O campo pode ir mais longe

Por Portal de Notícias 24/03/2017 - 17:46 hs

Francisco Turra*

 

Os últimos dois anos foram de fortes turbulências para o Brasil. Mas o pior está ficando para trás. A inflação voltou a ficar abaixo da meta, os juros estão em queda e reformas essenciais estão caminhando. O momento é oportuno para a retomada e, também, para solidificar as bases de um crescimento sustentável da economia. E o agronegócio deve acompanhar esse processo.

Temos uma posição privilegiada no mercado global. Somos líderes em diversas culturas, como açúcar, soja, frango e suco de laranja. Estamos na quarta posição em exportações e entre os cinco países que produzem mais de uma tonelada de grãos por habitante.

O campo se destaca ainda pela inovação. Novas tecnologias e pesquisas ajudam o produtor a expandir seus horizontes. Exemplos disso estão acontecendo no Rio Grande do Sul, com o melhoramento genético para gerar plantas mais resistentes e o desenvolvimento de coberturas comestíveis para maior durabilidade das frutas.

Em curto e longo prazo, o mercado reserva grandes oportunidades. Agora, o aumento de casos de influenza aviária no exterior pode abrir novos negócios para o frango brasileiro, livre da doença. Para as próximas décadas, o crescimento da população e do consumo de alimentos ampliará nossa demanda, sobretudo para a proteína animal no Sul da Ásia.

Precisamos, no entanto, superar dificuldades. Estamos na 75ª posição no ranking global de competitividade. O custo logístico é muito alto, chegando a 12,7% do PIB — contra 7,8% nos Estados Unidos. Regulação tributária e burocracia são outros entraves que dificultam os negócios.

Mesmo assim o agro cresce. O câmbio favorável e o bom desempenho das exportações favoreceram avanços, como na proteína animal e nos grãos. Mas podemos ir mais longe, com menos burocracia, juros mais baixos, maior acesso ao crédito, investimentos em inovação e infraestrutura.

Fazer as reformas que fortaleçam o agronegócio evitará novas turbulências — e nos ajudará a construir um futuro forte e sustentável para o país, com mais emprego, crescimento e renda.

 

(*) Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)