CHARQUEADAS
Área da CPA deverá receber mais integrantes
do MST
A área da
Colônia Penal Agrícola (CPA), em Charqueadas, deverá
receber novos integrantes do Movimento Sem Terra (MST), nas próximas
semanas. De acordo com Carlos Mandacaru, um dos líderes do movimento,
até dezembro o local deverá abrigar mais 15 famílias,
que se juntarão às outras dez que já estão
nas terras da casa prisional.
Nos próximos dias, deverá ocorrer uma nova reunião
entre os representantes do MST e da Secretaria de Desenvolvimento Rural,
Pesca e Cooperativismo (SDR) do Estado para acertar os últimos
detalhes. As famílias que virão para Charqueadas estão
acampadas no acesso ao município, em um assentamento entre as
rodovias ERS-401 e a BR-290.
A ideia é que cerca de 280 hectares da CPA sejam destinados para
o assentamento e o plantio para o autossustento dos integrantes do movimento
inicie, também, em dezembro. O processo de oficialização
do assentamento precisa passar por diversas esferas, inclusive com a
necessidade de aprovação da Assembleia Legislativa do
Rio Grande do Sul.
Os primeiros integrantes do MST chegaram à CPA no último
dia 7 de outubro, depois de fecharem um acordo de desocupação
com o governo do Estado, após invasão a uma área
na cidade de Viamão.
Juiz é
contra o assentamento
O juiz Sidinei
Brzuska, da Vara de Execuções Criminais e responsável
pela fiscalização das casas prisionais da Região
Metropolitana do Estado, já mostrou contrariedade com a colocação
do assentamento na área da CPA. No local, o magistrado sugere
a construção de três casas prisionais de regime
fechado.
- A sugestão da CPA estará prejudicada se o Estado montar
uma vila lá, pois o que se quer é justamente tirar as
penitenciárias da proximidade das pessoas – afirma Brzuska.
O juiz já registrou um Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia
de Polícia de Charqueadas relatando a ocupação
da área da casa prisional pelo MST, pois não houve nenhuma
tramitação legal que assegurasse o assentamento. O juiz
Brzuska acionou, também, a Procuradoria Geral do Estado (PGE)
para que as medidas judiciais necessárias sejam tomadas em defesa
do patrimônio público.
MP analisa
o caso
Provocada pelo
juiz Brzuska, a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio
Público, por meio da assessoria de imprensa, informou que já
foi instaurado um procedimento que analisará eventuais irregularidades
na utilização, por particulares, da área da Colônia
Penal Agrícola.

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