Sérgio Moro anuncia saída do governo Bolsonaro

Ex-ministro da Justiça considerou ofensivo ato que terminou com exoneração de diretor-geral da Polícia Federal

Por Portal de Notícias 24/04/2020 - 12:36 hs
Foto: Isaac Amorim / MJSP
Sérgio Moro anuncia saída do governo Bolsonaro
Sérgio Moro pediu demissão nesta manhã

Sergio Moro não é mais ministro da Justiça. Com um discurso forte, permeado por revelações importantes, o anúncio da saída foi feito nesta sexta-feira, em Brasília, horas depois da confirmação da demissão do diretor-geral da Polícia Federal. Moro é o segundo ministro a deixar o governo federal em pouco mais de uma semana.
O discurso de saída de Sergio Moro começou elencando os seus principais feitos à frente da pasta do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a exemplo do que então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta fez na sua manifestação de despedida.
Aos poucos, Moro começou a deixar claro que já não era mais bem-vindo no cargo de ministro da Justiça, com sinalizações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro. A principal questão citada por ele foi a autonomia da Polícia Federal e a razão para uma troca na diretoria-geral. Segundo o agora ex-ministro, o chefe de Estado admitiu que a exoneração de Valeixo era uma interferência política e que o desejo era ter no cargo alguém mais próximo.
- O presidente me disse, mais de uma vez, que ele queria alguém com quem tivesse o contato direto, que pudesse ligar, obter relatórios de inteligência e informações. E este não é papel da Polícia Federal revelar este tipo de coisa. A autonomia da PF é um valor fundamental que precisa ser preservado no estado de direito - disse Moro.
Moro afirmou que não tinha problema em trocar o diretor-geral da Polícia Federal, mas explicou que precisava de um motivo.
- Sempre disse que não tinha problema, mas eu precisava de uma causa. Mau desempenho, um erro grave. O que eu observava, porém, era um bom desempenho, um bom trabalho. As operações e as quedas nos índices de criminalidade indicavam isso. Não é uma questão de nome, até porque existem outros bons nomes. O grande problema de trocar era que haveria a violação de uma promessa - argumentou citando que havia recebido carta branca de Bolsonaro antes do começo da gestão no Ministério da Justiça.
O ex-ministro ainda recordou que a interferência na PF não havia ocorrido em gestões anteriores.
- Não tinha uma causa e haveria uma interferência na Polícia Federal, caindo assim a credibilidade da instituição. Iria gerar uma desorganização. Isso não aconteceu na Lava Jato, a despeito de todos os casos de corrupção - lembrou.


PEDIDOS POR TROCAS EM OUTROS CARGOS

Sergio Moro esclareceu ainda que, anteriormente, Bolsonaro já havia solicitado mudanças em superintendências da Polícia Federal, em especial a do Rio de Janeiro.
- Houve o desejo de trocar o superintendente da PF no Rio e eu não via motivo para isso. Acabou que o próprio superintendente manifestou o desejo de sair. Então, em conversa com o (Maurício) Valeixo, acabei concordando. Não é meu papel indicar pessoas para estes cargos. Sempre dei autonomia ao pessoal que trabalha comigo para que eles fizessem as melhores escolhas. Isso é uma equipe e não há subordinados - argumentou.

NOME PREFERIDO

Jornais do centro do país indicam que o atual ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Jorge Oliveira, homem de confiança de Bolsonaro, pode ser o novo ministro da Justiça. Oliveira é ex-policial militar e advogado.
Jorge Oliveira também foi assessor jurídico do então deputado federal Jair Bolsonaro e chefe de gabinete do deputado federal Eduardo Bolsonaro. Em 1 de janeiro de 2019, assumiu a subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República no governo Bolsonaro. No dia 21 de junho de 2019, assumiu a função de ministro-chefe da Secretaria Geral.

As informações são do Correio do Povo e Portal R7

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