O medo da vacina

Não existe chance de a vacina causar gripe

Por Clin - Clínica Infanto Juvenil 21/06/2018 - 14:55 hs

Steffano Ráu Studzinski
Clínico Geral – CRM 30538

Tenho ouvido muitos pacientes em dúvida acerca da eficácia e da segurança das vacinas de maneira geral, mormente da vacina da gripe que encontra-se em franca campanha, mas apresenta resistência por parte da população na tomada da vacina por desinformação ou, o que é pior, por informação falsa.
Efeitos adversos vacinais são bastante bem conhecidos há décadas; o efeito protetor das vacinas também. Por exemplo, existe uma sabida paralisia flácida associada à vacina da poliomielite, evento que ocorre em menos de um para cada um milhão de vezes. Por outro lado, a poliomielite tem incidência de 20 casos para cada 100.000 habitantes na época anterior a vacina, sendo que com a vacina erradicamos a poliomielite desde 1989. Por óbvio, o benefício vacinal suplanta em muito os riscos da vacina.
Mas surgiram, de forma crescente e preocupante, movimentos antivacinas ao redor do mundo baseando suas recomendações em intrigas e informações errôneas acerca das vacinas. Estes movimentos antivacinas foram responsabilizados nos EUA por recente surto de sarampo. A propósito, vemos crescer na América Latina doenças que se havia conseguido controlar com a vacinação, como caxumba, sarampo e mais recentemente na Venezuela, casos de Pólio. O movimento antivacina surgiu a partir de um estudo em que o pesquisador britânico Andrew Wakefield relacionava a vacina tríplice viral ao Autismo. Estudos posteriores nunca encontraram os mesmos resultados e uma comissão de ética em 2010 descobriu que o pesquisador falsificara dados de seu estudo. Wakefield teve sua licença médica cassada.
Em 2016 a associação americana de pediatria emitiu um parecer permitindo aos pediatras do país negarem-se a atender pacientes que optem por não se vacinar.
No Brasil, ano após ano os indicadores vacinais vêm piorando. A vacina da gripe alcançou pouco mais do que 75% do público alvo. De imediato se percebe a importância da vacinação: dobraram os casos de gripe neste ano. São 2.715 casos até junho, contra 1.227 no ano passado. A mortalidade acompanhou esses números e são 446 óbitos contra 204 em igual período de 2017.A vacina da gripe é segura. No Brasil existe apenas a vacina que apresenta o vírus inativado (morto). Portanto, não existe chance de a vacina causar gripe. Efeitos locais são comuns e incluem dor e inchaço no local da aplicação, mas são transitórios. Resumindo: nenhuma vacina é isenta de riscos, mas é de longe, muito longe, o mais racional a se fazer.