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EXPLOSÃO DE AGÊNCIA BANCÁRIA
A versão do fato sob o olhar de quem
assistiu ao crime

Investigações estão sendo realizadas pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais

Rodrigo Ramazzini

O Fato

Na madrugada de sábado, 29 de outubro, uma quadrilha explodiu três caixas eletrônicos da sala de autoatendimento do agência do Banco do Brasil, no Centro de Arroio dos Ratos. Houve intensa troca de tiros entre os assaltantes e a Brigada Militar. Ninguém ficou ferido. Um taxista foi feito de refém durante a fuga e liberado no acesso/saída do município, junto à rodovia BR-290. Não foi efetuada nenhuma prisão e a quantidade de dinheiro levada não foi revelada.

A moradora

Já havia passado cinquenta minutos da entrada do dia de sábado. A moradora de um dos apartamentos que ficam no mesmo prédio do Banco do Brasil, no andar superior, que prefere não se identificar por uma questão de segurança, já dormia quando soou o alarme da agencia bancária. Levantou-se da cama e foi verificar o motivo. Ao espiar por uma pequena fresta em uma janela, avistou um homem armado, utilizando uma touca ninja. Assustada, recuou. “Estão roubando o banco”, pensou. Minutos depois, ouvia a primeira explosão, que sacudiu um pouco o prédio. Na sequência, mais duas detonações. Em seguida, começou a ouvir gritos de uma mulher e o barulho de tiros. Foram muitos, relata. Em meio ao tiroteio escutou um dos assaltantes gritar: - Olha o tempo! Olha o tempo! Um indício que a ação foi minuciosamente planejada e que teve uma duração entre 15 a 20 minutos.

O taxista feito de refém

Há quarenta e cinco dias exercendo a profissão, o taxista, que também prefere resguardar a identidade, passou de expectador do fato a envolvido no crime como refém. Depois de realizar uma corrida, retornava com o táxi para o Centro de Arroio dos Ratos, quando foi surpreendido por um homem armado com um fuzil, vestindo roupas camufladas, calçando botinas e encapuzado com uma touca ninja, ordenando-o para parar o veículo no meio da rua, em frente ao Posto de Saúde e próximo ao supermercado Macropan. Em um primeiro momento, pelo traje, pensou ser um policial militar em uma operação. O assaltante mandou que ele tirasse o cinto de segurança e descesse do carro e se escorasse no táxi, enquanto o revistava. Foi então que, ao olhar para o lado, percebeu que o banco estava sendo assaltado. Em frente à agência bancária, outro criminoso fazia a cobertura de um terceiro assaltante, que instalava os explosivos no interior do Banco Brasil. Minutos depois, esse terceiro sai de dentro do banco e grita: - Vai explodir! Vai explodir! Segundos depois, ocorre a detonação, fazendo um barulho estrondoso, atirando cacos de vidros para todos os lados e levantando uma grande nuvem de fumaça, que encobre a rua. Pouquíssimo tempo depois, acontecem a segunda e a terceira explosão. O taxista conta que o assaltante que o mantinha como refém apresentava um ar tranquilo e parecia dominar bem a ação.
Com a explosão e o barulho de alguns tiros disparados pelos criminosos no intuito de intimidar qualquer aproximação, um policial militar à paisana, que voltava do trabalho em outra cidade, reage e atira na direção aos assaltantes. Começa uma intensa troca de tiros. Desorientado por não saber de onde vinham os disparos, o criminoso atira para todos os lados e faz o taxista de escudo humano, apoiando a arma, um fuzil, em seu ombro. - É forte o solavanco daquela droga – relata. O brigadiano se esconde atrás de uma árvore.
Em meio ao tiroteio, o taxista diz que tentou manter a calma. Viu dois assaltantes entrarem com sacos brancos para dentro do banco e saírem de lá gritando para o restante do grupo. Estava chegando ao fim o assalto. Na fuga, os criminosos resolvem levá-lo junto como refém. Enquanto o carro ruma em direção à rodovia BR-290 a mais de 150 Km/h, no interior do veículo, um Astra ou um Vectra (há uma indefinição em relação ao modelo), de cor prata, tripulado por quatro assaltantes armados com fuzis e que carregava outras armas em cima do banco traseiro, além do taxista, um debate sobre levar ou não o refém começa a ser travado pelos assaltantes. Já perto da rodovia da entrada/saída do município, no pórtico da “melancia”, o porta-malas do carro em fuga se abre. Os criminosos decidem liberar o taxista e pedem que ele feche o compartimento aberto do veículo. Ele cumpre a ordem o carro sai em direção ao município de Butiá.

