Cultura e arte: algumas das marcas dos 157 anos de São Jerônimo

Por Portal de Notícias 29/09/2017 - 14:19 hs
Foto: Banco de Dados
Cultura e arte: algumas das marcas dos 157 anos de São Jerônimo
Plauto Cruz é um dos artistas famosos filho de São Jerônimo

Cauê Florisbal

Quando falamos do contexto histórico de São Jerônimo, sempre lembramos fatos marcantes como o apogeu da cidade com as charqueadas e a mineração, ou de alguns prédios antigos que mantém no município características do final do século XIX e início do século XX. Mas uma das grandes marcas do município, que amanhã comemora 157 anos, é a contribuição para a cultura da região, do estado e do país. Não são poucos os artistas jeronimenses que marcaram a cultura da cidade e de fora dela. E, por isso, não se pretende fazer um trabalho exaustivo que cite todos, mas mencionar alguns que bem representam os demais. Famosos ou não, todos deixaram ou deixarão um legado para a cultura das próximas gerações.

 

Filhos ilustres

Ficarão para sempre na memória histórica os filhos ilustres de São Jerônimo que deixaram sua marca em diferentes cantos do país. Até hoje nas escolas de todo o Brasil, os estudantes leem livros como “É tarde para saber” ou “Os tambores Silenciosos”, obras do jeronimense Josué Guimarães, que também trabalhou em diversos jornais do Brasil, como Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, Zero Hora e Correio do Povo.

A frase “Boa noite” virou marco no final de cada edição diária do Jornal Nacional, da Rede Globo. Entre 2011 e 2014, o “Boa noite” mais escutado pelos brasileiros era falado pela jeronimense Patrícia Poeta, que surgiu em 1994, quando foi eleita a Garota Verão no concurso de beleza realizado pela RBS.

Falecido no último mês de julho, aos 87 anos, o flautista Plauto Cruz era conhecido como um dos maiores músicos instrumentistas do Rio Grande do Sul. O jeronimense começou sua atividade profissional em 1952 e chegou a se apresentar em emissoras como a Rádio Gaúcha, Rádio Difusora, Clube Metrópole, Rádio Itaí e Rádio Farroupilha e, também, participou de programas de televisão. Aos 69 anos, gravou seu primeiro CD como compositor e solista.

Grandes eventos

Nestes 157 anos, muitos eventos de São Jerônimo ganharam notoriedade em todo o estado. A cidade, que até os anos 1980 teve um dos maiores carnavais do estado, também foi sede do Festival Água da Sanga, que reunia renomados músicos locais e de outras paragens. Um disco com as principais músicas era lançado a cada edição do evento.

A comemoração do centenário de São Jerônimo, em 1961, também foi um evento que ficou marcado na história. Organizado pela Prefeitura, na gestão do então prefeito Rubens Porciúncula, o evento teve até uma corrida de automóveis que reuniu competidores de todo o estado. Além da corte do centenário, muitas autoridades estaduais participaram destas comemorações.

Em sua 34ª edição, a Gincana Cultural de São Jerônimo está cada dia mais consolidada como uma das mais tradicionais e mais fortes do estado. São poucas as gincanas que conseguem reunir milhares de pessoas, como acontece no espetáculo de abertura e escolha da rainha, quem tem características e qualidade artística única.

A semana de aniversário da cidade também é um evento que reúne milhares de pessoas. Durante uma semana, a região se encontra na Praça Júlio de Castilho para assistir aos shows e brincar no parque que, com ou sem a polêmica de trancar as ruas do Centro, virou tradição no final de cada mês de setembro.

Artistas “anônimos”

No início desta reportagem vimos alguns dos muitos artistas jeronimenses que ficaram famosos mundo afora. Mas, atualmente, São Jerônimo conta com um bom número de artistas que, mesmo sendo praticamente anônimos para a mídia estadual, por onde passam deixam a sua contribuição para a cultura. Muitos destes são desconhecidos até mesmo para os moradores da região.

Conhecida pelos seus trabalhos de pesquisa, a historiadora e professora Margarida Tiburi também é escritora. Seu livro “Charqueadores, estancieiros e vereadores: elites econômicas e políticas nas margens do jacuí” está disponível na internet e em diversas bancas na tradicional Feira do Livro de Porto Alegre desde que foi lançado pela editora Corag, em 2013. Margarida também foi uma das autoras do livro “1ª Guerra Mundial - Reflexos no Brasil”, publicado pela editora Ediplat, em 2014. Nesta obra, a historiadora jeronimense fala sobre o pensamento neoescolástico no Rio Grande do Sul durante o conflito.

Autor de 22 obras que relatam a história de São Jerônimo e da região Carbonífera, o historiador Benedito Veit (que é catarinense, mas que criou raízes em São Jerônimo) é o que mais escreveu livros na região. Sua primeira obra foi “Círculo Social de Pais e Mestres de Classe”, de 1966. Veit escreveu livros sobre a história das cidades de Butiá, Charqueadas, São Jerônimo, Triunfo e também sobre a Revolução Farroupilha.

Ao frequentarmos os bares da região e fora dela, muitas vezes vemos um cara magro e sorridente, cantando músicas que marcaram a juventude dos anos 1990 e 2000. Hoje integrante das bandas Catuípe e Replay, Darlan Rambor pegou gosto pela música aos 14 anos. Em 2001, começou a trabalhar como roadie de diversas bandas conhecidas em turnês pelo estado e país, como Maria do Relento, Detonautas, Charlie Brow Jr. e, também, com o cantor Nei Matogrosso. Darlan também atua voluntariamente no CLJ.

 

Embora tenha atuado em dança desde criança nas escolas e na gincana de São Jerônimo, Larissa Sanguiné iniciou profissionalmente como bailarina em 1990 e como coreógrafa em 1996. O teatro se tornou atividade profissional em 2001. Dona de um extenso currículo, Larissa já atuou inclusive como assistente de direção em oficinas ministradas por Zé Adão Barbosa e, também, ministra oficinas. Atuou em 15 espetáculos na cena teatral de Porto Alegre, entre 2001 e 2015, com duas indicações ao Prêmio Açorianos de Teatro como melhor atriz, em 2005, por “Clownssicos” e em 2011 por “Hotel Fuck: Num dia quente a Maionese pode te matar”. Em São Jerônimo, desde 1994 dirige e coreografa para diversas equipes a tarefa de Escolha da Rainha Gincana.