“Quem quiser saber quem sou / Olha para o céu azul”

Por João Adolfo Guerreiro 12/05/2017 - 16:01 hs

O domingo, 7 de maio, estava com um céu azul de presságio. O jogo era em Caxias do Sul, no estádio Centenário, casa do Caxias, último campeão gaúcho vindo do interior, 17 anos antes. Os deuses do futebol estavam enviando sua mensagem.

O time da colônia alemã foi fundado num 1º de Maio de 1911, durante uma comemoração entre empregados e patrões de uma fábrica de calçados. Assim, nasceu com os pés no chão, superando inclusive a luta de classes naqueles revolucionários anos iniciais do século XX, mostrando ser um clube parido sob o signo da unidade, estando acima de outras paixões que não o futebol. Não foi à toa que o branco e o azul foram escolhidos como suas cores: o céu, que está acima de tudo, onde as nuvens flutuam, sobre todos. Novo Hamburgo, um clube com os pés no chão e a cabeça nas nuvens, sem contradição.

A melhor campanha na fase classificatória. Invicto contra a milionária dupla Grenal. Acaso, para alguns; afirmação de incontestável virtude, para os que olham para o futebol não somente pelo paradigma Grenal. Para não deixar dúvidas, na semifinal, um empate na Arena contra o Tricolor, numa partida em que quase vira o placar e vence. Tanto que o gigante adversário poupou os titulares num jogo de Libertadores, em humilde respeito aos fatos em campo observados. Em casa, na segunda partida, depois de sair atrás no marcador, o Anilado empata o jogo e elimina seu laureado adversário nas cobranças de penalidades.

Estava claro: era Novo Hamburgo, não era Grenal. E assim, no primeiro domingo da final, mais uma vez, o Noia, com o pés sobre o gramado verde do Beira Rio e a cabeça sob o céu azul, empatou em 2x2 com o Inter. Não fosse isso suficiente a mostrar a mão dos deuses do futebol, some-se que os goleiros do adversário, ao final do jogo, estavam todos lesionados. Coincidência?

Então, voltando para a tarde quente no Centenário, o Anilado inaugura o marcador. Isso mexe com os brios do Internacional, que volta arrasador no segundo tempo, empatando logo aos três minutos. E a pressão transcorre até o final da partida, com os chutes colorados se perdendo pela linha de fundo ou parando nas mãos do guarda-metas hamburguense. Na cobrança de penalidades, a trave parou os primeiros chutes colorados. Os deuses do futebol não só fiscalizam, também jogam. As mãos do arqueiro anilado novamente barram outro chute. Bastou aos jogadores de linha cumprir sua obrigação e colocar o Novo Hamburgo na história, em cumprimento ao seu destino.

Uma equipe montada com tostão contra outras construídas com milhão: a folha salarial do time, 180 mil reais, não superava o salário de alguns craques da dupla Grenal. Mas os deuses do futebol queriam mostrar mais uma vez, depois de 2000, que o esporte bretão não é só cifrão. Nos últimos 63 anos, apenas Renner (1954), Juventude (1998) e Caxias (2000) haviam superado as forças futebolísticas da capital. Em 2017, o Novo Hamburgo, com todos os méritos, sem acaso ou sorte, entrou para esse seleto grupo. Campeão Gaúcho, acima de tudo, superando a todos, com os pés no chão e a cabeça nas nuvens.

Logo, respeito: não toquem flauta, batam palmas. Todos, tanto tricolores quanto vermelhos! É Novo Hamburgo, não é Grenal. A história foi escrita e já se encontra nos livros, para a posteridade.

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LIVRO HUMANO – Na próxima terça-feira,16, às 17h30min, na Biblioteca Pública Profª Vera Gauss, acontece a terceira edição da Biblioteca Humana, atividade aberta ao público. As pessoas interessadas em ser “livros humanos” podem ligar até hoje para o 3958 8401.

 

(*) Trecho da música “Querência Amada”, de Teixeirinha