Trabalhadores protestam em Charqueadas

Cerca de 500 pessoas participaram de ato contra as reformas trabalhista e da Previdência

Por Portal de Notícias 05/05/2017 - 14:49 hs
Foto: Cauê Florisbal
Trabalhadores protestam em Charqueadas
Cerca de 500 pessoas participaram de ato contra as reformas trabalhista e da Previdência

Cauê Florisbal

 

Em todo o Brasil, no último dia 28 de abril, aconteceram manifestações contra as propostas de reforma trabalhista e previdenciária apresentadas pelo presidente Michel Temer. A greve geral convocada pelas centrais sindicais levou milhões de pessoas às ruas das principais cidades e capitais brasileiras. Na opinião dos manifestantes, as reformas enfraquecem as relações de trabalho e obrigam o trabalhador a “pagar a conta” do déficit da Previdência Social e das dívidas de grandes empresas com a Previdência, que podem chegar a R$ 430 bilhões.  As duas maiores entidades sindicais do país – Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical – avaliam como exitosas as manifestações e paralisações ocorridas durante todo o dia.

Em Charqueadas, onde o prefeito Simon Heberle decretou ponto facultativo, cerca de 500 pessoas participaram de um ato no Centro da cidade.

Funcionários da Susepe, que integram a AMAPERGS-Sindicato, Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado do Rio Grande do Sul, também participaram do ato. Trabalhadores do Judiciário também paralisaram as atividades por cerca de uma hora.

Uma das preocupações da categoria é a mudança no sistema previdenciário, que irá dificultar a obtenção da aposentadoria pelos trabalhadores.

- Nós estamos de cidade em cidade tentando que se tenha voz para que não seja aprovada a reforma da Previdência, que vai causar um prejuízo enorme para quem vai se aposentar futuramente – afima Cristiano Fortes, integrante da AMAPERGS.

Para Jorge Luiz Silveira de Carvalho (Luizão), presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Charqueadas (Sindimetal), as mobilizações que aconteceram no último dia 28 têm como finalidade tentar impedir a aprovação desses projetos.

- Queremos tentar barrar a gravidade dessas mudanças, mas algumas já aconteceram, como a terceirização. O povo tem que vir para as ruas para tentar reverter essa situação que irá agravar ainda mais a situação dos trabalhadores – afirma Silveira.

O fim do Imposto Sindical, o valor de um dia de trabalho descontado anualmente de todo trabalhador que é repassado para os sindicatos, é uma das propostas apresentadas por Michel Temer. Se a proposta for aprovada em Brasília, o imposto deixará dede ser obrigatório. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos afirma que o fim desta contribuição vai afetar também o Sindimetal.

- Um sindicato representativo como o nosso, onde todos os valores arrecadados são direcionados para prestar serviços para a categoria, terá um prejuízo incalculável – revela Silveira.

Representando a segunda maior categoria de trabalhadores de Charqueadas, o Sindicato dos Municipários poderá ter uma perda de aproximadamente R$ 40 mil da receita anual. Segundo a presidente Silvia Tassoni, o Sindicato conta com o repasse desta verba para se manter.

- Se aprovado, isso vai afetar também o nosso Sindicato. Nós já contamos com estes recursos no orçamento, mesmo fazendo dois anos que não conseguimos resgatar este imposto. Este ano, estamos em negociação com o prefeito – afirma Silvia Tassoni.

 

Entenda

 

 

O projeto de reforma da Previdência estabelece, entre outras mudanças, a idade mínima para aposentadoria de homens aos 65 anos e de mulheres aos 62 anos e o tempo de contribuição para receber a aposentadoria integral será de 40 anos. Pela proposta, as novas regras valerão também para os servidores públicos, que hoje têm normas diferentes e que variam por carreira e data de ingresso no funcionalismo. A reforma trabalhista, que já foi aprovada pela Câmara Federal, promove mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e, segundo os sindicalistas, retira direitos dos trabalhadores.