Brasil Sem Frestas ameniza o frio da primeira família em Charqueadas

Um mundo melhor é possível: projeto utiliza embalagens de leite recicladas para dar melhores condições de moradia a pessoas em vulnerabilidade social

Por Portal de Notícias 09/07/2019 - 08:59 hs
Foto: Divulgação
Brasil Sem Frestas ameniza o frio da primeira família em Charqueadas
Equipe de colaboradores do Brasil Sem Frestas e a primeira família atendida em Charqueadas

Carla Miller Trainini

Já imaginou morar em uma residência de madeira em condições precárias e sem qualquer vedação contra o vento, tendo frio e chuva entrando por todos os lados? Pois essas eram as condições de moradia do casal charqueadense Cristian de Souza Lopes e Diovana Ramos de Figueiredo, que teve a triste realidade atenuada no último sábado (6), por voluntários do projeto Brasil Sem Frestas.
A família foi a primeira a ter sua casa revestida com caixas recicladas de leite, que costuradas umas às outras e fixadas nas paredes e forro, formam um poderoso isolamento térmico que pode amenizar em até 8 graus a temperatura ambiente.
O projeto existe desde 2009 e já foi executado em diversos lugares, mas em Charqueadas chegou apenas agora, pelas mãos da coordenadora do Brasil Sem Frestas no município, Priscila Leite Marques. Para realizá-lo ela calcula que sejam necessárias entre duas a três mil caixas de leite para revestir uma casa, dependendo do seu tamanho.
- Nós conseguimos atender a primeira família porque uma grande doação veio de Esteio, de uma senhora que trabalha em uma escola. Ela conseguiu arrecadar nove mil caixas e nos entregou limpas e cortadas, prontas para serem fixadas. Foi graças a ela que pudemos ajudar o casal que vivia em condições desumanas nesse frio intenso que tomou conta do estado nos últimos dias – diz Priscila, que agradece o engajamento do grande grupo de voluntários que aderiu ao projeto desde o primeiro momento.



DOAÇÕES PARA O BEM

Priscila comenta que aos poucos o projeto vai tomando forma e as pessoas vão abraçando a ideia, demonstrando consciência social e ambiental. Graças a isso, muitas doações estão sendo recebidas. Mesmo assim, a nova residência a passar por melhorias ainda não foi definida. Os pedidos são muitos e para que o projeto possa ter continuidade mais arrecadações precisam ser feitas.
- Hoje já temos alguns apoiadores e diversos pontos de coleta. Os pedidos de ajuda são inúmeros, mas para que possamos continuar atendendo é preciso juntar mais material, como caixas de leite e grampos de madeira – finaliza Priscila, que recebeu no primeiro momento quatro grampeadoras e caixas de grampos ofertados por comerciantes de Charqueadas, seus pais e pela voluntaria Maria Beatriz da Rosa Farias.

A PRIMEIRA FAMÍLIA



A primeira casa escolhida fica na Rua das Flores, no Bairro Colônia Penal. Ela é grande e dividida entre duas famílias: de um lado moram os sogros de Diovana e mais duas adolescentes, e do outro o casal e uma filha pequena, que possui microcefalia e outra menina prevista para nascer em setembro. Para que o trabalho seja bem feito, exige tempo. Por este motivo não foi possível concluir tudo no mesmo dia e deve ser retomado no próximo sábado (13), com ajuda da equipe de voluntários que aderiu ao projeto. Como toda ajuda é sempre bem-vinda, quem quiser colaborar de alguma maneira deve entrar em contato pela página do Projeto no Facebook.

O QUE ELA DISSE



“O projeto Brasil Sem Frestas começou em Charqueadas há duas semanas e já conta com uma adesão muito boa, mas eu já estava há um mês e meio estudando sobre ele, vendo a realidade, abrangência e se seria possível dentro das minhas limitações. No dia 22 de junho ajudei no revestimento de uma casa em Guaíba. Na ocasião eu sentei no lastro da cama daquela família e disse para mim mesma: ‘é isso que quero para a minha vida’. E foi assim que eu me apaixonei. Cheguei em casa com o coração quente e feliz, criei imediatamente uma página na rede social, fiz um grupo no WhatsApp e dei início a esse trabalho que foi muito bem recebido”.
Priscila Leite Marques, coordenadora do Brasil Sem Frestas – Charqueadas, sobre o momento em que nasceu seu amor pelo projeto.

SAIBA MAIS

PROJETO BRASIL SEM FRESTAS

Em setembro de 2009, em meio a uma tempestade, a química Maria Luisa Camozzato preocupou-se com a situação das famílias em vulnerabilidade social na cidade de Passo Fundo, na Região Norte do estado.
Ela percebia o risco que a comunidade corria ao conviver diariamente com o frio e a umidade em seus lares após as chuvas. Conhecedora da estrutura das embalagens Tetra Pak (caixinhas de leite), Maria Luisa teve a ideia de unir as caixas, fazendo uma placa com efeito isolante térmico. Dessa forma, encontrou a possibilidade de bloquear o frio, o vento e a água que entravam pelas frestas e buracos das casas.
Assim nasceu o projeto Brasil Sem Frestas, que contou com a ajuda de colegas que formaram um grupo de voluntariado que juntos iniciaram o trabalho de coleta, corte e costura das caixas. A iniciativa permitiu que as famílias pudessem ter um conforto imediato, sem depender de grandes investimentos ou auxilio governamental. Rapidamente o projeto se espalhou para várias regiões do Brasil e chegou no último sábado ao município de Charqueadas, quando a primeira casa de madeira recebeu os revestimentos.

PONTOS DE COLETA

Em São Jerônimo:
Bonato Center
* Xis Fofoca
* Sede da OAB

Em Charqueadas:
* Mercado Catielo
*Mercado Dia%
*Academia Fitness
*Posto Primeiro
*Sindicato dos Municipários
*Sindicato dos Metalúrgicos
*Candoca's Lanches
*Mecânica Inácio
*Mercado Macropan (Cohab)
*Ferragem Perlom
*Uniciclos
*Ferragem Cabral
*Mercado Bonato
*Maxgraphi
*Mettals
*Loja TaQi
*Postaços (Centro)
*Escola Cruz De Malta
*Escola Pio XII
*Escola Piratini
*Escola Assis Chateaubriand
*Realize Móveis Planejados

COMO CORTAR AS CAIXAS

O cuidado principal é com a higienização das caixas para evitar contaminações. O processo é igual para qualquer tipo, sejam as retangulares ou as quadradas com tampinhas:
1. Corte uma das extremidades da embalagem, sempre bem próximo às extremidades e depois no meio ao lado da emenda
2. Enxague bem para tirar todo o líquido do produto
3. Deixe escorrer bem a água.
Assista ao vídeo de demonstração


IMPORTANTE

As embalagens que podem ser aproveitadas são as do tipo tetra pak, como caixas de leite, leite condensado, creme de leite, sucos, entre outros. Além destes, grampos de madeira para fixar o material também podem ser doados para colaborar com o projeto.

VOCÊ SABIA?

* A caixa do tipo tetra pak demora até 200 anos para se decompor na natureza.
* Possui seis camadas, sendo quatro de polietileno, uma de papelão e uma de alumínio.
* Seu revestimento permite isolamento térmico de até 8 graus.
* A reciclagem deste tipo de material evita danos ao meio ambiente e leva condições mais dignas de moradia a pessoas em condições de vulnerabilidade social.