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Região Carboífera,terça - feira, 24 janeiro, 2012
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SEGURANÇA PÚBLICA
Indicadores apontam comportamento da criminalidade na Região Carbonífera nos últimos dez anos Falta de efetivos e viaturas danificadas dificultam o combate aos criminosos

Rodrigo Ramazzini

Em qualquer pesquisa de opinião pública realizada sobre as prioridades a serem adotadas pelos governos, a área de segurança sempre aparece listada entre os três primeiros itens no resultado final. A atual sensação de insegurança da população é o reflexo de um avanço na quantidade e no grau de violência usado nos crimes, o aumento no número de usuários de drogas e na falta de investimentos na área para coibir essa expansão da criminalidade.
E pela Região Carbonífera, como tem se comportado a criminalidade? É isso que revela um levantamento inédito realizado pelo jornal Portal de Notícias, que mostra a evolução dos principais indicadores de segurança nos últimos dez anos na Região. A partir dele, que é embasado em dados oficiais da Secretaria de Segurança do Estado, é possível detectar, por exemplo, que crimes contra a vida, como homicídios, apresentaram uma constância no número total anual. Com exceção dos anos de 2004, 2005 e 2010, nos demais períodos, a quantidade de pessoas que foram assassinadas ficou na faixa entre 12 e 17 casos, totalizando 125 vidas ceifadas de 2002 até o ano passado.
Conforme o capitão Romano, do 28º Batalhão de Polícia Militar, esse tipo de crime é um dos mais difíceis de combater preventivamente devido à origem.
- Nunca se sabe quando irá acontecer um homicídio. Os motivos podem ser muitos: uma briga familiar, um sujeito que se excedeu no uso de álcool e provocou uma confusão em um bar ou numa festa, desavenças pessoais, entre outros... Enfim, por mais que a gente intensifique o patrulhamento, não tem como estar em todos os lugares ao mesmo tempo – enfatiza.
O capitão observa também que, o perfil e a motivação dos assassinatos ocorridos dentro dos presídios ou nas zonas rurais dos municípios mudam completamente em relação à zona urbanas das cidades.

Ligação dos furtos e roubos com as drogas

Outro resultado que pode ser observado no levantamento é a estreita ligação entre o número de furtos e roubos com o universo das drogas. Ao cruzar os dados é possível perceber que, na medida em que o cerco ao consumo ou ao tráfico de entorpecentes foi realizado pela polícia nos últimos anos, com o aumento nos casos de prisões por esses tipos de delitos, a quantidade de furtos e roubos despencou gradativamente.
Esse elo que liga o mundo das drogas com o dos furtos e roubos é sentido pela própria Brigada Militar. Atualmente, como a maior parte dos furtos visa levar materiais pequenos, principalmente aparelhos eletrônicos ou dinheiro, a polícia precisa agir estrategicamente para coibir ou deter os criminosos, como elucida Romano:
- A partir de um trabalho de inteligência e monitoramento, detectamos os autores dos delitos de furtos em um determinado bairro, que geralmente são usuários de drogas, e depois de prendê-los, o resultado é sentido no aumento da segurança desse bairro e reflete nos indicadores de segurança – explica o capitão da Brigada Militar.
Por outro lado, o aumento no número de detenções por posse ou tráfico de drogas deixa indícios do aumento no consumo de entorpecentes na região, principalmente do crack. Associam-se a esse fato, as constantes apreensões de grandes quantidades de drogas pela Polícia Militar ou Civil na região nos últimos anos.
Mesmo com a diminuição no número de roubos e furtos nas estatísticas, é preciso registrar que a Região Carbonífera ingressou no alvo de crimes mais graves de alguns anos para cá, como assaltos a bancos.

Cerco à área do complexo prisional

O Capitão Romano destaca que a criminalidade na Região Carbonífera, principalmente, no município de Charqueadas, não é maior e está controlada devido o regular monitoramente na área do complexo prisional do município. Diariamente, a Brigada Militar realiza o patrulhamento e a revista das pessoas que circulam pelo local, o que acaba inibindo que qualquer tipo de crime possa ser praticado no restante da cidade.

Desfalque no combate a criminalidade

O combate à criminalidade na Região Carbonífera não é maior por causa de deficiências conhecidas e que se arrastam ao longo dos anos sem solução. A Brigada Militar, assim como a Polícia Civil, carecem de efetivos policiais.
- Sem pessoal não adianta ter uma plano estratégico, uma estrutura e viaturas. É preciso ter gente para a linha de frente – destaca Romano.
Para minimizar o problema, a BM utiliza o recurso de conceder horas-extras para o quadro, que é limitada a 40 horas mensais por soldado. Ainda, tem a problemática das viaturas, que são de uma frota antiga e necessitam de reparos constantes.
De acordo com o capitão, outro incremento que poderia ser adotado pelo poder público para auxiliar no combate a criminalidade seria a instalação de câmeras de segurança, que espalhadas pelos principais pontos, proporcionariam uma inibição por parte dos criminosos para praticar os delitos e ajudaria no controle das cidades.