Entenda porque Charqueadas tem até 2020 para quita dívida de R$ 37 milhões

Prefeito e assessores participaram de audiência pública na Câmara de Vereadores

Por Portal de Notícias 28/04/2017 - 17:36 hs
Foto: Ascom
 Entenda porque Charqueadas tem até 2020 para quita dívida de R$ 37 milhões
Prefeito e assessores participaram de audiência pública da Câmara de Vereadores

Na quinta-feira, 20, o prefeito de Charqueadas, Simon Heberle; o vice-prefeito, Edilon Lopes, o procurador do Município, Claudionor Borba; e a secretária da Fazenda, Adriana Lenzzi estiveram em audiências pública na Câmara de Vereadores de Charqueadas para esclarecer à comunidade sobre o impacto que o pagamento da dívida do Projeto CURA ao Município de são Jerônimo poderá causar na administração municipal. Segundo a Emenda Constitucional 94 (EC 94), poderão ser pagos até 2020, por um regime especial, os precatórios pendentes até 25 de março de 2015 e aqueles que vencerão até 31 de dezembro de 2020.

Para o vice-prefeito Edilon Lopes, o cálculo da dívida, que está em cerca de R$ 37 milhões, precisa ser reavaliado. O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa ação da Prefeitura de Charqueadas na qual é pedida a revisão desse valor. Segundo o vice- prefeito, o cálculo da divida está incorreto.

- Os cálculos da nossa equipe especializada apontam que a divida é em torno de R$ 24 milhões. – afirma Lopes.

A previsão da receita municipal para 2017 é de R$ 107 milhões. Deste valor, R$ 22 milhões vão para o Fundo de Aposentadoria e Previdência do Servidor (FAPS), R$ 20 milhões para programas com verbas vinculadas (que não podem ser destinadas para outros fins) e R$ 4,6 milhões são repassados para a Câmara de Vereadores.  Além destas despesas, a Constituição Federal exige que, no mínimo, 25% da receita do Município sejam destinados para a educação e 15% para a saúde. Com isso, o Município teria recursos livres, sem vinculação constitucional, de cerca de R$ 28 milhões por ano e, destes, aproximadamente R$ 12 milhões serão para quitar a dívida com os precatórios de São Jerônimo e outras dívidas, segundo informou a Prefeitura de Charqueadas. O vice-prefeito questiona a decisão do Judiciário em relação ao precatório da dívida do Projeto CURA.

- Parece que o Judiciário não está vendo a condição de penúria que vai implementar no Município de Charqueadas - disse o vice-prefeito.

Questionado pela reportagem do Portal de Notícias sobre de que forma o pagamento desta divida irá afetar os serviços do Pronto Atendimento (Hospital de Charqueadas), o prefeito Simon Heberle revelou que este assunto ainda está sendo discutido com a equipe técnica da Secretaria de Saúde.

- Está é uma discussão que nós estamos vendo com os técnicos da saúde.  Estamos fazendo um esforço tremendo para que a saúde não entre no corte. Mas como em alguns pontos da saúde existe muita injeção de recursos, vamos ter que reavaliar essa situação. Não posso dizer agora, pois não entramos em muitos detalhes ainda. Estamos em tratativas para buscar junto ao Estado alguns encaminhamentos, mas com certeza irá dar reflexos também no setor da saúde –disse o prefeito.

Outro tema que foi abordado durante a audiência foi sobre um possível acordo entre as duas prefeituras. Simon Heberle revela que os municípios ainda não chegaram a um consenso sobre o valor a ser pago mensalmente.

- Não conseguimos chegar a um valor que pudesse ser acordado. Nós fizemos uma proposta de parcelas no valor de aproximadamente R$ 340 mil, mas isso não foi aceito pela Prefeitura de São Jerônimo - revela.

A vereadora Rosângela Dornelles (PT) pediu esclarecimentos sobre quais serviços serão excluídos e qual o critério para escolha destes serviços. Segundo o vice-prefeito Edilon Lopes, setores considerados prioritários terão redução de investimentos, mas não terão os serviços interrompidos.

- Nós temos necessidades básicas e alguns tipos de serviços que não vamos poder deixar de realizar. A saúde, educação, recolhimento de lixo, são setores fundamentais. Pode até haver alguma diminuição, mas terão que ser mantidos - explica Lopes.

 

Entenda o regime de pagamento de precatórios

A Emenda Constitucional 94 (EC 94), que estabelece novo sistema de pagamento de precatórios, foi promulgada em 15 de dezembro de 2016 pelo Congresso Nacional. De acordo com a norma, poderão ser pagos até 2020, por um regime especial, os precatórios a cargo de estados, do Distrito Federal e de municípios pendentes até 25 de março de 2015 e aqueles que vencerão até 31 de dezembro de 2020.

