Waters & Gilmour e Santana

A plateia foi ao delírio com a canção Wish you were here, já eu fiquei realmente emocionado quando ele tocou Another brick in the wall

Waters & Gilmour e Santana
David Gilmour, Rogers Waters e Carlos Santana

Quando em dezembro passado fui comprar ingresso para o show de Rogers Waters no Beira-Rio, vi que ele não lotaria, pois no primeiro dia de vendas, fila pequena. Sintoma de que show caro e povo sem grana não afinam. Tempos de crise.
Assistira ao excelente show do David Gilmour na Arena Grêmio em 16 de dezembro de 2015 (não esqueço esse dia) e já estava satisfeito em ter visto meu Floyd preferido. Agora, chegando perto do show do Waters, vi que ainda havia ingresso sobrando. Confesso que não estava muito animado para ir, mas a curiosidade despertada pela sua polêmica passagem pelo Brasil nesses dias de eleições presidenciais polarizadas foi decisiva para a ida. Ademais, era o compositor principal do Pink Floyd, né.
Eu fiquei bem de frente para o show, na arquibancada, distante. Só via o que aparecia no telão, os músicos estavam bem pequenos. Assim, foi o melhor e mais caro cinema ao ar livre em tela Imax de alta definição que já vi. Mas era bom, muito bom o show, tanto na parte visual quanto na sonora. Musicalmente fico com o do Gilmour, visualmente com o do Waters. De início, aquela mulher em plano sequência, sentada observando o oceano, trouxe-me encantamento e paz. Só o vento balançando a grama dava sutil movimento aquela cena. Quando entraram os músicos foi uma overdose de efeitos visuais e sonoros muito bem concebida.
O show foi bem politizado mesmo, mas não apareceram na tela o nome de Bolsonaro e tampouco o EleNão, que tanta polêmica causaram. Todavia, a galera se manifestava a cada vez que as palavras neofacism e resist eram projetadas, uns apupando e outros aplaudindo, sempre proferindo as palavras de ordem conflitantes da polarização política em voga no país. Um pessoal começou a se ofender pesado perto de onde eu estava sentado, achei até que a coisa ia partir para a briga. Entretanto, a presença oportuna de seguranças parrudos, de quase dois metros de altura olhando feio para os contendedores, desencorajou os exaltados.
A plateia foi ao delírio com a canção Wish you were here, já eu fiquei realmente emocionado quando ele tocou Another brick in the wall. Foi o grande momento do show, com aquelas crianças de macacão laranja sobre o palco. Essa o Gilmour não tocou em 2015. Em compensação tocou Shine on you crazy Diamond! Começou a chover forte no Beira-Rio. Um homem ao lado comemorava o gol do Grêmio no jogo que ocorria lá na Arena, pela Libertadores.
Ao final, assim como no show do Gilmour, ele encerrou com Confortably numb. Um grande momento e fim de apresentação. O solo final foi mais legal na versão apresentada pelo David em seu show na Arena. Impossível para mim não comparar os dois shows, mesmo sabendo que isso, ao final das contas, não implica em uma avaliação, eis que cada espetáculo se garantiu por si mesmo, cada um sendo um prazer intenso e diferente.
Na saída, a chuva apertou mais ainda. Os colorados cantavam alegres. River 2x1. Raios! Lágrimas e chuva.
Santana – A propósito de roqueiros e guitarristas, passei pelo Supermercado Bonato do Centro de Charqueadas hoje e conferi a banca de livros instalada na entrada, só de saldos. Encontrei ali dois grossos exemplares da excelente autobiografia de Carlos Santana, o grande guitarrista mexicano, ícone nos anos 1960, 70, 80 e 90, um dos artistas que fizeram história no festival de Woodstock, uma lenda viva. Apenas dez reais cada, dez reais!!! Quando lançada, paguei quase sete vezes mais na Cultura! Lamento informar aos possíveis interessados, mas comprei as duas para dar de presente para amigos, além de dois livros do epistemólogo francês Edgar Morin e um sobre o Julian Assange, do WikiLeaks. Santana revela na autobiografia, além das histórias musicais, que foi vítima de estupro quando criança. Eu gosto demais dele, as entrevistas que vêm como bônus do DVD Supernatural são muito legais também, mas o livrão é uma leitura indispensável para quem curte o timbrão, o sentimento e a filosofia de sua guitarra.