FILMES & SÉRIES | The I-Land

Série se inspira em Lost, mas perde-se no desenvolvimento

Por Filmes & Séries - Marcelo Figueiró 04/10/2019 - 15:57 hs

Lost (2004 – 2010) é uma das mais importantes séries da história da televisão mundial. Isto aconteceu pelo ótimo enredo. Este colocava sobreviventes de um desastre aéreo, perdidos em uma ilha paradisíaca, do que parecia ser o oceano pacífico. No local aconteciam fenômenos inexplicáveis, gerados por experiências cientificas. A trama abordava desde o sobrenatural, viagens no tempo, até experiências com seres humanos e animais. A estrutura da série também era interessante, combinando o exílio dos sobreviventes, com Flashbacks da sua vida anterior. Este instrumento fazia que os espectadores se envolvessem muito com a história particular de cada um dos personagens.


PERDIDO NA REDE

Outro ponto alto de Lost é que foi uma das primeiras séries apresentadas após a popularização dos serviços de banda larga da internet. Com isto os episódios do programa, eram comumente digitalizados e espalhados pela rede mundial, em cópias piratas. Esta proliferação aumentava o hipe da série, com um público que estava iniciando em fóruns de discussão e teorias. Mesmo com um final controverso, não há dúvidas que Lost foi um programa que marcou época e deixou muitos fãs saudosos. Com este enorme sucesso era certo que cedo ou tarde alguém tentaria se aproximar da fórmula Lost. Pois a Netflix teve a coragem para fazer isto. O streaming nos apresenta “The I-Land”, uma minissérie que infelizmente se perde ao tentar se aproximar de sua antecessora.



SEM GPS

Em I-Land dez pessoas acordam em uma ilha paradisíaca e deserta. Eles não lembram quem são ou porque estão ali. Todas possuem um objeto de sobrevivência, ao lado de onde despertam. Logo ao se conhecer percebem o quão difícil será a sua convivência. As tentativas de explorar a ilha geram discussões, agressões físicas e até um suposto abuso sexual. Independente de tudo, está claro que existe um mistério na Ilha, com vários signos, enigmas e armadilhas que os impedem de sair do arquipélago. Agora, eles precisam aprender a conviver em grupo, para enfrentar a dura realidade deste paraíso. É isto ou jamais encontrarão rota de fuga. Mas será a Ilha exatamente o que estão vendo?

CÓPIA MAL FEITA

I-land é uma tentativa interessante de emular uma ideia que deu certo. É possível maratonar o seriado em um final de semana e até se divertir com ele. Claro que isto se o compararmos com a grande quantidade de produtos descartáveis que estão à disposição na Netflix. No entanto, se o confrontarmos com Lost perceberemos que o genérico não esta nem perto do original. Enquanto Lost tinha um bem desenvolvido roteiro que prendia o espectador, com mistérios por toda a temporada, em I-land existem excessos de spoilers, já no trailer.

OLHANDO PARA TRÁS

Lost revolucionou ao utilizar Flashbacks e Flashforwards para manter o espectador e envolve-lo na história dos personagens. I-land só lembra de utilizar este artifício do meio para o fim da série, quando tudo já está meio solucionado. E na produção, quanta diferença. Lost possui efeitos, como o monstro de fumaça negra, e cenários, como os laboratórios, muito bem elaborados. Já I-Land só se destaca pela ilha mesmo, muito parecida com a da série anterior. Mesmo assim volto a frisar, é possível assistir I-Land, desde que não busquemos nele o programa antigo.



SEPARADOS NO NASCIMENTO

Dá até para se divertir em uma maratona de I-land, mas não é a mesma coisa que Lost. É uma pena que talvez uma das únicas semelhanças absolutas das duas séries são seus episódios finais. Não contarei como são. Faço isto, para evitar spoilers. Mas posso afirmar que seus ganchos estão muito aquém de qualquer expectativa.

VAMOS TENTANDO

É lamentável que a Netflix não tenha conseguido se aproximar de Lost, mas valeu a tentativa. Tenho certeza que se as produtoras continuarem se esforçando, cedo ou tarde irão fazer um novo seriado de ficção científica tão envolvente quanto aquele do início dos anos 2000. Para utilizar velhas fórmulas, é necessário misturá-las com Inovação, criatividade e uma pitada de tendências atuais. Certamente, com isto, os espectadores, poderão ter mais esperança em abandonar esta ilha de produções medianas, que invadem os serviços de Streaming. Assim, não ficaremos perdidos nas programações esquecíveis que infelizmente nos tornam náufragos, afogados em meio a tantos programas ruins da internet e da televisão.