A nova norma ajusta o regime de pagamentos à decisão de 2013 do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou a inconstitucionalidade de parte da Emenda Constitucional 62, de 2009. Essa emenda previa prazo de 15 anos para os pagamentos.

Os precatórios são dívidas contraídas pelos governos em todas as esferas quando são condenados pela Justiça a fazer um pagamento.

 

As novas regras

De acordo com a EC 94, os precatórios a cargo dos estados, do Distrito Federal e de municípios pendentes até 25 de março de 2015 e aqueles a vencer até 31 de dezembro de 2020 poderão ser pagos até 2020, dentro de um regime especial.

Pelo sistema que será adotado, o aporte de recursos será limitado a 1/12 da receita corrente líquida dos entes federados. A sistemática antiga, aprovada em 2009, previa o pagamento em 15 anos (até 2024), mas o STF reduziu o prazo para cinco, na decisão que considerou inconstitucional a emenda 62.

Até 2020, pelo menos 50% dos recursos destinados aos precatórios serão para o pagamento dessas dívidas em ordem cronológica de apresentação.

A exceção a essa ordem é a preferência para os relacionados a créditos alimentares quando os beneficiários tiverem 60 anos ou mais, forem portadores de doença grave ou pessoas com deficiência. Entretanto, nesses casos, o valor será limitado a três vezes o da requisição de pequeno valor, débito dos governos pagos diretamente sem precatório.

Nos estados, no Distrito Federal e nos municípios, leis específicas podem determinar o valor dessa requisição, contanto que não seja inferior ao teto do benefício da Previdência Social (atualmente em R$ 5.189,82).

 

Negociações

Os outros 50% dos recursos, durante esse período do regime especial de pagamento, poderão ser usados para a negociação de acordos com os credores com redução máxima permitida de 40% do valor atualizado a receber, desde que não haja recurso pendente. A ordem de preferência dos credores deverá ser mantida.

 

Compensações

Outro ponto considerado inconstitucional pelo Supremo foi a permissão para que a Fazenda de cada governo fizesse a compensação do precatório a pagar com débitos do credor, inclusive aqueles objeto de parcelamento.

A solução dada pela PEC foi permitir ao beneficiário decidir se quer ou não compensar o valor a receber com dívidas, contanto que elas estejam inscritas na dívida ativa até 25 de março de 2015.

Se compensados, esses valores passarão a ser uma receita do ente público, mas não poderão sofrer qualquer vinculação automática, como transferências a outros entes federados e para despesas com educação, saúde e outras finalidades.

 

Correção monetária

A proposta não trata da correção monetária dos precatórios, por isso prevalece a decisão modulada do Supremo que acatou a correção monetária pela Taxa Referencial (TR) até 25 de março de 2015, data de publicação da decisão.

A partir dessa data, será aplicado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E). Os precatórios tributários deverão seguir os mesmos critérios pelos quais a Fazenda Pública corrige seus créditos. No caso da União, usa-se a taxa Selic mais 1% no mês do pagamento.

 

Fontes de recursos

Como a parcela mensal que o estado ou município deverá depositar em conta especial na Justiça poderá ser variável em razão da receita, a PEC não permite que ela seja inferior, em cada ano, à média do que foi direcionado a precatórios no período de 2012 a 2014.

O texto define como receita corrente líquida a soma das receitas tributárias, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de contribuições e de serviços, transferências correntes e outras receitas correntes, inclusive royalties.

Para o cálculo, poderão ser deduzidas, nos estados, as parcelas entregues aos municípios por determinação constitucional; e, nos estados, no Distrito Federal e nos municípios, a contribuição dos servidores para a Previdência.

 

Depósitos judiciais

Além desses recursos orçamentários, poderão ser usados os de depósitos judiciais e administrativos em dinheiro, referentes a processos sobre matéria tributária ou não.

Do total dos depósitos, 75% poderão ser imediatamente direcionados à quitação dos precatórios, mesmo que os recursos se refiram a autarquias, fundações e empresas estatais dependentes.

Quanto aos demais depósitos judiciais da localidade (município, estado, Distrito Federal ou União), relativos a causas entre particulares, os governos poderão usar até 20% dos recursos em juízo, exceto daqueles de natureza alimentícia. Para pegar esse dinheiro, os governos terão de criar um fundo garantidor composto pelos outros 80% dos depósitos.

Os recursos serão divididos entre o estado e os municípios de seu território. No caso do DF, onde não há municípios, todos os recursos ficam com seu governo.

 

Empréstimos

 

Será permitida ainda a contratação de empréstimo acima dos limites de endividamento constitucional ou da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101/2000) para suprir a necessidade de recursos.