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Região Carboífera,terça - feira, 14 fevereiro, 2012
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TERCEIRA DA HISTÓRIA
Susepe afasta direção da PASC depois da fuga de apenado
Irmãos usaram peruca para ludibriar segurança da casa prisional

Como uma das primeiras providências depois da fuga do apenado Michel Bonotto, 31 anos, na tarde do último domingo, 12, da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC), após trocar de identidade com o irmão, Richely Bonotto, 29 anos, a Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) realizou uma intervenção, ontem, e afastou temporariamente a direção da casa prisional até que o fato seja esclarecido.
O diretor adjunto do Departamento de Execução Penal da Susepe, Alberi Moura, assume como interventor do presídio e passa a atuar no lugar de Renato Gomes, até então, diretor da penitenciária. O chefe de segurança da cadeia, Juliano Vargas, também foi afastado do cargo. Mesmo com o afastamento, Gomes e Vargas permanecem atuando na PASC para auxiliar nas investigações sobre a fuga.
A Susepe abriu uma sindicância para apurar o ocorrido. Todos os servidores que estavam de plantão no domingo prestarão depoimentos. Conforme a assessoria de imprensa da Susepe, a investigação está curso e apontará as causas e as falhas na segurança que proporcionaram as condições para a fuga, bem como as ações que serão adotadas e os investimentos a serem feitos no presídio. A Susepe trata o caso como falha humana, já que não houve a checagem na saída das visitas da casa prisional.
Com a fuga, a Brigada Militar mobilizou o setor de inteligência e contingente do 28º BPM e 31º BPM, fazendo barreiras em rodovias da região, mas não encontrou o foragido, que permanecia nessa condição até o fechamento dessa edição.

Fuga e a peruca

De acordo com a Susepe, no horário de visita da PASC, no início da tarde de domingo, Richely Bonotto ingressou na casa prisional premeditadamente usando uma peruca com o objetivo de visitar o irmão, Michel Bonotto. Já na cela, os irmãos, que são fisicamente muito parecidos, trocaram de roupa e Michel, que estava com os cabelos raspados, colocou a peruca. O ato foi percebido posteriormente na análise das imagens das câmeras de segurança do presídio.
Cerca de duas horas depois, por volta das 16 horas, ele saiu sem ser percebido pelos agentes penitenciários, passando por cinco postos de controle usando a carteira de habilitação do irmão e falsificando a assinatura, deixando a casa prisional pelo portão principal. Por falha da segurança, em nenhum momento do percurso de saída Michel foi submetido ao controle por digitais.
Richely ficou na cela e, em uma das conferências, teria respondido ao chamado. No entanto, depois de outra conferida na cela, acabou sendo descoberto pelos agentes penitenciários.

Dormiu durante a visita

De acordo com a Delegada de Polícia, Luciane Bertoletti, no depoimento que prestou na Delegacia de Polícia de Charqueadas na noite de domingo, Richely Bonotto alegou que dormiu na cela enquanto o irmão supostamente teria se dirigido a enfermaria da casa prisional e que foi acordado pelos agentes penitenciários. Ele nega a participação na facilitação da fuga e diz que foi vítima do irmão.
Até sete anos de prisão
Richely Bonotto foi autuado em flagrante na Delegacia de Polícia e responderá por falsidade ideológica e por facilitar a fuga do irmão, sendo encaminhado para a Penitenciária Modulada de Charqueadas. Com passagem pelo sistema prisional por assalto, ele pode ser condenado até sete anos de prisão pelos crimes.

Histórico de fugas

Michel Bonotto está condenado a mais de 20 anos em regime fechado por roubo e formação de quadrilha. Tem três fugas do sistema prisional no histórico (contando a de domingo). Em agosto do ano passado, ele já havia protagonizado uma fuga da Penitenciária de Osório, quando serrou as grades da cela, sendo recapturado em uma ação policial no final de 2011, quando foi transferido para a PASC.

Juiz aponta falhas na segurança

Para o juiz da Vara de Execuções Criminais (VEC) de Porto Alegre, Alexandre Pacheco, a vulnerabilidade na segurança da Pasc não é nenhuma novidade. De acordo com o magistrado, as falhas estão desde a entrada de celulares na casa prisional, sendo recolhidos mais de 200 aparelhos nos últimos dois anos, passando por um deficiente sistema de monitoramento por câmeras, assim como a realização de visitas íntimas na própria cela dos presos, o que poderia facilitar a entrega de materiais por parte das visitantes. Conforme Pacheco, existem na casa prisional 17 espaços para a visitação íntima que não estariam sendo utilizados.
Sobre o episódio de domingo, o juiz é taxativo ao analisar a fuga, já que há um leitor biométrico de digitais no presídio, que não foi utilizado na saída do preso, e levanta a hipótese de corrupção:
- Foi um erro grave. Não adiante afastar apenas a direção do presídio. Tem que investigar a corrupção no sistema prisional e apurar se houve a participação e a facilitação de agentes penitenciários na fuga – afirma o juiz.

Terceira fuga da história

Esta foi a terceira fuga registrada na penitenciária considerada a mais segura do Rio Grande do Sul. As duas primeiras ocorreram em 1999, envolvendo o assaltante de bancos Cláudio Adriano Ribeiro, o Papagaio, e, em junho de 2011, quando o assaltante Sandro Alixandro de Paula, conhecido como Zoreia, escapou pulando o muro da casa prisional.
A Pasc tem capacidade para 288 detentos, mas abriga, atualmente, em celas individuais com seis metros quadrados cada, 230 presos.