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São Jerônimo, RS,04/11/2026

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João Adolfo Guerreiro

JOÃO ADOLFO GUERREIRO | A senhorinha da Feira do Livro

Escolhendo uns livros, senhor?

Divulgação
JOÃO ADOLFO GUERREIRO | A senhorinha da Feira do Livro

João Adolfo Guerreiro

Sábado, dia quente de Halloween, fui com um amigo pra Feira do Livro de Porto Alegre acompanhar o lançamento do livro de outro, mas sobre esse escreverei amanhã. Hoje quero falar sobre como o boca a boca presencial ainda vende livro.

Pois andando pela praça dos autógrafos já no aprazível final de tarde, vi uma fila gigantesca. Homérica! Fiquei curioso, claro, e perguntei pras pessoas pra quem era.

- É pro lançamento do novo livro da Aline Bei.

Bah, pra mim, uma ilustre desconhecida. Resolvi passar na praça de autógrafos pra comprar um exemplar a fim de conhecer tão concorrida escritora, fugindo da ignorância que, segundo o filósofo da Santo Antônio Cláudio Cri, está ao alcance de todos.

Chego na banca e peço esse e também o novo do Juremir Machado da Silva, que vi por ali. Uma bonita e simpática senhorinha, na casa dos final dos setenta, início dos oitenta, estava comprando um livro, acompanhada por uma sorridente moça de uns trinta e alguma coisa. Viu-me furungando os títulos e puxou assunto, atinada:

- Escolhendo uns livros, senhor?

- Sim.

- Olha, estou comprando esse aqui. É muito bom.

- É mesmo?

- Sim, é. É sobre uma viagem entre Itaqui e Porto Alegre. Conheço o autor, escreve muito bem.

Olhei pra capa: Anjos Avessos, de Paulo Ricardo Virgili Paveck. Achei interessante. A senhorinha dirigia-me um olhar alegre e continuou trocando umas ideias, brevemente. Fui com a cara dela e, quando simpatizo com uma pessoa, geralmente aceito sua indicação. Ora, foi assim que, dentre outros tesouros, conheci A Sombra do Vento, do Zafón - que indiquei ao professor Luis Roberto (não esqueci, professor, aguarde). Comprei e lerei o livro indicado pela senhorinha.

Será que ela é de Itaqui? Será mãe, vó ou tia do escritor? Vi no Google que ele é de lá. Na pressa não conversei muito com ela, mas anotei na última página do livro o local da compra e quem me indicou. Assim, esquecerei do seu rosto e da sua voz, mas nunca de sua viva e simpática presença.

Valeu, senhorinha. Não pude ficar pra pegar o autógrafo do escritor, mas escreverei pro mesmo após ler o livro. Abração.




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