“Falta apenas definir o valor das parcelas da dívida do CURA”

Prefeito de São Jerônimo fala sobre os primeiros meses de administração

Por Portal de Notícias 13/04/2017 - 14:21 hs
Foto: Cauê Florisbal
“Falta apenas definir o valor das parcelas da dívida do CURA”
Evandro Agiz Heberle

Cauê Florisbal

 

Há quase quatro meses à frente do Executivo jeronimense, o prefeito Evandro Agiz Heberle (PSDB) conversou com o Portal de Notícias, na última semana, e falou sobre alguns temas importantes em sua administração. Falou sobre a situação do interior do município, o contrato entre a Prefeitura e o hospital, recursos que a municipalidade irá receber da divida do Projeto CURA (que gira em torno de R$ 38 milhões), emendas parlamentares recebidas no início de sua gestão e temas relacionados à segurança pública. Confira a entrevista.

 

O pagamento da dívida do Projeto CURA, por parte do Município de Charqueadas, já começou a impactar na receita da Prefeitura de São Jerônimo? O Município já recebeu algum valor referente a esta divida?

Ainda não existe sentença judicial nem acordo sobre o valor dos pagamentos mensais. Não existe ainda um valor determinado, o que existe são alguns bloqueios judiciais que foram realizados nas contas de Charqueadas. Parte desse dinheiro foi para quitar a dívida com o advogado que ganhou a ação na época, um advogado contratado na gestão do prefeito Urbano Knorst, quando realmente foi ganho este processo. Depois, houve a execução da divida, que foi ganha peloss advogados da Prefeitura. Houve um bloqueio nas contas de Charqueadas e este advogado recebeu em torno de R$ 1 milhão. Houve também mais dois bloqueios, em torno R$ 900 mil, recursos que vieram para São Jerônimo, sem ainda existir um acordo de valor de parcela, simplesmente foi bloqueado e disponibilizado para os cofres de São Jerônimo.

 

Existe algum projeto para o qual serão destinados os recursos que a Prefeitura irá receber da divida do Projeto CURA?

- Nós temos várias de demandas que consideramos importantes. Vamos fazer um planejamento de longo prazo para aplicar este recurso, quando soubermos quanto irá entrar por mês. Estamos fazendo algumas negociações com a Prefeitura de Charqueadas, que tem interesse de pagar e de fazer um parcelamento. Falta apenas definir o valor das parcelas da dívida do Cura.

 

Durante muito tempo era cobrada alguma providência em relação o prédio da antiga Prefeitura, que a gestão anterior iniciou uma obra de restauração para implantação de uma escola de Educação Infantil. Qual a situação desta obra atualmente?

- Nós entendemos que o local é impróprio para ser uma escola de Educação Infantil, que era o projeto que o ex-prefeito tinha para o local, pois é um local que não tem um pátio adequado para as crianças e uma região de alto fluxo de veículos. A obra está muito atrasada, não foi feito praticamente nada, apenas o reboco nas paredes e colocado telhado. Não tem piso, ainda não tem o elevador, que custa aproximadamente R$ 140 mil. A nossa ideia é pedir ao Conselho Estadual de Educação para fazer uma vistoria no prédio e ver se é possível que seja aprovado como local de uma escola de Educação Infantil, mas nós entendemos que não. Se não for utilizado para escola, pretendemos fazer a devolução do recurso para área da Educação e utilizar outros recursos para fazer do local um prédio administrativo.

 

O carnaval deste ano chamou atenção da comunidade pela melhor organização e maior fluxo de pessoas, além de atrações de fora do município. Qual foi o impacto financeiro deste evento?

Os gastos que tivemos com o carnaval foram muito poucos, pois gastamos o mesmo que foi gasto nos anos anteriores. A estrutura que colocamos na avenida custou o mesmo que um palco que era colocado nos carnavais anteriores. O que nós conseguimos fazer foi um evento bem mais atrativo, tanto que antes colocava em torno de 2 mil pessoas e esse ano teve um publico em torno de 7 mil pessoas. As atrações que trouxemos vieram através de contatos que eu e o vice-prefeito, Júlio César Prates Cunha, o Julião, temos com o pessoal do carnaval, como é o caso do Bambas da Orgia e Panela do Samba. Em termos de gastos, conseguimos manter o mesmo que os administradores anteriores gastaram, mas conseguimos incrementas a receita do comércio local porque as pessoas ficaram na avenida para assistir ao carnaval. Isso gera impostos e oportuniza aos comerciantes ganharem com o evento, além das escolas de samba e equipes de gincana, que começaram a fazer caixa no carnaval.

 

O Sindicato dos Municipários questionou o reajuste de 4,7% oferecido aos servidores. Qual será a posição da Prefeitura em relação a isso?

- Essa já é uma situação definida. Fizemos o que foi feito por todos os municipios de nossa região, e quase todos os municipios do estado, que foi dar a reposição com a correção da inflação de 4,72% para os servidores, 7,45% para os professores e 10% de aumento no vale refeição. O aumento para os professores foi maior porque o reajuste do piso do magistério foi acima da inflação e nós acompanhamos o índice.

 

A prefeitura ainda mantém os contratos com o Hospital de São Jerônimo?

Nós já fizemos a renovação do contrato com o hospital e estamos em negociação para um reajuste que entendemos que seja justo. A Prefeitura de São Jerônimo tem dois contratos com o hospital, para compra de exames e serviço de pronto atendimento, que está em torno de R$ 50 mil, relacionados ao contrato do pronto atendimento. Este convênio já está firmado, pois entendemos que não pode parar.

