JOÃO ADOLFO GUERREIRO | Bem que a dupla Grenal poderia ter um também

Grêmio e Inter teriam bala na agulha para tal?

Esses dias vi na Tabacaria do Clube Tiradentes, aqui em Charqueadas, dentre as revistas, cruzadinhas e gibis que encontramos por lá, um álbum de figurinhas do Flamengo. Fiquei curioso e peguei para conferir.

"Flamengo - Sempre hei de ser: mais de cem anos de história", editado pela Panini, tem um total de 300 cromos distribuídos em 64 páginas. Quem conhece os álbuns tradicionais de Copa do Mundo, saiba que este é muito mais caprichado: melhor diagramado, com uma paginação criativa, cromos de diversos tamanhos e formatos, grande parte deles metalizados, além de trazer um apanhado da história do Rubro Negro da Gávea em textos enxutos e excelentes. Coisa muito bem feita, gostei bastante.

O álbum foca na figura de Zico, seu maior craque, mas ainda encontramos outros ídolos atuais e do passado, dentre eles, o Renato Portaluppi, treinador do Grêmio, em pelo menos três cromos, pois o álbum, ao tratar da história do clube, o faz por seções, onde alguns personagens se repetem em contextos diferentes. Em um dos textos iniciais, menciona os 40 milhões de torcedores que o Urubu possui no Brasil, o que o torna o "mais querido" do país, além de ser, conforme a FIFA, um dos 10 maiores clubes do Século XX. Eis aqui o X da questão, o que torna o Fla um clube brasileiro com potencial para ser alvo de uma publicação editorial colecionável em âmbito nacional: sua torcida concentra 19% da população brasileira. Uau syl, é gente pacas! Quase quatro vezes a população gaúcha!

Daí eu, cá com meus botões, fiquei a matutar: será que Grêmio e Inter, principalmente agora que estão em momento ímpar, com a possibilidade de grenais na semifinal da Libertadores e na final da Copa do Brasil, teriam bala na agulha para tal? Ter, cada um, seu álbum de figurinhas? Para isso, fui conferir as pesquisas que mensuram o tamanho das torcidas de futebol no Brasil. Nelas, realmente  o Flamengo desponta acima de todos, isolado, com o Cotinthians sempre em segundo, mas com percentual de 5 a 10% inferior. Depois, bem abaixo, vêm os outros clubes, todos.

Grêmio e Inter, nessa ordem, variam entre a sexta e a décima posições, com índices entre 4% e 3%, respectivamente. Grosso modo, colocando esses percentuais sobre o total da população brasileira, daria aproximadamente (num cálculo otimista) 8 e 6 milhões de torcedores no Brasil, cerca de 14 milhões de pessoas identificadas com a dupla. Tais números comportariam a publicação de um colecionável para cada ou mesmo um único, Grenal? Senão em escala nacional, pelo menos nas regiões Sul e Centro-Oeste (onde se concentra boa parte da torcida Grenal) ou, mesmo, somente aqui no RS?

Haveria de se ter um conhecimento mais preciso da relação entre o total do público alvo e a expectativa de vendas para se ver a viabilidade de uma publicação dessas. Entretando, fica aqui a especulação, a partir desse belo exemplo que é o colecionável do Flamengo.

PS - Hoje tem Inter e Flamengo no Beira-Rio. Para conseguirmos a tão esperada inédita e histórica semifinal Grenal na Libertadores da América, o Inter tem de fazer pelos menos 2x0, para levar a decisão da vaga para as penalidades. Torço por esse desfecho, seria inesquecível ver isso e uma final Grenal na Copa do Brasil no mesmo ano. Entretanto, o meu mais confiável profeta do futebol, o Oráculo Tricolor Little Tiger, popularmente conhecido como Tigrinho, já me disse há algumas semanas que o Grêmio passaria (confirmado ontem) de fase na Libertadores, mas o Inter, não. Como ele acerta 90% de suas previsões, espero sinceramente que a partida de hoje esteja entre os 10% de palpites que ele erra.