) e também tiveram que ser irrigadas com maior frequência, o que ampliou os custos de produção - afirma.

Para o gerente de contas de melancia da Bayer, Leonardo Herzog, as perdas no Estado devem ser compensadas por um melhor desempenho de Goiás, que produz de abril a agosto, e São Paulo, onde a safra ocorre de setembro até o mês de novembro.

Ele estima que 70 mil hectares sejam cultivados no País, com produtividade média de 20 toneladas cada.

- Não há indicação de que essas áreas terão problemas climáticos. Além disso, quem colheu antes da estiagem teve produtividade acima da média para o RS - afirma. Por isso, ele não acredita em uma valorização da fruta, que está cotada em R$ 0,44 o quilo no Estado.

O produtor Gilberto Rambor, de Encruzilhada do Sul, projeta uma perda de oito a dez toneladas por hectare em razão da estiagem.

- Normalmente, consigo alternar o uso do mesmo equipamento de irrigação nas diferentes áreas cultivadas. Neste ano, porém, foi difícil atender à demanda por água na lavoura - afirma o produtor, que ainda está colhendo nas áreas arrendadas que mantém na cidade e também em General Câmara.

Alternativa

Rambor é um dos 30 produtores brasileiros que colhem neste verão pela primeira vez a variedade style, batizada no Brasil de Pingo Doce, desenvolvida pela Bayer. A melancia tem peso reduzido, entre 6 e 8 quilos – a fruta grande tem, em média, 14 quilos –, doçura mais acentuada e menor número de sementes. Essas características são obtidas por meio de um cruzamento entre variedades em laboratório.

O agricultor afirma receber até 30% a mais ante o valor pago pelas melancias comuns, o que, na avaliação dele, compensa os custos de produção 15% mais elevados, de R$ 6 mil o hectare, em média.

O preço da semente, que é o dobro da convencional, e o maior custo de embarque dos caminhões elevam os gastos.

- Optei por ela porque queria inovar e buscar acesso a novos clientes. Acredito que nos próximos anos essa melancia vai ter uma demanda e um retorno financeiro ainda maior que o atual – disse.

Outra vantagem, segundo ele, é que os compradores pagam pela fruta uma semana após a entrega, devido ao alto interesse dos consumidores, com um desconto de 3% sobre o valor total. O prazo habitual de pagamento é de 90 a 120 dias.

Três dos dez hectares ocupados pela variedade na propriedade já foram colhidos, com uma produtividade média de 50 toneladas por hectare. A fruta está sendo negociada com compradores do Rio de Janeiro, Fortaleza, Piauí e São Paulo, em redes como o Pão de Açúcar e a Ceagesp.

Conforme Herzog, os testes de produção começaram no Brasil em 2014, no Rio Grande do Sul – onde dez produtores cultivaram a variedade de melancia em 100 hectares em General Câmara, Charqueada, Butiá, Bagé e Encruzilhada do Sul – e em seguida para São Paulo, Goiás e Tocantins. No ano passado, as primeiras cargas chegaram ao varejo.

Ele explica que, como se trata de uma variedade híbrida e que é estéril, os produtores precisam dedicar 30% da área cultivada a outra variedade e devem utilizar abelhas para a polinização. “O mais comum na produção brasileira é que se use abelhas que já estão no ambiente, mas se o produtor usar caixas para a produção profissional de abelhas, a produtividade é superior.”

Na propriedade de Rambor, foram colocadas 16 caixas de abelhas, uma por hectare cultivado com a variedade. Até então, ele tinha 20 caixas.