JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Lavando as mãos

Lavando as mãos pela nossa vida e não lavando as mãos pela vida dos outros

Água é vida e lavar as mãos, nos dias pelos quais passamos, é uma forma de defender a vida. Lavar as mãos, com água e sabão. Não consta que Pilatos, na Sexta-feira Santa, tenha usado sabão e, muito menos, que zelara por sua vida ou pela de outrem. Ao contrário, ele apenas quis, com isso, tirar a responsabilidade de si pela morte de alguém que julgara inocente e que lhe dissera que pecado maior havia em quem o entregara a ele.

Esse ano não haverá chocolate e reunião familiar aqui em casa, o que não quer dizer que não há Semana Santa ou Páscoa. Temos de evitar a aglomeração de pessoas durante o isolamento social. Sem problemas, pois o coração de cada homem é que é, em verdade, o templo de Deus. O da Jerusalém de antanho que o diga, não é mesmo? Ademais, as redes sociais, esse prodígio da inventividade tecnológica humana, estão aí justamente para nos colocar próximos, mesmo longe, em momentos de imperiosa necessidade vital, como esse.

Nessa situação, não dá para lavar as mãos, pois a responsabilidade é de cada um, conforme sua consciência. Cada um carrega sua responsa e seu fardo, é assim para todos. A responsa dos que não fazem parte do grupo de risco e o fardo dos que fazem. Evitar o espalhamento é uma ação individual altruísta em favor do coletivo, nessa Páscoa em tempo incomum que exige atitudes concretas de amor ao próximo. Amar ao próximo é um dos dois mandamentos mais importantes. Numa sexta-feira já bimilenar Jesus entregou a vida em amor às pessoas e até, em supremo ato radical desse amor extremo e incondicional, pediu ao Pai que perdoasse os que o crucificavam.

Uau syl, um baita exemplo! Um cálice amargo bebido com atroz sofrimento, mas com um propósito edificante. Claro que não podemos nos comparar a Jesus, todavia podemos apreender o significado de sua passagem por esse mundo. Lavando as mãos pela nossa vida e não lavando as mãos pela vida dos outros.