| SEGURANÇA PÚBLICA
Indicadores apontam comportamento da criminalidade
na Região Carbonífera nos últimos dez anos
Falta de efetivos e viaturas danificadas dificultam
o combate aos criminosos
Rodrigo Ramazzini
Em qualquer pesquisa
de opinião pública realizada sobre as prioridades a serem
adotadas pelos governos, a área de segurança sempre aparece
listada entre os três primeiros itens no resultado final. A atual
sensação de insegurança da população
é o reflexo de um avanço na quantidade e no grau de violência
usado nos crimes, o aumento no número de usuários de drogas
e na falta de investimentos na área para coibir essa expansão
da criminalidade.
E pela Região Carbonífera, como tem se comportado a criminalidade?
É isso que revela um levantamento inédito realizado pelo
jornal Portal de Notícias, que mostra a evolução
dos principais indicadores de segurança nos últimos dez
anos na Região. A partir dele, que é embasado em dados
oficiais da Secretaria de Segurança do Estado, é possível
detectar, por exemplo, que crimes contra a vida, como homicídios,
apresentaram uma constância no número total anual. Com
exceção dos anos de 2004, 2005 e 2010, nos demais períodos,
a quantidade de pessoas que foram assassinadas ficou na faixa entre
12 e 17 casos, totalizando 125 vidas ceifadas de 2002 até o ano
passado.
Conforme o capitão Romano, do 28º Batalhão de Polícia
Militar, esse tipo de crime é um dos mais difíceis de
combater preventivamente devido à origem.
- Nunca se sabe quando irá acontecer um homicídio. Os
motivos podem ser muitos: uma briga familiar, um sujeito que se excedeu
no uso de álcool e provocou uma confusão em um bar ou
numa festa, desavenças pessoais, entre outros... Enfim, por mais
que a gente intensifique o patrulhamento, não tem como estar
em todos os lugares ao mesmo tempo – enfatiza.
O capitão observa também que, o perfil e a motivação
dos assassinatos ocorridos dentro dos presídios ou nas zonas
rurais dos municípios mudam completamente em relação
à zona urbanas das cidades.
Ligação
dos furtos e roubos com as drogas
Outro resultado
que pode ser observado no levantamento é a estreita ligação
entre o número de furtos e roubos com o universo das drogas.
Ao cruzar os dados é possível perceber que, na medida
em que o cerco ao consumo ou ao tráfico de entorpecentes foi
realizado pela polícia nos últimos anos, com o aumento
nos casos de prisões por esses tipos de delitos, a quantidade
de furtos e roubos despencou gradativamente.
Esse elo que liga o mundo das drogas com o dos furtos e roubos é
sentido pela própria Brigada Militar. Atualmente, como a maior
parte dos furtos visa levar materiais pequenos, principalmente aparelhos
eletrônicos ou dinheiro, a polícia precisa agir estrategicamente
para coibir ou deter os criminosos, como elucida Romano:
- A partir de um trabalho de inteligência e monitoramento, detectamos
os autores dos delitos de furtos em um determinado bairro, que geralmente
são usuários de drogas, e depois de prendê-los,
o resultado é sentido no aumento da segurança desse bairro
e reflete nos indicadores de segurança – explica o capitão
da Brigada Militar.
Por outro lado, o aumento no número de detenções
por posse ou tráfico de drogas deixa indícios do aumento
no consumo de entorpecentes na região, principalmente do crack.
Associam-se a esse fato, as constantes apreensões de grandes
quantidades de drogas pela Polícia Militar ou Civil na região
nos últimos anos.
Mesmo com a diminuição no número de roubos e furtos
nas estatísticas, é preciso registrar que a Região
Carbonífera ingressou no alvo de crimes mais graves de alguns
anos para cá, como assaltos a bancos.
Cerco à
área do complexo prisional
O Capitão
Romano destaca que a criminalidade na Região Carbonífera,
principalmente, no município de Charqueadas, não é
maior e está controlada devido o regular monitoramente na área
do complexo prisional do município. Diariamente, a Brigada Militar
realiza o patrulhamento e a revista das pessoas que circulam pelo local,
o que acaba inibindo que qualquer tipo de crime possa ser praticado
no restante da cidade.
Desfalque
no combate a criminalidade
O combate à
criminalidade na Região Carbonífera não é
maior por causa de deficiências conhecidas e que se arrastam ao
longo dos anos sem solução. A Brigada Militar, assim como
a Polícia Civil, carecem de efetivos policiais.
- Sem pessoal não adianta ter uma plano estratégico, uma
estrutura e viaturas. É preciso ter gente para a linha de frente
– destaca Romano.
Para minimizar o problema, a BM utiliza o recurso de conceder horas-extras
para o quadro, que é limitada a 40 horas mensais por soldado.
Ainda, tem a problemática das viaturas, que são de uma
frota antiga e necessitam de reparos constantes.
De acordo com o capitão, outro incremento que poderia ser adotado
pelo poder público para auxiliar no combate a criminalidade seria
a instalação de câmeras de segurança, que
espalhadas pelos principais pontos, proporcionariam uma inibição
por parte dos criminosos para praticar os delitos e ajudaria no controle
das cidades.


|