Algumas reflexões sobre o setembro amarelo

Por Clin - Clínica Infanto Juvenil 08/09/2017 - 13:48 hs

Claudia d’Avila Maffazioli

Psicóloga/Psicanalista - CRP 07/06803

 

Desde 2014, o mês de setembro é dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio, sendo que 10 de setembro é o dia mundial de prevenção ao suicídio. Portanto, estamos vivenciando o “Setembro Amarelo”.

Mas, para podermos pensar em prevenção ao suicídio, precisamos falar sobre depressão e melancolia, que muitas vezes se confundem.

Muito se tem falado sobe depressão, existem inúmeras pesquisas que apontam para causas químicas, como uma simples falta de serotonina, ao invés de uma resposta às experiências de perda e separação. Sendo uma deficiência química, deveria ser tratada com química, ou seja, com medicação. Só que a medicação não cura as causas da depressão que para cada sujeito, são diferentes, pois dependem da sua história e das suas experiências de perda e separação. Não é o mesmo conjunto de problemas para cada pessoa.

A melancolia, na definição de Freud, em seu texto “Luto e Melancolia” (1915), se confunde com o luto. Freud a descreve como um desânimo profundo, com perda do interesse pelo mundo externo, perda da capacidade de amar, diminuição de sentimentos de auto estima, que estão presentes também, no luto, como reação à perda de alguém. Uma diferença importante é que no luto a pessoa sabe o que foi perdido e na melancolia, se sabe quem foi perdido, mas não se sabe exatamente o que foi perdido nesta perda. “No luto, é o mundo que se torna pobre e vazio; na melancolia, é o próprio EU” (Freud). É como se tivesse morrido junto.

Antigamente, a melancolia era valorizada. Acredita-se que muitos poetas e artistas eram melancólicos e era isto que os tornavam brilhantes. Hoje, com as exigências de felicidade e rapidez do mundo moderno, a melancolia perdeu espaço. E aí, corre-se o risco de se fazer um diagnóstico incorreto, medicar para depressão sem realmente escutar e acolher o sofrimento daquele sujeito, e esta não escuta pode ter consequências mais graves.

 

Portanto, para se fazer prevenção ao suicídio, precisamos tratar a dor, através da escuta e acolhimento do sofrimento. Lembrando que a pessoa com risco de suicídio deseja acabar com o seu sofrimento e não com a vida.