JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Viborada de Galo avisou: - Salvem os livros!

Possuía dons de profecia

A cidade de São Galo fica na Suíça e tem esse nome em homenagem ao santo irlandês que viveu de 550 a 646 - essas datas variam conforme a fonte. Desde os anos 600, lá já estava a ababia beneditina - que levaria posteriormente seu nome -. junto a qual fica famosa biblioteca, que existe até hoje (foto acima). A nossa história se passa em maio de 926.

Enclausurada numa cela anexa à igreja de São Magno, em São Galo, morava, desde 916, a eremita com o estranho nome de Viborada, irmã de um monge local, orando e cuidando a biblioteca da abadia, onde encadernava os livros. Sua data de nascimento é incerta. Como possuía dons de profecia, bispos e abades a procuravam para ouvir seus conselhos, sendo que um deles salvou as raras obras da biblioteca.

Viborada previu que São Galo seria atacada por magiares (guerreiros húngaros), passando a aconselhar insistentemente que os livros fossem transferidos de local, pois ali corriam sério perigo de destruição completa. Os religiosos acreditaram e logo começaram a transferir o valioso acervo para uma fortaleza, pedindo que Viborada fosse com eles, mas ela se recusou: - Salvem os livros, primeiro.

Em primeiro de maio os magiares chegam à cidade e incendeiam a igreja. Encontram Viborada em sua cela, rezando, e a matam a machadadas. Por seu amor e dedicação aos livros santos o papa Clemente II, mais de cem anos depois do martírio da fiel bibliotecária, em 1047, tornou-a a primeira mulher formalmente canonizada pelo Vaticano - o processo de canonização antes do século IX não era feito pelo papa. Santa Viborada (*) é padroeira dos bibliotecários e seu dia é 2 de maio.

(*) - Se o nome de Santa Viborada hoje parece inusitado, saiba que não é o único dentre os milhares de santos e santas do catolicismo a soar assim em nossos dias. Dentre as santas, poderíamos citar alguns nomes como Alpaide, Amalberga, Angadresima, Anuarita, Boleslava, Brígida, Bronislava, Crescência, Crispina, Cunegunda, Delfina, Dinfna, Elfleda, Escolástica, Etelburga, Fara, Fina, Fridesvina, Humiliana, Kinga, Leoba, Lutgarda, Maxelende, Notburga, Panaceia, Pulquéria, Radegunda, Restituta, Sexburga, Sunniva, Teneva, Ulrica e Valburga, todos, com certeza, adequados para sua época, além de remeterem a pessoas que tiveram uma vida santificada por suas obras, cuja biografia vale conhecer.

Fonte:
GALLICK, Sarah. O livro das santas. São Paulo: Fontanar, 2017.