Os músicos da região na mídia antes da era digital

Mesmo sem a tecnologia atual, músicos da região conseguiam espaço em rádio e televisão

Por Portal de Notícias 23/10/2017 - 08:10 hs
Foto: Arquivo Pessoal
Os músicos da região na mídia antes da era digital
Grupo Voz ativa teve clipe exibido no Fantástico

A partir das décadas de 1970 e 1980, quando não havia a internet e toda a tecnologia atual, músicos e outros artistas da região Carbonífera conseguiam divulgar seu trabalho em rádios e até programas de televisão da mídia estadual. O caminho era mais árduo e passava pelos inúmeros festivais da época.

Hoje, a internet, por meio de sites e aplicativos, é a ferramenta utilizada pelos artistas para divulgar seu trabalho, quase que instantaneamente. Se, nos anos 1980, os discos demoravam no mínimo uma semana para chegar a outro estado, hoje os artistas podem fazer a divulgação em menos de cinco minutos.

Mas, mesmo em um período em que a tecnologia não permitia uma divulgação tão rápida, e a era digital era apenas um sonho, nos anos 1980 alguns grupos musicais da região Carbonífera conseguiram seu espaço na mídia estadual, saindo de cima do carvão e indo para frente das câmeras de TV.

Um dos que conseguiram este feito é o triunfense Gildo Campos, que se apresentou no Galpão Crioulo, da RBS TV, cantando a música de sua autoria “É disso que o velho gosta”, que já foi interpretada por cantores conhecidos nacionalmente, como Berenice Azambuja, Chitãozinho e Xororó e Sérgio Reis. A banda jeronimense Ferrovia 66, conhecida por muitos na região, já se apresentou no programa Jornal do Almoço, também da RBS.

Em Charqueadas, a banda Voz Ativa e o Coral da Piratini são alguns dos exemplos deste pioneirismo.

 Voz Ativa no Fantástico

“... Num forró estilizado, com capuz encascurrado, de casaco esverdeado e de calça santropê, ele veio me dizendo, com aqueles olhos horrendos, que tu tava até morrendo de vontade de me ver”. Boa parte dos que viveram sua juventude em Charqueadas nos anos 1980 conhecem o início da música “Forró estilizado”, do grupo Voz Ativa, composta por Laury Johnson.

O grupo era formado por Alberto André, Laury Johnson, Paulo Araújo (Paulinho) e Nico Alfama. Mesmo sem as tecnologias de hoje, e com menos espaços para mostrar seu trabalho, não faltava motivação para os jovens músicos buscarem um lugar ao sol e o Voz Ativa ganhou espaço na mídia estadual, chegando inclusive a colocar um clipe na edição local do Fantástico, que havia na época.

- O Voz Ativa esteve na estrada por sete anos, mais ou menos. Valeu muito a pena ter sido parte de um grupo como esse, num tempo como aquele, onde a ousadia aliada à inteligência levou boas reflexões para uma geração bacana – lembra Paulinho.

Forró Estilizado: https://youtu.be/5ay_zAiC5LI

 Coral da Piratini na mídia estadual

Até 1992, ano em que a Aços Finos Piratini foi privatizada, alguns funcionários da empresa que tinham talento musical integravam o conhecido Coral da Piratini, que por diversas vezes se apresentou em programas de televisão de nível regional, entre eles o programa Encontro de Charla e Cantiga, apresentado por Vilmar Romeira, na Bandeirantes.

O Coral iniciou em 1977, incentivado pelo então presidente da empresa, Bernardo Geisel. No ano seguinte, foi gravado o primeiro disco com músicas do folclore gaúcho e brasileiro.

Segundo Geraldo Theisen, integrante do grupo, o Coral tinha como objetivo divulgar o nome da empresa e a cultura do estado do Rio Grande do Sul. Theisen lembra que o Coral ensaiava na Afaço e reunia colegas de diferentes setores da estatal. Canções conhecidas do tradicionalismo gaúcho, como “Céu, sol, sul” e “Esquilador” foram interpretadas pelos músicos da Aços Finos Piratini, que também interpretavam músicas de sua autoria.

- Defendemos a música "Do pastoreio", que foi vencedora do Festival de Música de Charqueadas. As demais eram do folclore gaúcho e brasileiro, com arranjos do maestro Gil, de Rocca Sales. O Coral tinha uma excelente reputação junto às entidades e associações de corais pelo estado. Não somente na TV, mas tínhamos uma agenda bem concorrida em festivais de corais pelo estado, bem como apresentações institucionais da Aços Finos Piratini e muitos outros eventos, como a Expointer – revela Laury Johnson, que também integrava o Coral.

Restaram poucos registros fotográficos do coral, mas o disco ainda pode ser adquirido no site Mercado Livre

Assista a uma apresentação do coral: https://youtu.be/cLwhEfq33PU