O soldado que nasceu de novo

Enquanto o taxista se via em “maus lençóis” em uma ponta da rua, no outro lado da avenida, próximo à estátua do mineiro, um policial militar pode dizer que nasceu de novo. Avisados pelo rádio sobre as explosões na agência bancária, duas viaturas que faziam o patrulhamento ostensivo da cidade se deslocaram para o local. Em uma delas, o soldado Eliezer Rodrigues dirigia o veículo. Ao se aproximar do banco e ouvindo os tiros, parou o carro em uma praça, e logo foi avistado pelos criminosos, que não pouparam balas e o alvejaram. Um tiro entrou pelo para-brisa da viatura, passou pelo painel, perfurou os bancos e parou apenas na estrutura de aço que divide os assentos com o porta-malas. Segundos antes de o tiro acertar a carro, o soldado abriu a porta do veículo e se jogou para fora. – Foi Deus! – Acredita.

No lugar errado, na hora errada

Como as viaturas da Brigada Militar foram alvejadas por tiros, a estratégia dos policiais militares foi de tentar se deslocar para os fundos do banco, com o intuito de surpreender os criminosos no outro lado. Enquanto se movimentavam, a troca tiros com os assaltantes foi intensa. Neste momento de forte tiroteio, o morador de Arroio dos Ratos, Maicon Rosa, pode dizer que estava no lugar errado, na hora errada. Depois de buscar um amigo em sua residência, com o objetivo de partirem para o rodeio na cidade de Triunfo, ele deparou-se em meio ao confronto. Entre os muitos tiros, conta que viu uma Ecosport preta, com as portas abertas e três pessoas com as mãos na cabeça deitadas no chão como reféns. A caminhoneta era tripulada por dois moradores do município. O terceiro refém pilotava uma moto.
Rosa saiu com o carro da zona de tiro e, metros depois, foi abordado pelos policiais, que chegaram a pensar que o veículo tinha participação no crime, pois os vidros estão revestidos com uma película escura. Passado o mal-entendido, com a realização das devidas apresentações, ele ajudou os brigadianos no deslocamento até o outro lado do banco e se refugiou, por orientação, perto do Museu do Carvão.

A investigação

As investigações sobre o assalto e a explosão estão a cargo do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC). De acordo com os policiais do departamento, que estão em Arroio dos Ratos colhendo informações e depoimentos, eles trabalham com a ideia de que quatro criminosos executaram as explosões e fugiram em apenas um carro, no caso, o Vectra ou o Astra.

A problemática da falta de segurança

Vários fatores transformam o município de Arroio dos Ratos em alvo fácil para a ação de criminosos. Além da facilidade para rotas de fuga, no caso, com maior evidência para o acesso privilegiado à rodovia BR-290, o delegado de Polícia do município, Pedro Urdangarin, ressalta a falta de monitoramento por câmeras no Centro da cidade, principalmente na área que abrange os bancos, e a falta de efetivos da Polícia Civil e da Brigada Militar (BM) de Arroio dos Ratos. Para se ter uma ideia da escassez de policiais, de acordo com o tenente Paulo Roberto, atualmente, Arroio dos Ratos conta com apenas 11 brigadianos que se revezam em turnos, quando o ideal seria, no mínimo, 26 policiais militares para melhorar a segurança da população. Ainda, acrescenta-se o fato que, no caso das explosões ao banco, os criminosos estavam fortemente armados, enquanto a BM possui apenas pistolas de baixo calibre.