Arquivo Histórico da Mineração: história, memória e patrimônio da Região Carbonífera!

A falta de recursos humanos e materiais para realizar a preservação qualificada desta documentação coloca em risco, inclusive, a viabilização da continuidade dos serviços do Arquivo Histórico da Mineração para o público em 2018

Por Portal de Notícias 29/09/2017 - 15:46 hs

Alexsandro Witkowski*

Em 30 de agosto de 2017, o Colegiado Setorial de Memória e Patrimônio do Estado do Rio Grande do Sul emitiu uma moção de apoio à preservação do acervo documental da mineração do Arquivo Histórico do Museu Estadual do Carvão, enregue ao Senhor Secretário Victor Hugo (SEDACTEL – Secretaria Estadual da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer).

O Museu Estadual do Carvão, localizado em Arroio dos Ratos no espaço do outrora complexo industrial carbonífero do Poço 1 e Usina Termoelétrica (1908-1956), é referência da história da mineração carbonífera no estado. Em seu parque estão os remanescentes arquitetônicos do antigo complexo industrial carbonífero: prédios do escritório, dos geradores, oficina, almoxarifado e laboratório, além das ruínas das galerias das caldeiras (subsolo), resfriador, chaminé da antiga usina termoelétrica e vestígios diversos de pisos e estruturas menores. Neste belo equipamento cultural está salvaguardado o acervo documental da mineração, no Arquivo Histórico da Mineração (prédio do antigo laboratório).

Está em fase final de execução o projeto cultural de preservação do acervo documental histórico, com a previsão de conclusão do projeto no final de 2017. As exposições denominadas Cartas do Fundo do Poço – as correspondências das minas de carvão do Baixo Jacuí (1891 – 1964), no Museu Estadual do Carvão (maio/junho) e no Memorial do Rio Grande do Sul (julho/agosto), comprovaram em uma breve amostragem que o acervo contém importantes e inéditas fontes históricas do cotidiano da mineração e das relações sociais no trabalho.

Entretanto, com o término do projeto cultural, a falta de recursos humanos e materiais para realizar a preservação qualificada desta documentação coloca em risco, inclusive, a viabilização da continuidade dos serviços do Arquivo Histórico da Mineração para o público em 2018. A função principal de um arquivo é servir.

Pesquisadores, historiadores, professores, alunos, visitantes, membros da comunidade, entre outros, atualmente realizam pesquisas no Arquivo Histórico da Mineração. A descontinuidade desse serviço público seria um retrocesso, ainda mais após o considerável investimento de dinheiro público aplicado na preservação e conservação deste importante e reconhecido patrimônio documental.

De acordo com a legislação vigente, é dever do Estado a proteção do patrimônio cultural, seja por meios próprios ou através de parcerias. Considerando a escassez de recursos financeiros que atinge toda a administração pública, novas parcerias com instituições privadas pode ser uma proposta viável para a preservação de nosso patrimônio cultural mineiro. O conteúdo do acervo documental mineiro está diretamente identificado ao contexto histórico da Região Carbonífera, portanto, relacionado ao complexo cultural do Museu Estadual do Carvão.

Nesse sentido, o bem-sucedido exemplo do Museu Arqueológico do Rio Grande do Sul (MARSUL) é uma referência que poderia se repetir no Museu Estadual do Carvão. Através do Edital da SEDAC 05/2015, foi selecionado um parceiro privado que faz a curadoria do acervo museológico do MARSUL e, hoje, já tem estruturadas as obras iniciais e equipe de trabalho na construção do inventário local.

Por fim, apoiando a iniciativa do Colegiado Setorial de Memória e Patrimônio do RS, solicitamos a todos os membros das comunidades e das associações, fundações, instituições de educação superior, entre outras instituições e organizações em defesa e promoção do patrimônio cultural que auxiliem, em conjunto com os órgãos públicos, com sugestões e alternativas à preservação, em seu sentido amplo, do Arquivo Histórico do Museu Estadual do Carvão, para que todos tenham o direito ao acesso público deste fundamental legado histórico da Região Carbonífera do RS.

 

 

(*) Historiador, delegado regional Defender/RS, mestrando do Programa de Pós-graduação em Museologia e Patrimônio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).