Triunfo: mexilhão-dourado afeta fornecimento de água na localidade de Barreto

Corsan precisou fazer intervenção para limpeza da rede de abastecimento

Por Portal de Notícias 15/01/2020 - 13:02 hs
Foto: Banco de Imagens
Triunfo: mexilhão-dourado afeta fornecimento de água na localidade de Barreto
Colônias podem atingir densidades de mais de 100 mil indivíduos por metro quadrado

Consumidores relatam que a água fornecida pela Corsan na localidade de Barreto, em Triunfo, está escura e com sedimentos, ficando imprópria para o consumo. Segundo a Corsan, o sistema de captação de água da localidade foi afetado pelo mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei). Isso obrigou à realização de uma intervenção para limpeza da rede de abastecimento, gerando os sedimentos
A orientação da Corsan é que os consumidores devem telefonar para o número 0800.646.6444, para informar quando houver problemas. Uma equipe da Companhia irá ao endereço para realizar a drenagem da água, antes do medidor, eliminando sedimentos que estejam contaminando a água.

O MEXILHÃO-DOURADO

O mexilhão-dourado é uma espécie nativa da Ásia que chegou a América Latina incrustado em navios ou águas de lastro das embarcações no começo da década de 1990, principalmente na Argentina. Hoje, ele pode ser encontrado em 27 estados do Brasil. A reprodução da espécie ocorre de forma intensa e acaba por desestabilizar os ecossistemas em que invade, levando moluscos nativos à extinção. Além disso, a grande quantidade de mexilhões prejudica tubulações em estações de tratamento e usinas. Suas colônias podem atingir densidades de mais de 100 mil indivíduos por metro quadrado.
Segundo o professor Hamilton Grillo, que é mestre em Biologia Animal e professor do curso de Ciências Biológicas da Univates, atualmente existem três tipos de mexilhões no Rio Taquari. Dois deles nativos, que pertencem às águas doces da região. O terceiro é o mexilhão-dourado.
- Ele é um invasor, que tem como principal característica se fixar em qualquer tipo de superfície. Não há registro sobre o uso dele na culinária, e o maior problema é proliferação - alerta.
Grillo explica que os primeiros registros do molusco no Rio Taquari datam de 2010. Na época, focos do mexilhão foram encontrados no leito do rio, em pedras, madeiras e estruturas de concreto submersas.