JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Economia de Francisco, baseada no santo de Assis

Por uma economia mais justa, inclusiva e sustentável

O papa Francisco é, para além de um líder religioso, um dos grande líderes mundiais de nosso tempo, exercendo um papado voltado para as grandes questões da humanidade como um todo, de forma positiva para a vida das pessoas de todas as crenças. A "Economia de Francisco", inspirada em São Francisco de Assis - domingo foi sua festa litúrgica -, que de acordo com o site Vatican News "é um movimento de jovens que trabalha por uma economia mais justa, inclusiva e sustentável e para dar uma alma à economia de amanhã", é uma de suas importantes iniciativas que, creio, deverá ser o maior legado do pontífice.

Primeiramente marcado para março desse ano, na cidade italiana de Assis, foi adiado em virtude da pandemia de coronavírus. Uma lástima, mas isso acabou por reforçar ainda mais a necessidade de um pensamento econômico que coloque a vida humana e a ecologia como o centro da economia global. A nova data está próxima: de 19 a 21 de novembro, "totalmente online, com eventos ao vivo e em streaming com todos os inscritos e palestrantes". Posteriormente, um encontro físico será realizado no outono de 2021.

Em março eram 2.000 jovens empreendedores e economistas de 115 países inscritos, sendo o Brasil o país com o segundo maior número de inscrições. Segundo o papa, "Assis é o lugar apropriado para inspirar uma nova economia, pois foi ali que Francisco se despojou de todo mundanismo para escolher Deus como bússola da sua vida, tornando-se pobre com os pobres e irmão de todos. Sua decisão de abraçar a pobreza também deu origem a uma visão econômica que permanece atual".

As premissas do encontro foram discutidas entre o papa Francisco e vencedores do Prêmio Nobel de Economia como Josepeh Stiglitz e Muhammad Yunus e do Nobel da Paz Amartya Sen - autor de "O banqueiro dos pobres" -, dentre outros, e se inserem na visão de Francisco anteriormente escrita na encíclica Laudato si: “Enfatizei como hoje, mais do que nunca, tudo está intimamente conectado, e a salvaguarda do ambiente não pode ser separada da justiça para com os pobres e da solução dos problemas estruturais da economia mundial. É necessário, portanto, corrigir os modelos de crescimento incapazes de garantir o respeito ao meio ambiente, o acolhimento da vida, o cuidado da família, a equidade social, a dignidade dos trabalhadores e os direitos das futuras gerações”.

Estamos esperançosos pela construção de um pensamento econômico que vise erigir um mundo melhor para todos, a partir das discussões que serão realizadas durante a Economia de Francisco. Como disse muito bem o papa esse ano, no Dia de Pentecostes, "nós, pessoas, somos o templo do Espírito Santo; a economia, não”. Priorizemos as pessoas como o centro da economia, portanto.