Somos determinados pelo código genético e pelo contexto: a narrativa familiar que nos torna peculiares

A pergunta parece clichê: Qual é o papel da família e da escola?

Por Portal de Notícias 24/11/2017 - 16:24 hs

 Neusa Albert*

 Precisamos refletir sobre a ação compartilhada que é o ato de educar, e trocar ideias práticas da família e da escola na educação. Os filhos são altamente influenciados  por absolutamente tudo o que os pais fazem ou deixam de fazer. Se forem educados com mais gentileza, certamente a convivência familiar e social será diferente. A falta de limites na vida familiar, o bullying e a terceirização da educação, que deveria vir de casa,  acaba afetando a solidez de valores dos jovens mais tarde. É necessário que compartilhem experiências dos mais velhos. Segunda-feira, 20, foi o dia da Consciência Negra, confesso que fico abalada com tanta conscientização e divulgação que temos nos meios de comunicação, e ainda é necessário esforços para trabalhar o preconceito na sala de aula.

Levei um coração de chocolate para cada um, até para aqueles que não mereciam, e disse que dali para frente seriam merecedores por respeitarem as diferenças. Espero que minha abordagem didática faça efeito.

A infância estabelece valores que vão permanecer durante toda a vida. Precisamos resgatar a ternura, exercitar a cordialidade. Extrair das crianças o que elas têm a oferecer. Precisamos pensar nos efeitos  que as nossas palavras ou brincadeiras podem ter para quem nos ouve. Não podemos ignorar os reflexos do que a gente fala e faz.

Semana passada,  presenciei uma cena em Novo Hamburgo. Um pai estava com um garotinho de uns 6 anos. O sinal estava vermelho para pedestres. Mesmo assim ouvi o pai falar para o garoto: “Vamos atravessar rápido que ainda dá tempo”. O menino disse que o sinal estava fechado, mas o pai retrucou: "Deixa de ser panaca. É só correr que dá tempo”. Que péssimo exemplo que está vindo de casa. De que adiante a escola ensinar sinais de trânsito se  o próprio pai faz errado?

Culpam a tecnologia, quando os jovens cada vez mais precisam desenvolver habilidades digitais. Proibir que as crianças acessem celulares pode ser complicado. O melhor é negociar as regras e tempo de uso. Ela otimiza o aprendizado e o desenvolvimento motor. As redes sociais são por vezes hostis e precisamos fortalecê-los para os conflitos. Quando a gente proporciona momentos para o diálogo, amenizamos desconfortos. É importante explicar que a vida é feita de problemas e soluções.

Se um bom professor é o principal fator para a evolução e sucesso do aluno, a família tem um grande compromisso para isso ser concretizado. Tudo começa em casa, na autoestima da meninada. As crianças precisam ser estimuladas a ler na escola e também em casa com os pais lendo com seus filhos. Sempre uma ação compartilhada.

 (*) Educadora