O Mistério do Relógio na Parede

Literatura infantil invade o cinema mais uma vez

Por Cinema - Marcelo Figueiró 04/10/2018 - 08:44 hs

Quando alguns autores começaram a escrever livros infantis gigantes, que utilizavam-se de centenas de páginas e dividiam-se em vários tomos, houve quem torcesse o nariz. "Crianças não terão paciência para tanta leitura", diziam os incrédulos. No entanto estas mega sagas caíram no gosto da meninada. Logo foram lançadas histórias em livros gigantescos, como a do bruxinho Harry Potter, do semideus Pearcy Jacson, do Dragão Eragon, das Fronteiras do Universo e das Desventuras em Série.

O poder de uma criança
Todos estes livros tem em comum a presença de um jovem ou criança como protagonista de uma grande aventura e de contar com um longa metragem ou série para o cinema. Infelizmente, exceto Harry Potter e Pearcy Jacson, nenhuma das outras obras citadas conseguiu avançar além do filme inaugural. Agora, mais um destes contos se aventura na sétima arte. Trata-se de "O Mistério do Relógio na Parede" que estreou recentemente nos cinemas mundo afora.
Difícil transcrever
A dificuldade para transformação destes livros em franquia existe pois é muito difícil, e dispendioso, transferir os detalhes, das milhares de páginas, para poucas horas de filme. Várias vezes os filmes não conseguem transferir para o público comum a exuberância do que foi lido, ou mesmo explicar as complexas mitologias, que apenas nossos jovens entendem.  "O Mistério do Relógio na Parede" (The House With a Clock in its Walls, EUA, 2018) mesmo contando com a colaboração do Estúdio Amblim, de Steven Spielberg, infelizmente padece do mesmo problema.
Descobrindo a magia
No filme o garoto Lewis Barnavelt (Owen Vaccaro, Pai em Dose Dupla, 2015) perde os pais e é enviado para morar com seu único tio. Ao chegar no novo lar, Lewis descobre que seu tutor será o mágico Jonathan Barnavelt, interpretado por Jack Black (Jumanji - Bem vindo a selva, 2018). Não demora muito para o menino descobrir que o tio é mais que apenas um ilusionista de circo. Jonathan trata-se de um feiticeiro de verdade e a própria casa onde reside é mágica. Todos seus objetos convivem como seres vivos. Impressionado com o novo ambiente Lewis convence seu tio e sua vizinha, a bruxa Florence Zimmerman, encarnada por Cate Blanchett (Thor Ragnarok, 2017), a lhe ensinarem a arte da verdadeira magia.
A chave para o mal
Os dois aceitam o desafio, impondo apenas uma restrição ao garoto. Ele não pode abrir um armário que esconde um sinistro segredo sobre o local que habitam. Enquanto ensinam o menino, os mágicos tentam desvendar um mistério deixado pelo antigo dono da casa. Trata-se de um insistente barulho de relógio nas paredes. Agora Lewis deve aprender a ser um feiticeiro, ao mesmo tempo em que enfrenta o bulling na escola que frequenta. Precisa ainda resistir a tentação de buscar os conhecimentos profanos trancados no armário, enquanto tenta descobrir o mistério do relógio na parede, que dá título a obra.
Feitiços diferentes
Embora tenha o selo da Amblim, que normalmente garante qualidade as suas obras, o filme tem vários problemas. O primeiro deles é a comparação imediata deste bruxo com Harry Potter. Seguramente a casa de Jack Black não é nenhuma Hogwarts. A saga de Harry é grandiosa em tudo, figurinos, magias, cenários, locações. Já o aprendiz de feiticeiro do relógio até possui alguns efeitos especiais, mas perde na qualidade, mesmo neste quesito.
Dá para repetir¿
Talvez por não ter vários filmes, como na Octologia de Harry Potter, a história do Mistério é mal desenvolvida. Várias vezes nos perdemos no enredo e ficamos sem lembrar porque aquilo esta acontecendo mesmo. Para piorar ainda temos Black que tenta, o tempo todo, roubar para si a cena, que deveria ser da criança. Nem a atuação sempre harmoniosa de Cate Blanchett ajuda a equilibrar um pouco a fita. Talvez para os pequenos, e fãs da obra literária. o filme seja divertido, mas para um adulto infelizmente as horas demoram a passar.
Passando as horas
Acredito que as Mega sagas infantis são um avanço para a literatura adulta. Elas ajudam a introduzir a meninada no vasto universo dos livros. No entanto, a grande tiragem não significa uma bilheteria proporcional. Para transferir este fenômeno de popularidade para o cinema é preciso que os diretores consigam entrar no clima da obra e se esforcem para transferi-lo para suas películas. Espero que sejam lançados muito mais destes livros gigantes e principalmente que, após seu sucesso, recebam adaptações cinematográficas condizentes com o amor dos fãs pelos seus personagens. Se for desta forma tenho certeza que não nos preocuparemos com o tic-tac do relógio no cinema e as horas na sala escura passarão sem mistério algum.

Trailers
https://youtu.be/52oyCDbV3xo
https://youtu.be/ZBcRKkekB1A