Estudo – escola – humanidades

Vivemos em nosso país um período conjuntural-histórico muito conturbado e preocupante

Por Portal de Notícias 10/03/2017 - 13:55 hs

Prof. Dr. Ivanor Henrique Dannebrock

 

Encaminhamentos. Continuidades. Reformular paradigmas. O processo, quando se trabalha com o ser humano, sempre requer uma sistemática programada, acrescida de paciência, para se dar os encaminhamentos, quando aparecem sob o formato de demandas nas instituições. Conseguir estar afinado com o espírito do tempo, den Zeitgeist, é uma tarefa que requer habilidade; tratamos aqui de uma tarefa muito mais intelectual. Até podemos avançar e nos colocarmos na condição de procurar interferir no Zeitgeist. Nesse caso necessitamos de uma boa dose de coragem. Sabendo que a história é viva, dinâmica, que se modifica continuamente. Hoje temos que fazer história, se no futuro pretendemos ser lembrados por ela. Esse é nosso papel. Agentes que devem interferir nos processos com o intuito de melhorar os resultados. Sempre. Sem descanso.

Estarmos disponíveis a ouvir é mais uma tarefa necessária e que pode render bons frutos. Ouvir todas as partes envolvidas, saber conduzir os debates e até demarcar limites para os envolvidos,  que via de regra fazem-se necessários. Lidar com as humanidades é isso, estarmos envolvidos o tempo todo, sermos avaliadores e sabermos ser avaliados.

A educação é um campo de trabalho fascinante. Ao mesmo tempo deve nos preocupar muito. Precisamos avançar, romper o tradicional. E neste momento não sabemos como, ou a sociedade e a legislação nos engessa e não permite romper com o que está posto. Vivemos em nosso país um período conjuntural-histórico muito conturbado e preocupante. O sistema educacional brasileiro precisa avançar. Nós na área privada comunitário-filantrópica ainda conseguimos manter preceitos de qualidade em nossos regimentos e planos pedagógicos, os quais se traduzem em resultados visíveis. Enquanto tivermos profissionais gabaritados e preparados, e estes nós temos, o caminho a trilhar fica mais ameno. Equipes afinadas, em sintonia fazem a diferença em qualquer área de atuação. Este é o caminho, porque a meta está clara.

O saber das pessoas envolvidas; e na instituição escolar temos muitos intrinsecamente envolvidos, é um saber diferencial, incapaz de unanimidade (como nos lembra Foucault). Abrir-se para ele e o sistematizar, pode nos fornecer dados muito interessantes.

O cotidiano da instituição escola geralmente é de prazer nos anos iniciais. Mais tarde vai se transformando, quando vai tomando um corpo formal conteudista. Vivemos uma época onde se busca a felicidade incessantemente. A visão mercadológico-capitalista nos impõe a dualidade: ter e ser feliz. No interior do fazer pedagógico, lembro que existe sujeição, existe a construção do saber, a repetição que se faz necessária, e por isso não é uma vivência de felicidade constante. Até porque o conceito de felicidade ininterrupta inexiste. Aristóteles quando nos fala através de sua obra A Ética, assim se manifesta: “Logo, a felicidade não consiste nos divertimentos, porque fora deveras absurdo fazer deles o fim, e trabalhar, e suportar males durante a vida inteira com o escopo de divertir-se.”

 Debruçar-se sobre o livro, ler de fato, estudar, essa fórmula acredito que não terá substituição, enquanto a fórmula da osmose via cabeça-travesseiro-livro não for nos ensinada, não teremos resultados apenas dormindo sobre as obras. E nesse processo, quem almeja somente a felicidade e não se sujeita ao trabalho que o estudo exige, provavelmente terá a sua frente dias mais nebulosos, com riscos de se tornar um ser ignóbil.

 (*) Diretor da CNEC São Jerônimo e CNEC Charqueadas