 

Neste período de pouco mais de três meses, a nova gestão já conseguiu emendas parlamentares para o Município?

- Sim. Conseguimos algumas emendas, não apenas por ação minha ou do vice-prefeito, mas de alguns vereadores e presidentes de partidos que têm acesso a deputados e senadores. Conseguimos R$ 2.555.625,35, sendo algo em torno de R$ 750 mil do Ministério das Cidades destinados para asfalto. O então deputado federal Nelson Marchezan (PSDB) e os deputados José Otávio Germano (PP) e Paulo Pimenta (PT) destinaram R$ 250 mil. Sérgio Moraes (PTB) enviou R$ 250 mil para agricultura e mais R$ 250 mil na área da saúde. O deputado Giovane Cherini (PSD) destinou R$ 146 mil, o deputado Afonso Mota (PDT), enviou R$ 100 mil para patrulhas agrícolas mecanizadas. A senadora Ana Amélia Lemos (PP) também destinou emendas para patrulhas mecanizadas. O deputado Carlos Gomes (PRB) destinou R$ 246 mil para a implantação da quadra de esportes, melhorias na pista de skate e do entorno do nosso ginásio municipal. O senador Lasier Martins (PDT) nos contemplou com R$ 300 mil para um posto de saúde e o deputado federal Renato Moling (PP) enviou R$ 100 para custeio na área saúde. Na área do turismo, temos vários projetos cadastrados no Ministério do Turismo que poderão, em um segundo momento, contemplar obras de infraestrutura e acesso a pontos turísticos da cidade e revitalização da alguns locais.

Em entrevista ao Portal de Noticias, o secretário da Fazenda, Rudney Santos, falou da importância do turismo como fonte de renda. Qual a importância deste setor em sua gestão?

Algo muito importante no início deste governo foi a revitalização da nossa praia, com a construção de churrasqueiras, colocação de lixeiras e mesas, arrumamos a iluminação, realizamos shows, campeonato de futebol de praia, futebol sete e vôlei. O nosso calçadão e a nossa praia, que antes eram frequentados apenas pelas classes D e E de São Jerônimo passaram a ser frequentados por todas as classes sociais. Nós conseguimos levar de volta pessoas que há muitos anos não iam a nossa praia. Estamos muito felizes porque que as pessoas conseguem ficar em São Jerônimo, conseguimos manter a população gastando aqui e trazendo pessoas de outras cidades.

Os distritos do interior sempre necessitam de um pouco mais de atenção por partes dos gestores. Algo já foi feito por estes distritos?

Em apenas quatro meses, já realizamos o aterro e o sistema de escoamento na ponte da porteirinha, do Porto do Conde, que é um problema de mais de 50 anos. Pessoas enfermas tinham que ser carregadas no colo para atravessar para o outro lado para pegar uma condução. Já foram realizadas a limpeza, drenagem e colocação de canos e aterro. É uma obra de engenharia fantástica. Também já tivemos a confirmação por parte do Ministério da Integração Nacional, através de Defesa Civil, dos recursos para a reconstrução das pontes no interior do município que sofreram com os desastres naturais que tivemos nos ultimos tempos. Serão construídas pontes de concreto onde hoje há pontes de madeira. Vai ter uma nova ponte no Arroio do Sutil (Distrito de Gramal), Arroio da Fonseca (Porto do Conde) e no Cerro da Capororoca. Antes, para cuidar do interior tinha apenas uma retroescavadeira para atender os 2 mil quilômetros de estradas, a outra estava com problemas e já arrumamos, mas hoje já contando com as duas e estamos melhorando as condições das estradas.

 

O Governo do Estado quer economizar no aluguel de prédios a Brigada Militar e, com isso, existe a possibilidade do efetivo da sede da BM de São Jerônimo ir para Charqueadas. Como está essa situação?

Existe um risco de nós perdermos o efetivo de São Jerônimo para Charqueadas no momento que não houver disponibilização, por parte do Município, de um prédio para a Brigada Militar. Nós estamos estudando a questão e perguntamos se eles gostariam de continuar ali no prédio onde estão atualmente, mas eles disseram que preferem a troca do local. Nós não cogitamos a hipótese de perder a Brigada Militar de São Jerônimo e, no que depender de nós, isso não vai acontecer.

 

Como estão as câmeras de videomonitoramento do município?

Existe uma parceria entre a Prefeitura e o Governo do Estado e nós cedemos alguns funcionários. Estamos estudando a possibilidade de colocar mais câmeras, principalmente nas entradas do município, e uma melhor iluminação nos trevos de entrada e saída de veículos.

 

Há alguns dias, o senhor assumiu a presidências da Associação dos Municipios da Região Carbonífera (Asmurc). Quais serão as metas de trabalho desta nova diretoria?

 

No primeiro momento, a pauta é a segurança. Estamos cobrando da Brigada Militar que boa parte dos novos soldados,que serão formados em Guaíba, venham para a nossa região. Os números são muitos positivos em relação à atuação da Brigada Militar na região na questão de abordagens, prisões, apreensões de drogas, de armas, número de flagrantes. Isso nos dá poder de barganha para conseguirmos melhorar o efetivo nas nossas comunidades. Essa será a bandeira inicial.